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8-2-2019

CHINA: Repressão das autoridades está a levar cristãos a assumir a sua fé na clandestinidade apesar do acordo entre Santa Sé e Pequim


Apesar do acordo provisório assinado no final do ano passado entre a Santa Sé e Pequim para a nomeação dos bispos católicos para a República Popular da China, são muitos os sinais de que as autoridades comunistas não têm abrandado em algumas províncias a repressão contra a comunidade cristã.

O site Bitter Winter, que monitoriza as questões relacionadas com a liberdade religiosa na China tem publicado inúmeros casos concretos de repressão por parte das autoridades contra comunidades cristãs. Em alguns desses casos – é referido como exemplo a cidade de Tieling, na província de Liaoning – os cristãos estão a viver a sua fé de forma cada vez mais clandestina em resposta, por exemplo, ao encerramento dos locais de culto.

Também a agência católica de notícias Asia News tem dado conta desta situação, referindo que vários sacerdotes desistiram inclusivamente da sua missão “por uma questão de consciência”.

Ainda recentemente a Fundação AIS deu exemplos desta onda de repressão das autoridades comunistas contra a comunidade cristã apesar do acordo assinado entre Santa Sé e Pequim.

Um dos casos denunciados refere-se à província de Henan, onde as autoridades têm vindo a encerrar igrejas transformando-as em teatros, salas de jogos e outros locais de entretenimento.

Entre as igrejas ocupadas pelas autoridades comunistas estão, entre outras, as de Caowu, Nanyang e Youzhai.

Nestas três localidades, as igrejas deixaram de ser locais de culto para se transformarem, por vezes, em locais de propaganda comunista. A igreja situada na vila de Caowu, por exemplo, ostenta desde há cerca de dois meses um cartaz onde se exaltam os “valores fundamentais socialistas”. E onde se podia ler “Igreja Cristã”, está agora a frase “grande amor à China”.

Na verdade, a antiga igreja de Caowu transformou-se, assegura o Bitter Winter, num “Centro Integrado de Serviços Culturais da Vila de Caowu”. Numa parede da antiga igreja pode ver-se agora um cartaz sobre a “gloriosa história do Partido Comunista”.

Em Nanyang, situada no distrito de Tanghe, as autoridades removeram a cruz do cimo do edifício da igreja e transformaram o antigo lugar de culto num centro de actividades desportivas e culturais.

Em entrevista entretanto publicada no L’Osservatore Romano, o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, Cardeal Fernando Filoni, reconhece que existe uma situação delicada e complexa no relacionamento entre a chamada comunidade cristã clandestina, fiel ao Papa e ao Vaticano, e os responsáveis chineses que tutelam a chamada igreja patriótica que responde perante Pequim.

“Não podem ser ignorados os anos de conflitos e de incompreensão”, diz Filoni ao jornal do Vaticano. “Acima de tudo, é necessário reconstruir a confiança, talvez o aspecto mais difícil, pelas autoridades civis e religiosas encarregadas dos assuntos religiosos e entre as chamadas correntes eclesiais, oficiais e não oficiais.”

Questionado sobre o facto de haver católicos na China que depois de terem sofrido para permanecerem fiéis ao Sumo Pontífice, sentem-se agora confusos e, sobretudo, “experimentam a amarga sensação de serem traídos e abandonados pela Santa Sé”, o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos reconhece que são merecedores de “um sentimento de viva gratidão e admiração pela fidelidade e a constância na provação”, afirmando que muitos, “no decorrer dos anos, foram verdadeiros mártires ou confessores da fé! Somente um espírito superficial ou de má-fé poderia imaginar que o Papa Francisco e a Santa Sé pudessem abandonar o rebanho de Cristo, em qualquer parte e em qualquer condição que se encontre no mundo”…

Quanto ao futuro do cristianismo na China, o Cardeal Filoni mostra-se confiante e diz acreditar que “somente a falta da verdadeira liberdade e as tentações de bem-estar podem sufocar uma boa parte das sementes lançadas já há muitos séculos atrás”. “Em todo caso, o presente nos enche de responsabilidades em vista quer do anúncio do Evangelho, como na superação das tentações de nosso tempo não fácil.”

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 

OBSERVATÓRIO: China

 






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