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11-2-2019

PAQUISTÃO: Autoridades transferiram Asia Bibi para novo lugar secreto e continua a não conseguir sair do país


Asia Bibi terá sido transferida para um novo lugar secreto em Karachi, mas continua sem poder abandonar o país, afirmou no passado sábado um amigo da cristã citado pela imprensa internacional.

Segundo Aman Ullah, tanto Asia Bibi como o marido “estão fechados” num quarto numa casa cuja porta só se abre “à hora da comida”. Ullah, que terá falado com Asia Bibi por telefone na passada sexta-feira, diz que a cristã, de 54 anos, mãe de cinco filhos, “não tem indicação de quando partirá” do Paquistão, apesar de as autoridades do país afirmaram publicamente que ela é livre de o fazer.

A verdade é que a vida de Asia Bibi continua ameaçada mesmo após o Supremo Tribunal de Justiça a ter ilibado de todas as acusações de blasfémia que pendiam sobre ela e que a tinham condenado, numa primeira instância, à pena de morte.

A última decisão foi tomada no passado dia 29 de Janeiro pelos juízes do Supremo, numa revisão final da sentença por exigência de grupos radicais que querem mesmo a sua condenação.

Após ter passado oito anos no corredor da morte, Asia Bibi viu a sua condenação à morte ser anulada em Outubro do ano passado por uma decisão do Supremo Tribunal do Paquistão.

Essa decisão provocou, no entanto, uma reacção enorme por parte de grupos radicais mobilizados pelo partido radical Tehreek-e-Labbaik Pakistan e que se mostraram sempre contrários à sua libertação.

Em consequência dos protestos, que chegaram a paralisar algumas das principais cidades paquistanesas, o primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, aceitou uma exigência dos manifestantes obrigando o Supremo Tribunal a rever a decisão tomada em Outubro, o que aconteceu na manhã de 29 de Janeiro deste ano.

Asia Bibi foi levada então, juntamente com o marido, Ashiq, para um lugar seguro até que estivessem reunidas as condições mínimas de segurança para poder abandonar o país.

Desconhece-se ainda qual poderá ser o destino final de Asia Bibi mas é altamente provável que vá para o Canadá, um dos países que se ofereceu para receber esta mulher cristã e onde duas das suas filhas já estarão a viver.

No entanto, outros países já anunciaram estar disponíveis também para acolherem esta família, nomeadamente a Austrália, Espanha e França.

A possibilidade de ser mesmo o Canadá a acolher Asia Bibi foi também sublinhado na passada quinta-feira pelo semanário católico espanhol Alfa&Omega.

Este jornal assegura que a cristã paquistanesa em breve estará a viver “num lugar secreto no Canadá”, onde estão já duas das suas filhas, que chegaram ao país antes do Natal juntamente com um amigo da família.

Nadeem Bhatti – parente de Shahbaz Bhatti, ministro das Minorias do Paquistão, assassinado em 2011 por defender Asia Bibi – e que se tornou amigo do marido da cristã durante as várias sessões do julgamento – não adianta, no entanto, dados concretos por questões de segurança.

“Não podemos dar nenhuma informação que possa colocá-los em perigo”, explica Nadeem ao Alfa&Omega. De qualquer forma, o jornal católico espanhol esclarece que “durante as primeiras semanas”, após chegar ao Canadá, a família de Asia Bibi terá “os seus movimentos e contactos limitados a um pequeno grupo de pessoas” e que estarão sempre debaixo da proteção das forças de segurança.

Entretanto, nos últimos dias, a Fundação AIS encontrou-se em Lahore com o advogado de Asia Bibi que regressou por estes dias ao país, apesar das ameaças a que continua sujeito. Saif Ul-Malook reconheceu isso mesmo afirmando que a sua vida “está destruída”,mas que “nunca” se arrependeu de defender Asia Bibi. “Não tenho arrependimentos e se amanhã outro cristão me pedisse para o defender de uma acusação de blasfémia, eu o faria sem pensar por um momento” nas consequências.

O advogado de Asia Bibi fez questão de regressar ao país para assistir à última audiência do Supremo em que o caso da sua constituinte foi avaliado pela última vez. Ter assumido a defesa de uma cristã num caso de blasfémia transformou-o também num alvo dos grupos radicais. “Sou um homem morto que caminha”, disse ele à Fundação AIS. E sente-se abandonado. “Os meus amigos e colegas recusam-se até a entrar no carro comigo pois estão com medo de serem mortos comigo também…”

Para a Fundação AIS a história de Asia Bibi é muito importante pois além do que significa de concreto para esta mulher, tem um valor simbólico extremamente relevante para a comunidade cristã no Paquistão.

Como sublinhou Catarina Martins de Bettencourt, directora do secretariado português da Ajuda à Igreja que Sofre “todo o nosso esforço, todo o nosso trabalho não foi em vão” e este caso “enche-nos seguramente de mais energia, de mais vontade para continuarmos com esta missão de defesa dos Cristãos perseguidos no mundo. É preciso não esquecer que há muitas ‘asia bibis’ no mundo”.

De facto, ainda recentemente, o padre James Channon, director do Centro da Paz em Lahore, que promove relações entre religiões, disse à Fundação AIS no Reino Unido que “há quase 200 casos de cristãos no Paquistão acusados ​​de blasfémia”, o que significa que todos eles podem vir a ser condenados a pena de morte ou prisão perpétua.

Também o secretário-geral internacional da Fundação AIS sublinhou a importância de o Supremo Tribunal de Justiça ter ilibado Asia Bibi e a repercussão que este caso pode vir a ter neste país.

“A decisão judicial é um triunfo dos direitos humanos sobre a intolerância religiosa, uma vitória sobre o ódio dos fanáticos e, acima de tudo, uma felicidade pessoal e uma grande alegria para a Asia Bibi e os seus familiares”, escreveu Philipp Ozores num comunicado horas depois de ser conhecida a notícia de que a cristã estava ilibada de todas as acusações.

Para Ozores, a decisão judicial é também importante para todos os outros cristãos que continuam, como denunciou o padre Channon, nas malhas do sistema judicial paquistanês. “Após mais de oito anos de incerteza, uma esperança há muito acalentada hoje tornou-se realidade. Uma esperança que também inspira os restantes 187 cristãos paquistaneses acusados de blasfémia como Asia Bibi e que se encontram na prisão ou aguardam a sua execução. A Fundação AIS irá continuar a rezar e a trabalhar com outras organizações e parceiros de projecto no Paquistão. Espera-se – acrescenta o secretário-geral – que a decisão do tribunal seja finalmente repensada pelo Governo e as leis da blasfémia sejam atenuadas, ou melhor, abolidas”.

Para Philipp Ozores, o caso de Asia Bibi só estará definitivamente encerrado quando esta mulher cristã mãe de cinco filhos conseguir reunir-se com a família. Para isso é necessário que possa sair do Paquistão o mais rapidamente possível. “O perigo ainda não passou, mas a confiança prevalece", acrescenta o secretário-geral internacional da Fundação AIS.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Paquistão

 






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