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8-3-2019

REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA: D. Juan Aguirre alerta que o país está a ficar nas mãos de jihadistas e que potências estrangeiras estão a saquear os recursos naturais


Um mês depois de assinado um acordo de paz entre o presidente da República Centro-Africana e 14 dos grupos armados que controlam grande parte do país, algumas das principais milícias ameaçam romper as negociações.

Pelo menos duas das principais milícias, a União pela Paz na República Centro-Africana e a Frente Democrática do Povo anunciaram, na passada segunda-feira, abandonar o acordo de paz que implicava a formação de “um governo inclusivo”.

Um destes grupos armados foi responsável por um verdadeiro massacre, em Novembro do ano passado, em Alindao. A catedral e o campo de refugiados, que albergava então mais de vinte mil pessoas, na sua maioria cristãos, foram atacados com uma ferocidade inimaginável. Milhares de pessoas tiveram de fugir para a floresta procurando salvar a própria vida. Dois padres foram também assassinados. Um deles terá sido mesmo queimado vivo.

A República Centro-Africana vive uma terrível onda de violência desde 2013, com grupos armados muçulmanos, os Séléka, a espalharem a violência contra as populações civis, o que deu origem à criação de grupos de auto-defesa, conhecidos localmente como os “anti-Balaka”.

Calcula-se que haverá 18 milícias armadas responsáveis por ataques contra as populações, raptos e contrabando. O conflito neste país já provocou mais de 1 milhão e 200 mil refugiados e deixou ainda cerca de 2,5 milhões de pessoas a precisarem de ajuda humanitária de emergência.

D. Juan Aguirre, Bispo de Bangassou, tem sido uma das principais vozes de denúncia da situação de violência extrema em que se encontra a República Centro-Africana, criticando também o acordo de paz que agora parece estar seriamente comprometido com o abandono das negociações por parte de duas das principais milícias.

Na semana passada, em declarações ao jornal espanhol Alfa & Omega, o prelado afirmou que os membros destas milícias “são assassinos e deveriam estar no Tribunal Penal Internacional. No entanto, queram dar-lhes o prémio de serem ministros”.

A crítica maior do Bispo de Bangassou dirige-se aos Séléka, que dominam grande parte do território e que são, na sua maioria, oriundos do Sudão, Chade e Níger, com apoio material das “monarquias do Golfo... e dos Estados Unidos, que arma a Arábia Saudita”.

Segundo o Bispo, os Séléka lançaram nos últimos tempos uma série de ataques, nomeadamente em Bakouma, Bambari e Ippy, pois “queriam ganhar terreno para irem numa posição de força para as negociações”.

Em Bakouma, por exemplo, “atacaram um acampamento com 9 mil pessoas deslocadas”. Resultado: cerca de 4 mil pessoas fugiram e “chegaram a Bangassou com os pés arruinados, depois de passarem dias na selva… Quando conseguimos voltar a Bakouma, enterrámos os mortos em valas comuns.”

O Bispo não esconde o receio da possibilidade de o acordo agora alcançado poder significar mais um passo para a divisão da República Centro-Africano, com a criação de um novo estado de maioria muçulmana, com a capital em Bangassou.

Em Janeiro, o Conselho de Segurança da ONU abriu as portas para um afrouxamento do embargo de armas à República Centro-Africana.

O objectivo será o de permitir o reforço das Forças Armadas do país no combate aos grupos armados. No entanto, D. Juan Aguirre receia que alguns países, nomeadamente a Rússia e a China, possam vir a explorar os recursos naturais do país.

É que estes dois países têm estado empenhados no apoio militar ao Exército da República Centro-Africana e naturalmente estão também interessados na venda de armas ao governo. O Bispo suspeita que ambos os países irão explorar os recursos naturais da região “de maneira industrializada”.

Entretanto, no passado sábado, dia 2 de Março, foi inaugurado em Bangui pelo cardeal Konrad Krajewski o novo ambulatório pediátrico do Hospital Bambino Gesu, cumprindo-se assim uma promessa do Papa Francisco durante a visita ao hospital pediátrico da cidade, em 29 de Novembro de 2015, antes de inaugurar o Jubileu da Misericórdia na capital da República Centro-africana: “Não me vou esquecer de vocês”.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt    



 






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