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14-3-2019

PAQUISTÃO: Centenas de cristãos em fuga de Karachi após mais uma falsa acusação de blasfémia


O incidente ocorreu na cidade Karachi, no Paquistão. Três jovens mulheres cristãs foram acusadas de terem profanado páginas do livro sagrado dos muçulmanos.

Bastou a acusação para que uma multidão tenha descarregado a sua fúria sobre as casas pertencentes à comunidade cristã, nomeadamente no bairro de Farooq-e-Azam, lançando o pânico entre os moradores.

O caso ocorreu no passado dia 19 de Fevereiro. Então, reagindo ao apedrejamento das casas e das ameaças dos radicais muçulmanos, e com as próprias vidas em risco, cerca de duas centenas de famílias cristãs viram-se forçadas a fugir.

Mais tarde veio a descobrir-se que se tratou de uma falsa acusação instigada por vingança por causa do aluguer de uma habitação.

A pronta intervenção das autoridades e de responsáveis da Igreja terá evitado que a violência tivesse consequências mais graves.

De qualquer forma, as três cristãs, identificadas como Permisha, de 16 anos; Suneha, de 15, e Sunaina, de 22, estão actualmente a viver “num local secreto por questões de segurança”, como denunciou o padre Saleh Diego, da Comissão Nacional de Justiça e Paz do Paquistão à agência de notícias AsiaNews.

Este caso demonstra como a comunidade cristã continua tão indefesa perante grupos radicais que utilizam a lei da blasfémia como uma das suas armas mais temíveis.

Ainda recentemente, a Fundação AIS dava conta da mobilização de diversos sectores da sociedade paquistanesa para a libertação de Sawan Masih, um cristão paquistanês condenado à morte por blasfémia.

Tal como com estas três jovens ou Asia Bibi – a cristã, mãe de cinco filhos, condenada à morte por blasfémia por ter bebido um copo de água de um poço, e posteriormente ilibada pelo Supremo Tribunal de Justiça – também há fortes incongruências no testemunho de acusação contra Sawan Masih.

O Padre Emmanuel Yousaf, director nacional da Comissão Nacional de Justiça e Paz do Paquistão, afirmou à Fundação AIS que “estão a ser exploradas” as acusações contra este cristão e que a “verdadeira motivação por trás deste caso é uma tentativa de expulsão dos cristãos” de uma zona da cidade de Lahore.

Uma vez mais, questões relacionadas com imobiliário estão na origem das acusações de blasfémia, o que demonstra como esta lei é usada e abusada vezes sem conta para atingir as camadas mais fragilizadas da população paquistanesa.

Segundo aquele responsável, o bairro de Joseph Colony, em Lahore, terá ficado bastante valorizado pela sua proximidade com algumas unidades fabris e isso poderá explicar esta animosidade contra a comunidade cristã e a acusação, infundada, contra Sawan Masih.

Calcula-se que, neste momento, estão documentados mais 25 casos de cristãos que enfrentam processos criminais por causa da lei da blasfémia. No total, desde a sua aprovação em 1986, já 224 cristãos foram vítimas desta lei.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 

OBSERVATÓRIO: Paquistão

 






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