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15-4-2019

NIGÉRIA: Cinco anos depois do sequestro em Chibok, continua desconhecido o paradeiro de mais de 100 jovens cristãs


Assinalou-se ontem, domingo, dia 14 de Abril, cinco anos em que mais de duas centenas de raparigas, na sua maioria jovens cristãs, foram sequestradas por militantes islamitas do Boko Haram de uma escola em Chibok, na Nigéria.

Desde então, apesar de muitas já terem sido libertadas, continua a desconhecer-se o paradeiro de 112 destas estudantes.

O primeiro grupo de jovens foi libertado em Outubro de 2016 e o segundo em 2017, em resultado de negociações entre o governo e o Boko Haram.

Em Maio de 2017, 82 jovens foram devolvidas às suas famílias a troco da libertação de cinco terroristas que se encontravam detidos pelas autoridades nigerianas. Algumas destas raparigas estão actualmente a estudar numa universidade americana usufruindo de uma bolsa paga pelo governo nigeriano.

Em declarações ao canal de televisão da Deutsche Welle, Reginald Braggs, director da Universidade Americana de Yola, refere que há um padrão comum à maior parte destas jovens após a experiência de cativeiro.

“Há coisas que persistem: sentimentos de depressão, de não se quererem levantar de manhã, sentindo-se mal…” Segundo este responsável, algumas destas dezenas de raparigas cristãs sofrem ainda as consequências do sequestro, especialmente as que ficaram com marcas físicas por causa do ataque à escola. Há raparigas “feridas com estilhaços de granada, com uma bala no fígado… ou com uma perna que sofreu o impacto de uma explosão…”

Graggs diz que estas alunas, traumatizadas pelo sequestro e cativeiro, precisam agora de “paz e sossego”.

Paz e sossego para esquecer a noite de 14 de Abril de 2014 quando um grupo de terroristas do Boko Haram invadiu a escola de Chibok, reuniu a maior parte das alunas, então com idades entre os 12 e os 18 anos, e incendiou o edifício.

As jovens, quase todas cristãs, foram então obrigadas a entrar para uns camiões e seguiram para um acampamento do grupo islamita situado na floresta de Sambisa.

Durante a viagem, algumas das raparigas conseguiram fugir. No mês seguinte, o líder do Boko Haram, Abubakar Shekay, apareceu num vídeo onde se viam dezenas de raparigas vestidas dos pés à cabeça com trajes muçulmanos. O líder dos terroristas ameaçou vender as jovens, afirmando que “a escravidão é permitida” na sua religião.

Relatos surgidos então na imprensa internacional davam conta de que algumas das jovens estudantes de Chibok teriam sido forçadas a casar ou teriam mesmo sido vendidas como escravas. A BBC chegou a escrever, citando testemunhas, que algumas das jovens poderão ter sido vendidas em mercado de escravos por cerca de 12 euros.

O sequestro de Chibok horrorizou o mundo e levou mesmo à criação de uma campanha global para a libertação das jovens. A Campanha “Bring Back Our Girls” – “Tragam de volta as nossas raparigas” – procurou sensibilizar a opinião pública para o drama destas estudantes e para a situação terrível que se vive na Nigéria, em especial no nordeste do país, onde o Boko Haram tem espalhado a violência e a morte para a edificação de um califado na região. Igrejas, paróquias, escolas, quartéis militares e mercados têm sido alvos preferenciais dos terroristas nesta estratégia de terror.

O ataque à escola de Chibok não foi, porém, acto isolado. Em Fevereiro do ano passado, um comando do Boko Haram atacou uma outra escola, desta vez em Dapchi, situada na diocese de Maiduguri, também no nordeste do país. A região de Maiduguri tem estado no epicentro da violência terrorista.

Segundo o padre Patrick Solomon Zaku, director Diocesano das Obras Missionárias
Pontifícias nesta diocese, “só nos últimos nove a dez anos o Boko Haram causou danos incalculáveis ​​à Igreja Católica”. Este sacerdote, que é também Coordenador Nacional do Trabalho pela Propagação da Fé na Nigéria, afirma, em declarações à Agência Fides, que “mais de cem igrejas, paróquias e missões foram queimados e destruídas” na diocese de Maiduguri, “bem como numerosas escolas, clínicas e hospitais, sem contar com os numerosos sacerdotes, catequistas e fiéis mortos” em consequência dos ataques do Boko Haram.

No ataque de Fevereiro do ano passado a uma escola em Dapchi foram sequestradas 110 alunas. Um mês depois, todas as raparigas foram devolvidas às suas famílias – algumas faleceram no cativeiro – com excepção de Leah Sharibu, que sendo a única cristã do grupo recusou converter-se ao islamismo como os terroristas exigiam pela sua libertação.

Desde então, não há sinais da possível libertação desta jovem cristã. Em Dezembro, quando vivia o primeiro Natal sem a companhia da filha, Rebeka Sharibu pedia as orações dos cristãos do mundo inteiro pela libertação de Leah. “Eu sei que em todo o mundo os crentes rezam e pedem pela libertação da minha filha, mas até agora eu ainda não vi a minha Leah. Suplico aos cristãos: não se cansem de rezar por ela até que a minha filha regresse a casa.”

A história desta jovem é extraordinária pela coragem demonstrada num ambiente tão hostil como será o de todos os reféns do Boko Haram, considerado um dos mais temíveis e sanguinários grupos terroristas da actualidade.

O pai de Leah Sharibu ficou profundamente comovido pelo exemplo da sua filha que recusou renunciar à fé em Jesus a troco da sua liberdade, e fala mesmo numa “admirável discípula de Cristo”.

Nathan Sharibu diz que “a confiança e a fé” manifestadas pela sua filha fizeram-no perceber que tem vivido “sob o mesmo tecto com uma admirável discípula de Cristo”, e por isso sente-se agora “altamente encorajado” pelo seu exemplo.

Afinal, diz Nathan, a sua filha demonstrou uma “forte fé no Senhor ao recusar renunciar a Cristo” mesmo que isso pudesse significar “a sua morte às mãos do Boko Haram”.

A notícia mais recente sobre Lerah Sharibu foi em Outubro do ano passado quando o grupo terrorista divulgou um vídeo onde ameaçava manter a jovem cristã como “escrava para a vida”.

Calcula-se que actualmente cerca de duas mil mulheres, meninas e rapazes estejam em cativeiro do Boko Haram. Destas, 112 foram raptadas da escola em Chibok fez ontem, domingo, dia 14, cinco anos.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Nigéria

 






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