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3-6-2019

MOÇAMBIQUE: Polícia acusa garimpeiros de ataques no norte do país precisamente quando se regista um dos mais graves ataques


O comandante geral da Polícia de Moçambique atribuiu, no final da semana passada, a garimpeiros ilegais de pedras preciosas a responsabilidade pelos ataques e mortes em aldeias no norte de Moçambique nos últimos meses.

Segundo Bernardino Rafael “algumas das pessoas que estão a promover a guerra nalguns distritos de Cabo Delgado” são garimpeiros que estarão a reagir às operações policiais contra a exploração ilegal de recursos naturais no norte do país e que, “com ódio”, explicou o responsável da Polícia, “viraram inimigos e começaram a combater-nos” e a provocar a desestabilização de toda a região.

Esta é a primeira vez que as autoridades apontam o dedo para os garimpeiros de pedras preciosas desde que, no início de 2017, começaram a surgir ataques contra populações na região costeira da província de Cabo Delgado, nomeadamente nas localidades de Palma e Macomia.

Esta denúncia ocorre quase em simultâneo com uma emboscada a uma viatura de mercadorias que transportava passageiros de Mucojo para Quiterajo, no distrito de Macomia, norte de Moçambique. Em resultado deste ataque, sexta-feira, dia 31 de Maio, 16 pessoas perderam a vida no que já é considerado como um dos mais graves e sangrentos actos de violência ocorridos nesta região.

Calcula-se que, até agora, cerca de duas centenas de pessoas tenham sido assassinadas e milhares foram forçados a fugir de suas casas por causa destes ataques quer muitos observadores consideram estar relacionados, provavelmente, com grupos extremistas islâmicos.

D. Diamantino Antunes, o novo bispo de Tete, tinha apontado já no passado mês de Março, num encontro promovido em Leiria pela Fundação AIS, para a existência de um “problema” no norte de Moçambique relacionado com o “fundamentalismo islâmico”.  

Nesse encontro, em que foi apresentado o Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, D. Diamantino explicou que os problemas com os extremistas islâmicos começaram a fazer-se sentir há cerca de 15 anos, quando “começaram a chegar pregadores islâmicos” oriundos de países como o “Paquistão, Egipto, e da vizinha Tanzânia”, e que traziam um “islão radicalizado”.

Segundo o prelado, estes pregadores querem “impor a lei islâmica, a sharia”, e esta é uma questão sensível que não deve ser escamoteada. “Há uma tenaz do radicalismo islâmico que está a apertar o continente africano”, diz D. Diamantino, acrescentando que essa tenaz já se faz sentir em países como o Mali, Nigéria, Burkina Faso, Costa do Marfim, ou, por exemplo, a República Centro-Africana. Esta corrente de radicalismo islâmico, afirma ainda D. Diamantino Antunes, “possivelmente já está infiltrada em Moçambique”.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 

OBSERVATÓRIO: Moçambique

 






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