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3-7-2019

RCA: Igreja aposta na formação dos jovens para combater a violência dos grupos armados


A Igreja Católica vai apostar na formação dos jovens para combater a criminalidade e a violência que têm assolado o país essencialmente desde 2013, com grupos armados, os Séléka, a espalharem o terror entre as populações civis, o que deu origem à criação de grupos de auto-defesa, conhecidos localmente como “anti-Balaka”.

A mais recente iniciativa da Igreja foi anunciada na semana passada pelo Cardeal Dieudonné Nzapalainga. O arcebispo de Bangui esteve presente, juntamente com o presidente da República Centro-Africana, em Kpalongo onde a Igreja pretende edificar o Centro Profissional São José que terá capacidade para a formação de centena e meia de jovens na área da carpintaria, mecânica e construção.

Este centro, chamado “Maison de l’Espoir”, ‘Casa da Esperança’, foi projectado para ser um complexo formado por 4 edifícios. Durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra desta estrutura, na passada quinta-feira, dia 27 de Junho, que ficará sob a responsabilidade dos padres franciscanos, o Cardeal Nzapalainga destacou a “qualificação e integração dos jovens na vida activa” como dois dos grandes desafios que se colocam ao país nos tempos próximos.

De facto, na República Centro-Africana calcula-se que há cerca de 1 milhão de pessoas analfabetas. Como denunciou o Arcebispo de Bangui, “23% dos cidadãos em idade de trabalhar não receberam educação”.

Este cenário favorece o recrutamento de jovens para os grupos armados que têm assolado o país numa onda imparável de violência que teve início em 2013. Ainda recentemente, a 21 de Maio, mais de meia centena de pessoas foram mortas na sequência do ataque de um grupo armado a algumas aldeias.

Elementos afectos a uma das milícias que operam na República Centro-Africana, conhecida como 3R – Regresso, Reclamação, Reconciliação – atacaram várias aldeias perto da cidade de Paoua, havendo registo de mortos em pelo menos quatro localidades. O massacre já foi considerado como o mais grave desde que o governo e 14 milícias assinaram um acordo em Fevereiro com o objectivo de restaurar a paz no país.

O ataque às aldeias na região de Bocaranga coincidiu com o assassinato de uma missionária espanhola na aldeia de Nola, pertencente à diocese de Berberati. A religiosa, Inês Nieves Sancho, de 77 anos, foi decapitada e as autoridades acreditam que o ataque possa estar relacionado com o tráfico de órgãos humanos.

A missionária espanhola pertencia à congregação das Filhas de Jesus de Massac e trabalhava na República Centro-Africana há quase três décadas. O Papa Francisco fez questão, horas depois de conhecido o assassinato de Inés Sancho, de “lembrar a memória” da religiosa, explicando que era “educadora de meninas pobres desde há dezenas de anos” e que foi “morta de forma bárbara na República Centro-Africana, precisamente no local onde ensinava costura a jovens meninas”. Era, acrescentou o Santo Padre, “uma mulher que deu a vida por Jesus ao serviço dos pobres”.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 






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