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8-7-2019

BURKINA FASO: Após assassinato de mais quatro fiéis, Bispo alerta para risco de “eliminação” da comunidade cristã


“Se isto continuar assim sem ninguém intervir, o resultado será a eliminação da presença cristã nesta região e, no futuro, talvez também em todo o país.” O alerta é do Bispo de Dori, D. Laurent Birfuoré Dabiré, em declarações exclusivas à Fundação AIS após o assassinato de quatro cristãos em Bani, uma localidade situada no norte do Burkina Faso.

Este ataque, ocorrido a 27 de Junho, mas só conhecido no final da semana passada, é bem revelador do clima de intimidação que está a ser exercido por grupos radicais muçulmanos contra a comunidade cristã.

Os habitantes da aldeia foram identificados segundo as suas crenças religiosas, com os terroristas à procura de sinais identificadores dos cristãos, como cruzes, medalhas ou outros símbolos. Em resultado deste ataque selectivo, quatro cristãos foram assassinados, dois dos quais eram irmãos. Ambos traziam um crucifixo ao pescoço.

Segundo D. Laurent Dabiré, após o ataque os extremistas ameaçaram os outros habitantes de que, “se não se convertessem ao islamismo”, também seriam mortos.

Este foi o quinto ataque contra a comunidade cristã desde o começo do ano no nordeste do Burkina Faso. Desde então, 20 cristãos foram assassinados. Dori, Kaya e Ouahigouya são as dioceses mais atingidas pela violência.

O Bispo de Dori revela que se está a registar uma maior violência desde essencialmente o ano de 2015. “Anteriormente – afirma o prelado –, os terroristas só actuavam na região fronteiriça com o Mali e o Níger, mas, a pouco e pouco, foram penetrando para o interior”, com ataques a forças do exército e as populações civis. “Hoje, os cristãos são o alvo principal, e eu acho que eles querem provocar um conflito inter-religioso”, acrescenta o prelado.

Os autores dos ataques são, explica D. Laurent Birfuoré Dabiré, cada vez mais, “jovens que se juntaram aos jihadistas por falta de dinheiro, trabalho e perspectivas” de futuro, mas também há pessoas que, simplesmente, se radicalizaram porque consideram que estes grupos terroristas são “expressão da fé islâmica”.

Perante o avolumar dos incidentes, há um crescente sentimento de insegurança entre a população cristã. Nas declarações à Fundação AIS, D. Laurent recorda o caso do padre Joël Yougbaré, da sua diocese, sequestrado em 17 de Março e sobre o qual nunca mais houve qualquer notícia.

“Até hoje não ouvimos nada sobre ele”, acrescentando que “o nível de insegurança está a aumentar constantemente”, a ponto de ser necessário “reduzir a actividade pastoral”. Exemplo disso, D. Laurent confessou à AIS ter sido forçado a encerrar as actividades de duas paróquias para proteger crentes, sacerdotes e religiosos.

O Bispo de Dori lançou, através da Fundação AIS, um apelo à comunidade internacional para agir em favor dos cristãos do Burkina Faso, deixando uma interrogação sobre a origem deste movimento terrorista e de quem o suporta. “As armas que eles usam não são fabricadas em África. Eles têm espingardas, metralhadoras e muitas munições, mais do que o próprio exército de Burkina Faso. Quem fornece esses recursos? Se eles não recebessem apoio do exterior”, afirma o prelado, “seriam forçados a parar. “É por isso que estou a dirigir-me às autoridades internacionais. Quem tiver esse poder, que acabe com esta violência.”

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Burkina Faso

 






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