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16-7-2019

PAQUISTÃO: Criança assassinada por dívida de cerca de 2 euros está a chocar a comunidade cristã


Uma criança cristã, de 11 anos de idade, que trabalhava num aterro de lixo em Faisalabad, no Paquistão, foi assassinada na passada quinta-feira pelo seu patrão, um muçulmano, por causa de uma dívida de 180 rupias, ou seja, cerca de 2 euros.

A criança, identificada como Badal Masih, terá sido espancada até à morte quando procurava saldar a dívida que tinha contraído junto do patrão. Segundo relatou posteriormente a mãe de Masih, a criança terá afirmado que se recusava também a continuar a trabalhar no lixo, o que terá enfurecido o patrão dando origem às agressões.

A família de Badal Masih é muito pobre e, por essa razão, a criança decidiu trabalhar para ajudar de alguma forma a economia doméstica. O trabalho no aterro de lixo era pago de forma absolutamente miserável. Segundo a agência de notícias AsiaNews, Badel Masih receberia o equivalente a 50 rupias por dia, o que equivale a cerca de 60 cêntimos.

Dias antes de ter sido assassinada, a criança pediu um empréstimo de 180 rupias ao patrão, pouco mais de 2 euros, para despesas urgentes em casa. Na quinta-feira, dia 11 de Julho, o patrão, identificado como Ifran, exigiu o pagamento da dívida. Badal Masih regressou a casa, pediu o dinheiro à mãe e regressou à lixeira para saldar a dívida afirmando também que iria deixar de trabalhar para Ifran.

Segundo a AsiaNews, enfurecido, Ifran e um seu irmão, Akram, agrediram então a criança “com ferocidade, atingindo-a na cabeça com barras de ferro”. Os gritos da criança alertaram os vizinhos que chamaram a polícia. A mãe de Badal Masih apresentou queixa contra os dois homens tendo afirmado que o filho teria sido também violentado. A autópsia, porém, escreve a AsiaNews, não confirma ter havido violência sexual.

Este caso que está a indignar a comunidade cristã mereceu de imediato a condenação de Joel Amir, um dirigente político paquistanês que pertence ao governo regional do Punjab e que recentemente esteve em Lisboa, na sede da Fundação AIS a denunciar precisamente a situação de insegurança e de secundarização a que as minorias religiosas estão sujeitas no Paquistão.

Sobre este caso, Joel Amir condenou “o acto desumano de extrema tortura e de presumível violação” da criança, sublinhando que “esta é a mentalidade doentia” da sociedade paquistanesa, que classifica de “cruel” pois “não considera os membros das minorias religiosas como seres humanos”.

Acrescentando que “os pedófilos estão a arruinar a imagem do Paquistão no mundo”, Joel Amir pediu ao governo para tomar “medidas severas” contra os culpados, “levando-os à Justiça”, pois eles devem “ser punidos de acordo com a lei”.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Paquistão

 






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