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18-7-2019

MOÇAMBIQUE: Detidos, na República Democrática do Congo, supostos autores dos ataques em Cabo Delgado


As autoridades da República Democrática do Congo prenderam 12 moçambicanos por alegadamente pertencerem a grupos armados responsáveis por violentos ataques contra algumas aldeias na região de cabo Delgado no norte do país, desde 2017.

A notícia da detenção foi divulgada aos microfones da Rádio Moçambique pelo comandante-geral da Polícia, Bernardino Rafael.

Segundo este responsável, os moçambicanos agora detidos terão sido recrutados na província de Nampula, no norte do país,com a promessa de que iriam continuar os seus estudos no país vizinho.

A detenção destes 12 jovens vem no seguimento de informações que apontam para uma forte ligação entre os autores dos ataques em Cabo Delgado com grupos armados de inspiração jihadista que operam precisamente na República Democrática do Congo.

Ainda recentemente, em Junho, o Daesh, o auto-proclamado Estado Islâmico, reivindicou pela primeira vez uma acção armada contra uma coluna do exército na região de Mocímboa.

Nesse ataque, dia 3 de Junho, os jihadistas afirmaram ter conseguido repelido os “cruzados” do exército na localidade de Metubi, no norte de Moçambique, tendo “matado e ferido” vários elementos.

“Os mujahideen capturaram armas, munições e rockets”, segundo o comunicado divulgado pelo Daesh. No mesmo dia, os jihadistas também reivindicaram a responsabilidade por um outro ataque na vizinha República Democrática do Congo.  

O líder do Daesh, Abu Bakr al-Baghdadi, afirmou num vídeo divulgado no início do mês de Maio que o grupo terrorista estava a receber novos juramentos de lealdade em alguns países de África, nomeadamente o Mali e o Burkina Faso, aludindo à intenção da criação de um califado neste continente fazendo referência à “província da África Central”.

Calcula-se que, até agora, cerca de duas centenas de pessoas tenham sido assassinadas e milhares foram forçados a fugir de suas casas por causa de ataques quer muitos observadores consideram estar relacionados, provavelmente, com grupos extremistas islâmicos.

D. Diamantino Antunes, o novo bispo de Tete, tinha apontado já no passado mês de Março, num encontro promovido em Leiria pela Fundação AIS, para a existência de um “problema” no norte de Moçambique relacionado com o “fundamentalismo islâmico”.  

Nesse encontro, em que foi apresentado o Relatório da AIS sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, D. Diamantino explicou que os problemas com os extremistas islâmicos começaram a fazer-se sentir há cerca de 15 anos quando “chegaram pregadores islâmicos” oriundos de países como o “Paquistão, Egipto, e da vizinha Tanzânia”, e que traziam um “islão radicalizado”.

Segundo o prelado, estes pregadores querem “impor a lei islâmica, a sharia”, e esta é uma questão sensível que não deve ser escamoteada. “Há uma tenaz do radicalismo islâmico que está a apertar o continente africano”, diz D. Diamantino, acrescentando que essa tenaz já se faz sentir em países como o Mali, Nigéria, Burkina Faso, Costa do Marfim, ou, por exemplo, a República Centro-Africana. Esta corrente de radicalismo islâmico, afirma ainda o prelado, “possivelmente já está infiltrada em Moçambique”.


PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Moçambique

 






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