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25-7-2019

NIGÉRIA: Agrava-se o clima de violência contra os cristãos por causa dos ataques dos pastores Fulani


O assassinato de mais um cristão no nordeste da Nigéria, horas depois de o Arcebispo de Abuja ter enviado uma mensagem para a Fundação AIS em que relatava a situação desesperada em que se encontra a população vítima da violência dos pastores fulani e do grupo terrorista Boko Haram, veio relançar a questão da segurança de toda a comunidade nesta zona da Nigéria.

A mais recente vítima conhecida da violência crescente dos pastores muçulmanos nómadas é Solomon Yuhwam, um conhecido agricultor católico do estado deTaraba, no Noroeste da Nigéria.

Solomon foi assassinado em casa no sábado, 13 de Julho. A notícia, divulgada nas últimas horas à Fundação AIS, deixou a comunidade cristã local consternada dado o enorme apreço que todos tinham pelo trabalho que vinha desenvolvendo de promoção das populações e de denúncia também deste clima de violência.

Ainda recentemente, em Abril, Solomon Yuhwan participou em Malta numa conferência organizada pelo secretariado local da Ajuda à Igreja que Sofre, intitulada Noite de Testemunhas, em que falou precisamente sobre a ameaça crescente que os pastores Fulani representam para as populações cristãs na Nigéria, especialmente no norte e nordeste do país.

Na ocasião, Solomon testemunhou que já tinha sobrevivido por diversas vezes aos inúmeros ataques protagonizados pelos pastores muçulmanos.

Algumas horas antes de ser assassinado, o Arcebispo de Abuja, D. Ignatius Kaigama, enviava para a Fundação AIS uma mensagem em que denunciava o agravamento da violência na Nigéria contra as populações civis, sem que houvesse uma reacção atempada por parte das autoridades, o que tem provocado sentimentos de insegurança nas pessoas.

Segundo este responsável da Igreja Católica, a comunidade cristã está sob uma onda de ataque que teve início em 6 de Maio e que se tem prolongado até aos dias de hoje.

Só no estado de Taraba, segundo o Administrador Apostólico de Jos e Arcebispo de Abuja, 18 aldeias foram atacadas e incendiadas, 65 pessoas foram mortas e cerca de 9 mil pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas. Em consequência desta onda de violência, 15 Igrejas, duas escolas primárias e uma unidade de saúde foram também destruídas.

Já em Junho, a Fundação AIS denunciava, em Lisboa, a situação de “ataque selectivo” contra as comunidades católicas pelos pastores Fulani. Na ocasião, a AIS citou o Padre Policarpo Lamma, da Diocese de Jalingo, situada também no nordeste da Nigéria, e que também participou na iniciativa da Fundação AIS em Malta.

Nesse encontro, o Padre Policarpo referiu inúmeros exemplos de ataques levados a cabo por estes pastores nómadas contra aldeias cristãs provocando um número incontável de vítimas.

“Desde 2014 até hoje, quase mil pessoas” foram mortas pelos Fulani, afirmou o Padre Policarpo Lamma neste encontro da Fundação AIS que decorreu em Abril em Malta. “Vi muitos cadáveres e feridos que foram atacados à machadada pelos Fulani. Houve enterros em massa.”

Desde sua ordenação em 2007, o Padre Policarpo tem vindo a trabalhar em áreas atingidas pela violência contra a comunidade cristã, procurando acompanhar os fiéis que vivem em aldeias rurais na região nordeste da Nigéria.

Há precisamente um ano, no dia 5 de Junho de 2018, a própria casa paroquial do Padre Policarpo foi atacada por pastores Fulani, tendo sido incendiada e destruída, assim como praticamente toda a sua aldeia. “Foi no dia do meu aniversário que os Fulani vieram e nos atacaram…” O Padre Policarpo Lamma escondeu-se debaixo de um monte de lixo durante a noite e conseguiu escapar ao ataque.

“Eles invadem as nossas terras e matam o nosso povo. Se forem agora a qualquer local, como a minha diocese, a minha própria paróquia, não verão qualquer igreja nas aldeias. Os edifícios foram todos destruídos por eles…”

Para o Padre Policarpo, por trás da violência dos pastores muçulmanos Fulani está um propósito evidente de se atingir especificamente a comunidade cristã na Nigéria. “Quando eles vêm, costumam usar as palavras ‘Allahu Akbar’, ‘Deus é grande’. Então, se é para lutar contra um determinado grupo, porquê usar estas palavras? Isto implica que eles lutam contra os Cristãos. Portanto, eles destroem as casas dos Cristãos e as igrejas.”

A prova de que se está perante uma violência organizada contra uma comunidade religiosa é, para o Padre Policarpo Lamma, o facto de se poderem “ver as mesquitas por todo lado, intactas”. Ao contrário das igrejas e capelas que são alvo de atentados e de ataques. “Isto demonstra ser especificamente um ataque selectivo contra os Cristãos”, acrescenta o sacerdote que aproveitou este encontro no coração da Europa para deixar um apelo “à comunidade internacional para olhar para o nosso problema”.

Um apelo que se estende também à generosidade dos cristãos para com as instituições que no terreno têm vindo a providenciar ajuda concreta às comunidades cristãs vítimas de perseguição, como é o caso da Nigéria. “Peço às pessoas para que também ajudem a Fundação AIS, a fim de que o seu apoio possa chegar àqueles que realmente precisam, como nós, sobretudo na Nigéria”.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Nigéria

 






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Nome:
AFASJO-Lar Escola Santa Verônica
Comentário:
Permanecemos unidas em oração pelos nossos Irmãos perseguidos na Nigéria.
 
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22-08-2019

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