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7-8-2019

UCRÂNIA: O Papa não se esqueceu do “irmão que sofre”


O Papa Francisco convidou os metropolitanos e altos dignitários da Igreja Ucraniana Greco-Católica para um encontro no Vaticano de 5 a 6 de Julho. O objectivo era reflectir sobre “a situação complexa e delicada em que a Ucrânia se encontra.” Este encontro foi único no sentido de ter sido o primeiro a ocorrer neste contexto e demonstra a preocupação do Papa em relação a este país do Leste Europeu. Cerca de 4,5 milhões de ucranianos pertencem à Igreja Greco-Católica, muitos dos quais residem noutros países.

Tobias Lehner, da Fundação AIS/ACN Alemanha, falou com o Bispo Auxiliar Greco-Católico, Bohdan Dzyurakh, de Kiev, acerca dos sinais encorajadores que surgiram durante o encontro com o Papa, das agressões que continuam no país e das novas abordagens ao ministério pastoral.

AIS/ACN: O convite para a reunião foi uma surpresa? O que significa para si o facto de o Papa ter feito da Ucrânia uma “prioridade máxima”?

Bispo Auxiliar Bohdan Dzyurakh: O convite do Papa Francisco reflecte a sua postura de priorizar as pessoas que sofrem. No seu discurso no início do encontro, o Santo Padre pediu-nos para termos um coração aberto e a permanecermos próximos de todos os que são oprimidos e que actualmente vivem “uma noite de tristeza”. O Papa vive aquilo que prega. Há anos que na Ucrânia sentimos a proximidade e o apoio do Papa. Contudo, este tipo de encontro foi algo de muito novo na relação entre a Igreja Ucraniana Greco-Católica e a Santa Sé. Então, neste sentido, sim, foi uma surpresa.

O que é que foi debatido no encontro? Há resultados concretos?

No início descrevemos a situação política e económica da Ucrânia, sobretudo devido à guerra que continua na parte oriental do país, e a crise humanitária dela resultante. Expressamos a nossa gratidão pela iniciativa “O Papa pela Ucrânia” [nota do editor: uma colecta especial feita em todas as Igrejas da Europa, tal como o Papa Francisco tinha pedido em Abril de 2016 e que resultou em donativos num total de quase 16 milhões de Euros]. Também falámos de novas iniciativas para quem sofre.

Dedicámos bastante tempo e atenção às questões pastorais. Além da evangelização e da catequese, um dos tópicos foi o ministério pastoral para emigrantes ucranianos em vários países. Também discutimos o papel da Igreja Ucraniana Greco-Católica no diálogo ecuménico. Foi muito importante e valioso discutir o nosso ponto de vista directamente com o Papa e os seus colaboradores mais próximos, e partilhar as nossas alegrias, esperanças e preocupações com eles.

A guerra continua feroz no leste da Ucrânia há cinco anos, a Crimeia foi anexada pela Rússia e a criação de uma Igreja Ortodoxa na Ucrânia levou a conflitos graves com a Igreja Ortodoxa Russa: o que é que a Igreja Greco-Católica pode fazer para reunir este país fragmentado?

Apesar de todas as dificuldades que o nosso povo e as Igrejas na Ucrânia vivem actualmente, queremos continuar a ser mensageiros da esperança, da verdade e do amor. O Papa pediu-nos que o fizéssemos. Surgiu muita tensão com a guerra, que não é desencadeada somente com armas militares. Para ultrapassar estas dificuldades, o nosso país precisa de consolidação, força interior e o poder espiritual do discernimento. É isso que pretendemos fortalecer. As nossas orações e a nossa vigilância são elementos chave do nosso serviço para com o povo Ucraniano.

No que respeita a política doméstica, a Ucrânia está aberta a tudo. O novo presidente, Volodymyr Selenskyi, recentemente causou um alvoroço ao retirar as tropas do Leste da Ucrânia. Como é que reagiu o povo Ucraniano a este passo? A esperança da paz está a crescer?

É evidente a todos os observadores, tanto os que estão na Ucrânia como os que se encontram noutros países, que a chave para a paz na Ucrânia não está em Kiev, mas em Moscovo. Passos individuais podem trazer alívio a curto-prazo. Porém, seria ingénuo esperar que eles resolvessem o conflito ou que trouxessem uma paz duradoura. Isto irá exigir bastante mais solidariedade e unidade no seio da comunidade internacional.

A Cortina de Ferro caiu há 30 anos, o que também pôs fim à ditadura comunista na Ucrânia. Durante este período, a Igreja Greco-Católica enfrentou uma perseguição sangrenta. A vida da Igreja floresceu em muitos lugares desde a reviravolta política. Ao pensar nos próximos 30 anos, quais são os maiores desafios que a Igreja Greco-Católica tem pela frente e o que é que a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) pode fazer para ajudar?

As nossas tarefas mais importantes irão girar à volta das preocupações com fortalecer a fé, proclamar a fé entre aqueles que ainda não encontraram Cristo, e também a pastoral vocacional e da juventude. Além disso, será necessário lidar com as consequências trágicas da guerra e da violência, as quais, esperemos, um dia chegarão ao fim com a ajuda de Deus.

Mesmo quando enfrentámos provações no passado, jamais nos sentimos abandonados. A AIS continua a ser um dos nossos parceiros mais importantes e tem permanecido ao nosso lado constantemente, com amor, apoiando-nos através da oração e do auxílio financeiro. Enquanto fundação pontifícia, temos a certeza que a AIS continuará a ser inspirada pelas palavras do Papa, que nos disse durante o encontro de dia 5 de Julho: “O ‘irmão que sofre’ não deve ser esquecido.”

Fundação AIS | ACN Portugal | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Ucrânia

 






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