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8-8-2019

SÍRIA: Uma mãe, cujo filho morreu na guerra, encontra força na sua fé


Yolla Ghandour, católica sírio-arménia e mãe de três filhos, reside em Alepo. Ela assistiu a alguns dos piores combates da guerra civil síria e falou com a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) sobre a morte do seu filho de 19 anos, Krikor, que morreu nos combates.

“Éramos cinco: o meu marido, dois filhos e uma filha, e eu. As nossas circunstâncias financeiras pioraram como resultado da guerra. O meu marido e Krikor perderam o emprego porque a área em que trabalhavam era perigosa; era bombardeada pelos militantes. Para prover às necessidades, dependíamos das nossas economias. Foi um tempo difícil.

“Uma semana antes de morrer [16 de Abril, 2014], Krikor regressou a casa para nos visitar porque um tio tinha morrido. Enquanto se preparava para partir novamente, virou-se para o pai e disse, ‘Vou regressar para a morte.’

“No dia em que ele morreu, falámos ao telefone e, depois de terminar o telefonema, tive um forte pressentimento, como uma premonição. Rezei à Virgem Maria: ‘Por favor não me ponhas à prova. Tu provaste deste cálice; por favor, não permitas que eu viva a mesma dor.’

“Nessa noite recebi outra chamada. Disseram-me que Krikor estava ferido e que tinha sido levado para o hospital. Apressei-me para estar ao seu lado, rezando a São Charbel: ‘Dei-te o meu filho. Não quero encontrá-lo morto.’ Mas, no meu íntimo, tinha quase a certeza que ele tinha morrido.

“Depois da sua morte, zanguei-me com São Charbel: ‘Já não te amo. Implorei-te para manteres vivo o meu filho, mas tu não o fizeste.’ Depois, cerca de 10 minutos mais tarde, olhei para o rosto do santo num quadro nosso e disse-lhe: ‘Não consigo deixar de te amar. Mas promete-me que estarás com o meu filho.’

“Como cristãos, acreditamos na ressurreição, e após alguns meses de reflexão sobre a vida no reino de Deus, aprendi que os mortos nos vêem, ouvem e sentem. E descobri que, acima de tudo, podia estar orgulhosa do meu filho.

“Quando enfrentamos as tempestades da vida, temos de permanecer de pé como uma árvore forte, com as raízes profundamente fixadas na terra. As nossas raízes têm de estar plantadas em Deus; temos de suportar as mudanças e a dor com confiança no Seu amor.”

Desde 2011, quando começou a guerra civil síria, até 2018, a AIS apoiou a missão pastoral e humanitária de várias Igrejas na Síria com projectos num total de mais de 33milhões de euros.

Fundação AIS | ACN Portugal | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Síria

 






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