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3-9-2019

NIGÉRIA: A Igreja tem sido vítima de “perseguição implacável” pelo Boko Haram, denuncia Bispo de Maiduguri


Assinalam-se em 2019 dez anos desde o início dos ataques do grupo terrorista Boko Haram na Nigéria, em especial na região nordeste do país.

O balanço desta década de terror é terrível. Milhares de mortos, devastação de aldeias, obrigando à fuga das populações, destruição de igrejas e centros paroquiais, assim como de escolas, esquadras ou mercados, e sequestro de centenas de pessoas, especialmente de mulheres e jovens raparigas para serem forçadas à conversão ao Islão.

As dioceses de Maiduguri, Yola e Taraba estão no epicentro da zona de actuação deste grupo terrorista que pretende a instauração de um ‘califado’ na região.

Para D. Oliver Dashe Doeme, Bispo de Maiduguri, a sua diocese “sofreu uma perseguição implacável” pelo Boko Haram. Em entrevista à Fundação AIS, o prelado afirma que, ao longo destes anos, Maiduguri foi palco de “uma destruição colossal de vidas e propriedades” e a comunidade cristã esteve no centro dos ataques. “Boko Haram significa que a educação ocidental é pecado”, explica o prelado. “Dado que o cristianismo mantém uma ligação com a educação ocidental, deve ser eliminado”, conclui D. Oliver.

Apesar de a violência continuar a ser uma realidade temível para o dia-a-dia das populações nesta região da Nigéria, na opinião do Bispo de Maiduguri, “neste momento, as coisas melhoraram bastante”. Uma melhoria que tem permitido, por exemplo, que “muitos dos nossos deslocados” tenham já regressado a suas casas. Outro sinal positivo é o facto de “muitas das estruturas destruídas” terem sido já “reedificadas”, tal como constata que “a fé das pessoas está a fortalecer-se”. “Apesar de tudo – acrescenta D. Oliver Doeme – damos graças e louvamos a Deus pela sua misericórdia e bondade para connosco”.

Sinal da reedificação de Igrejas destruídas pelos terroristas, a catedral diocesana de São Patrício reabriu as suas portas ao culto no passado dia 10 de Julho. Foram cerca de sete anos de interregno desde que duas bombas danificaram não só a catedral como a residência dos sacerdotes e os escritórios diocesanos. “A consagração da catedral recém-reconstruída da diocese de Maiduguri é um sinal claro de que Deus permitiu a vitória do seu povo e marca o início da recuperação da crise”, diz o Bispo, lembrando que, “em 2014, mais da metade das áreas que pertencem à nossa diocese estavam sob o controle da Boko Haram”. “Naquela época, nunca imaginaríamos que agora teríamos uma nova catedral na cidade de Maiduguri.”

Os ataques bombistas contra a catedral e a residência dos padres são apenas um exemplo de uma década de violência que se abateu sobre os cristãos na região nordeste da Nigéria. Uma década de violência com a assinatura de um dos mais temíveis grupos terroristas da actualidade. A lista é longa. D. Oliver recorda apenas algumas das situações mais graves que a comunidade cristã teve de enfrentar ao longo dos últimos anos. “O nosso seminário menor em Shuwa foi transformado pelos terroristas num acampamento onde reuniram os seus recrutas e guardaram os despojos das pilhagens. Quando abandonaram o seminário, atearam fogo à maior parte do complexo. Graças a Deus, algumas fases de reconstrução já foram concluídas, graças também ao apoio da Fundação AIS. Também o nosso centro de formação, localizado em Kaya, foi destruído em 2014 e saqueado pelos terroristas, tal como dois conventos, dois hospitais, 15 escolas missionárias, mais de dez casas paroquiais e mais de 250 igrejas ou capelas.”

O ano de 2014 foi, até agora, o mais violento de todos. “Nesse ano – recorda o Bispo de Maiduguri –, membros da seita apoderaram-se de vastas áreas da nossa diocese. Em resultado disso, mais de 25 padres foram deslocados, mais de 45 freiras tiveram que abandonar os seus conventos, mais de 200 catequistas foram expulsos dos seus locais de trabalho e mais de 100 mil católicos tiveram que fugir das suas casas.” Desde então, a situação melhorou consideravelmente ao nível da segurança e isso reflectiu-se também no regresso dos sacerdotes. “Das 44 paróquias e áreas pastorais que temos na diocese, apenas três paróquias ainda não estão a funcionar porque registam ainda episódios de violência”, esclarece o prelado. “Algumas irmãs voltaram também aos seus conventos, mas outras não regressaram ainda pois os edifícios ainda não foram reconstruídos. Mais de 90 por cento dos nossos leigos regressaram às suas comunidades. Graças a Deus…”

Muito do trabalho de reconstrução das igrejas e estruturas eclesiais na Nigéria tem sido suportado graças ao empenho da Fundação AIS, que está também profundamente comprometida com o apoio directo à subsistência do clero nesta região tão assolada pela violência extremista. O Bispo de Maiduguri afirma mesmo que o apoio da Ajuda à Igreja que Sofre tem sido vital para a sobrevivência da Igreja nesta região de África. “A Fundação AIS tem sido a espinha dorsal da Igreja na nossa diocese. Sem o apoio da AIS, a Igreja teria entrado em colapso há muito tempo.” Por tudo isso, D. Oliver Doeme fez questão de deixar uma palavra de agradecimento aos benfeitores e amigos da AIS que têm assegurado, com a sua generosidade, esta corrente solidária para com uma comunidade vítima de terrorismo. “Estamos muito gratos à Fundação AIS e aos seus numerosos benfeitores pelo enorme apoio que têm dado à Igreja que sofre na nossa diocese, e a Igreja que sofre tem estado a rezar por todos vós…”

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Nigéria

 






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