background image

Detalhe

5-9-2019

CANADÁ: Asia Bibi alerta para a existência, no Paquistão, de “muitos condenados por blasfémia” que precisam de justiça


Nas primeiras declarações desde que está a viver no Canadá, após ter saído do Paquistão há cerca de quatro meses, a cristã Asia Bibi agradece os esforços da comunidade internacional na sua libertação mas deixa um alerta para o facto de existirem, no seu país, muitas outras pessoas que precisam também de ajuda por causa da Lei da Blasfémia.

O jornal britânico The Telegraph conseguiu chegar à fala com esta mulher, mãe de cinco filhos, que está a viver num local secreto por questões de segurança. Respondendo com mensagens às perguntas dos jornalistas, Asia Bibi revelou-se “tremendamente agradecida” pelos esforços da comunidade internacional na sua libertação, mas deixou um alerta sobre a situação em que se encontram muitas outras pessoas sobre as quais houve também acusações de blasfémia.

“Existem muitos outros casos em que os acusados ​​estão presos há anos”, denuncia Asia Bibi, pedindo “ao mundo inteiro” para prestar “atenção a esta questão”. E acusa as autoridades de não prestarem todas as condições necessárias para a defesa das pessoas vítimas desta lei. “A maneira como qualquer pessoa é acusada de blasfémia sem qualquer investigação adequada, sem qualquer prova adequada, deve ser avaliada. Esta lei de blasfémia deve ser revista e deve haver mecanismos de investigação adequados ao aplicar esta lei. Não devemos considerar ninguém pecador por esse acto sem nenhuma prova.”

Nas declarações ao jornal britânico, a cristã paquistanesa confessou que os anos em que esteve na prisão, no corredor da morte, a deixaram angustiada. “Isso teve um enorme impacto na minha vida”, diz, acrescentando que houve momentos em que se sentiu “decepcionada”, perdendo mesmo “a coragem” perante a não resolução do seu caso. Houve momentos em que chegou a pensar “se ficaria a vida toda” na prisão…

“Quando as minhas filhas me visitaram na cadeia nunca chorei à frente delas”, recorda, admitindo que, depois, caía em lágrimas.  “Chorava sozinha, cheia de dor e tristeza. Pensava na minha família o tempo todo.” O jornal The Telegraph afirma que Asia Bibi continua a desejar viver num país europeu, não se adiantando mais pormenores por ser também matéria muito sensível a nível de segurança.

Após ter passado oito anos na cadeia, Asia Bibi viu a sua condenação à morte, recorde-se, ser anulada em Outubro do ano passado por uma decisão do Supremo Tribunal do Paquistão. Essa decisão provocou, no entanto, uma reacção enorme por parte de grupos radicais mobilizados pelo partido radical Tehreek-e-Labbaik Pakistan e que se mostraram sempre contrários à sua libertação.

Em consequência dos protestos, que chegaram a paralisar algumas das principais cidades paquistanesas, o primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, aceitou uma exigência dos manifestantes obrigando o Supremo Tribunal a rever a decisão tomada em Outubro, o que aconteceu a 29 de Janeiro deste ano. Asia Bibi foi levada então, juntamente com o marido, Ashiq, para um lugar seguro até que estivessem reunidas as condições mínimas de segurança para poder abandonar o país, o que se verificou em Maio com a sua partida para o Canadá.

Nesta breve entrevista ao jornal britânico, Asia Bibi reconheceu que foi “com o coração partido” que teve de deixar o seu país, que continua a amar. “O Paquistão é minha terra natal, eu amo o meu país, amo a minha terra…”

Para a Fundação AIS a história de Asia Bibi é muito importante pois tem também um valor simbólico extremamente relevante para a comunidade cristã no Paquistão.

Como sublinhou Catarina Martins de Bettencourt, directora do secretariado português da Ajuda à Igreja que Sofre, em Maio passado, quando Asia Bibi chegou ao Canadá, livre de ameaças, “todo o nosso esforço, todo o nosso trabalho não foi em vão” e este caso “enche-nos seguramente de mais energia, de mais vontade para continuarmos com esta missão de defesa dos Cristãos perseguidos no mundo”.  A directora da Fundação AIS em Portugal enfatizou a importância deste caso mas recordou que “há muitas ‘asia bibis’ no mundo”…

Ainda recentemente, o padre James Channon, director do Centro da Paz em Lahore, que promove relações entre religiões, disse à Fundação AIS no Reino Unido que “há quase 200 casos de cristãos no Paquistão acusados ​​de blasfémia”, o que significa que todos eles podem vir a ser condenados a pena de morte ou prisão perpétua.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Canadá

 






*Sem Comentários
deixar comentario
Mês:
 

RedWednesday


27-11-2019

catalogo