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6-9-2019

CAMARÕES: Crise separatista está a fazer crescer clima de tensão com ataques frequentes à Igreja


Após o sequestro a 15 de Agosto de dois sacerdotes em Kumbo, na região noroeste dos Camarões (entretanto já libertados), elementos ligados ao movimento independentista sequestraram o próprio Bispo durante algumas horas, num episódio que veio aumentar o clima de insegurança que se vive na região e que está a afectar também directamente a comunidade cristã.

O sequestro de D. George Nkuo, da diocese de Kumbo, ocorreu no sábado, dia 24 de Agosto tendo sido libertado por elementos separatistas horas mais tarde. Segundo informação veiculada pela imprensa local, os “separatistas reivindicaram a responsabilidade pelo sequestro”, para que o bispo rezasse junto deles e “os abençoasse”. As autoridades assinalaram a libertação do prelado, dizendo que D. George tinha regressado “à paróquia de boa saúde”.

Apesar das circunstâncias muito singulares deste sequestro, ele não deixa de ser revelador da situação de profunda instabilidade que se vive na região noroeste e sudoeste dos Camarões, onde predomina a língua inglesa e onde tem crescido um movimento independentista face ao poder central dominado pela região francófona, que se estende por cerca de 85% do país.

A luta pela independência desta região – e para a criação de um Estado chamado Ambazonia – ganhou uma dimensão maior em 2016 com os primeiros episódios de conflito armado.

Calcula-se que milhares de pessoas tenham sido deslocadas internamente em consequência dos actos de violência que entretanto passaram praticamente a dominar o quotidiano, sendo que, de acordo com as Nações Unidas, centenas de pessoas perderam a vida neste conflito. Alguns observadores afirmam que já morreram mais de 2 mil pessoas nesta guerra não declarada.

O sequestro do Bispo de Kumbo, e anteriormente dos dois sacerdotes, veio revelar que há uma clara escalada neste conflito, em que ninguém está verdadeiramente seguro nem sequer os elementos da Igreja Católica.

Aliás, logo após o sequestro dos padres Franklin Banadzem Dindzee e Patrick Atang, o próprio Bispo de Kumbo fez erguer a sua voz para denunciar o clima de violência que está instalado no país.

“Vimos pessoas inocentes brutalmente assassinadas”, disse D. George Nkuo, acrescentando: “muitas pessoas perderam as próprias casas e propriedades. Violência e crueldade tornaram-se tão comuns, que agora é considerado normal matar, torturar, extorquir e exigir resgates. Continuamos a ouvir histórias horríveis de pessoas sequestradas ou presas, torturadas, às quais é exigido o pagamento de enormes somas para serem libertadas”.

De facto, a Igreja Católica tem procurado manter uma equidistância face aos dois lados em disputa mas tem erguido a sua voz também em defesa de maior justiça para os habitantes das regiões onde predomina a língua inglesa, denunciando, em simultâneo, os atropelos e violações dos direitos humanos levados a cabo pelas forças de segurança.

O conflito não dá mostras de poder abrandar até porque no passado dia 30 de Agosto um tribunal militar camaronês condenou o líder do movimento separatista anglófono a prisão perpétua.

O tribunal considerou que Julius Sisiku Tabe e nove outras pessoas são culpados de actos de terrorismo, secessão e hostilidade contra o Estado. Os réus foram condenados a prisão perpétua e a pagar ainda vários milhões de euros em indemnizações. Em resposta a esta sentença, a defesa veio dizer que tudo não passou de uma encenação e que os arguidos não reconhecem sequer a legitimidade do tribunal.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt 

 

OBSERVATÓRIO: Camarões

 






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