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10-9-2019

ERITREIA: Autoridades ocupam oito escolas cristãs, dias após terem encerrado mais de 20 centros de saúde


Oito escolas secundárias, tuteladas sobretudo pela Igreja Católica, foram apreendidas e ocupadas na semana passada por forças de segurança da Eritreia. As autoridades invocam alterações à lei em 1995, que limita as intervenções e as actividades das organizações religiosas, para justificar esta intervenção.

Segundo a BBC, os estudantes que frequentam estas escolas agora encerradas pertencem, na sua maioria,  a grupos “economicamente desfavorecidos” e a intervenção das autoridades pode ser uma resposta às críticas dos Bispos da Eritreia à actuação do governo e, muito concretamente, do presidente Isaias Afwerki.

Esta intervenção é sinal também  de uma crescente perseguição face à comunidade cristã. Ainda no final do mês de Agosto, a Fundação AIS dava conta da prisão de pelo menos centena e meia de cristãos.

Segundo o World Watch Monitor, esta onda de detenções teve início em Junho quando cerca de sete dezenas de membros de uma igreja evangélica foram presos na cidade de Keren. Nesse mês, a Eritreia esteve já no centro da actualidade noticiosa com o encerramento de algumas unidades de saúde ligados à Igreja e a expulsão, também, de diversas irmãs que trabalham nessas estruturas.

Ao todo, as autoridades da Eritreia encerraram 21 unidades hospitalares administradas pela Igreja Católica, o que deixou cerca de 170 mil pessoas sem atendimento e motivou um forte protesto por parte da hierarquia da Igreja Católica.

Numa carta enviada então ao ministro da Saúde, Amna Nurhusein, os quatro bispos da Eritreia referem que o encerramento dessas unidades de saúde – algumas com mais de 70 anos de actividade – foi um acto “profundamente injusto”.

Soldados do governo, recorde-se, confiscaram os centros de atendimento médico administrados pela Igreja Católica e forçaram os pacientes a levantar as suas camas e a deixarem as unidades de saúde. Ao todo, o governo interditou 3 hospitais, dois centros de saúde e 16 clínicas.  

Na referida carta, os bispos da Eritreia afirmam que "privar a Igreja de cuidar dessas instituições é minar a sua própria existência e expor os seus trabalhadores à perseguição religiosa"m declarando que a Igreja Católica não entregará as instalações nem os respectivos equipamentos “de livre e espontânea vontade”.

Fonte da Igreja contactada então pela Fundação AIS afirmava que o governo da Eritreia fechou estas unidades de saúde porque quer ser o único prestador de assistência médica no país. Estes incidentes voltam a colocar a Eritreia – conhecida como a Coreia do Norte de África, por ser um regime particularmente repressivo – no centro das preocupações no que diz respeito à liberdade religiosa.

Recorde-se que, em Janeiro de 2018, o Departamento de Estado Norte-Americano colocou a Eritreia na lista dos “Países de Especial Preocupação” por causa precisamente das graves violações da liberdade religiosa, ocorridas no país.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Eritreia

 






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