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18-9-2019

CANADÁ: Asia Bibi envia nova mensagem em que apela aos cristãos para “permanecerem fiéis” apesar das provações


É a segunda vez no espaço de poucos dias que Asia Bibi faz uma declaração desde que está a viver no Canadá, após ter saído do Paquistão há cerca de quatro meses. Desta vez, através de um vídeo publicado na Internet, a cristã reafirma a sua inocência e apela aos fiéis para não vacilarem nas suas convicções, independentemente daquilo que tiverem de suportar.

No vídeo, escuta-se apenas a voz de Asia Bibi enquanto a câmara foca o chão. Com a duração de cerca de dois minutos, a mensagem desta cristã, mãe de cinco filhos, começa pela sua identificação: “Eu, Asia Bibi, filha de Salamat Masih, creio em Jesus”.

Depois, vem a afirmação que justifica a publicação do vídeo através do You Tube: “Não fiz nada de errado para merecer o que sofri durante dez anos”. “Estive presa no corredor da morte. Acusaram-me de blasfémia…”

Asia Bibi prossegue a sua mensagem afirmando que nunca deixou que a sua fé “se debilitasse”. Esta é, de certa forma, a parte essencial da gravação. A certeza da fé mesmo perante as situações mais delicadas. “A minha fé é suficientemente forte para vos pedir para não se afastarem do que acreditam. Para todas as pessoas, a minha mensagem é semelhante: por favor, mantenham-se fiéis às vossas crenças, mesmo que tenham de enfrentar a espada, permaneçam firmes na vossa fé, mesmo que tenham de sacrificar tudo.”

Com este vídeo, Asia Bibi rompe pela segunda vez o silêncio desde que conseguiu sair do Paquistão rumo ao Canadá. O jornal britânico The Telegraph conseguiu chegar à fala com esta mulher que está a viver num local secreto por questões de segurança.

Respondendo com mensagens de telemóvel às perguntas dos jornalistas, Asia Bibi, como a Fundação AIS então noticiou, revelou-se “tremendamente agradecida” pelos esforços da comunidade internacional na sua libertação, mas deixou um alerta sobre a situação em que se encontram muitas outras pessoas sobre as quais houve também acusações de blasfémia.

“Existem muitos outros casos em que os acusados ​​estão presos há anos”, denunciou Asia Bibi, pedindo “ao mundo inteiro” para prestar “atenção a esta questão”. E acusou então as autoridades de não prestarem todas as condições necessárias para a defesa das pessoas vítimas desta lei. “A maneira como qualquer pessoa é acusada de blasfémia sem qualquer investigação adequada, sem qualquer prova adequada, deve ser avaliada. Esta lei de blasfémia deve ser revista e deve haver mecanismos de investigação adequados ao aplicar esta lei. Não devemos considerar ninguém pecador por esse acto sem nenhuma prova.”

Agora, na mensagem vídeo publicada no You Tube, Asia Bibi volta a erguer a sua voz na defesa das pessoas acusadas injustamente de blasfémia no Paquistão. “Peço a todas as pessoas para não tomarem nenhuma decisão errada. Primeiro oiçam, e depois tomem as suas decisões. E para as pessoas que estão no corredor da morte por causa da blasfémia, por favor, sejam positivos para com elas, visitem-nas e escutem-nas.”

Após ter passado oito anos na cadeia, recorde-se, Asia Bibi viu a sua condenação à morte ser anulada em Outubro do ano passado por uma decisão do Supremo Tribunal do Paquistão. Essa decisão provocou, no entanto, uma reacção enorme por parte de grupos radicais liderados pelo partido Tehreek-e-Labbaik Pakistan e que se mostraram sempre contrários à sua libertação.

Em consequência dos protestos, que chegaram a paralisar algumas das principais cidades paquistanesas, o primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, aceitou uma exigência dos manifestantes obrigando o Supremo Tribunal a rever a decisão tomada em Outubro, o que aconteceu a 29 de Janeiro deste ano. Asia Bibi foi levada então, juntamente com o marido, Ashiq, para um lugar seguro até que estivessem reunidas as condições mínimas de segurança para poder abandonar o país, o que se verificou em Maio com a sua partida para o Canadá.

Para a Fundação AIS a história de Asia Bibi é muito importante pois tem também um valor simbólico extremamente relevante para a comunidade cristã no Paquistão.

Como sublinhou Catarina Martins de Bettencourt, directora do secretariado português da Ajuda à Igreja que Sofre, em Maio passado, quando Asia Bibi chegou ao Canadá, “todo o nosso esforço, todo o nosso trabalho não foi em vão”, e este caso “enche-nos seguramente de mais energia, de mais vontade para continuarmos com esta missão de defesa dos Cristãos perseguidos no mundo”.  A directora da Fundação AIS em Portugal enfatizou a importância deste caso mas recordou que “há muitas ‘asia bibis’ no mundo”…

Ainda recentemente, o padre James Channon, director do Centro da Paz em Lahore, que promove relações entre religiões, disse à Fundação AIS no Reino Unido que “há quase 200 casos de cristãos no Paquistão acusados ​​de blasfémia”, o que significa que todos eles podem vir a ser eventualmente condenados a pena de morte ou prisão perpétua.

Paulo Aido| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 

OBSERVATÓRIO: Canadá

 






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