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24-9-2019

SÍRIA: Igrejas cristãs foram “alvo deliberado” de ataques durante os oito anos de guerra


Igrejas e outros lugares e culto pertencentes à comunidade cristã foram destruídos ou danificados em resultado de “ataques deliberados” por parte dos diversos protagonistas da guerra na Síria.

Segundo um relatório da Rede Síria dos Direitos Humanos, uma organização não-governamental que tem vindo a monitorizar a evolução deste conflito armado, pelo menos “124 lugares de culto” cristãos foram atacados propositadamente.

Esta organização afirma que tanto as forças governamentais como os diversos grupos terroristas que se têm digladiado nesta guerra que já se arrasta há mais de oito anos têm responsabilidades directas nesta situação.

Como exemplo de ataque propositado a um lugar de culto cristão, a Rede Síria dos Direitos Humanos recorda a destruição do antigo mosteiro de Mar Elian, em Al-Qaryatain, na província de Homs. Além disto, há também a registar a utilização indevida de lugares de culto para fins militares. Segundo esta organização, pelo menos 11 templos foram transformados em quartéis ou unidades administrativas ao serviços das forças em combate.

Estes dados convergem, em parte, com a avaliação que a Fundação AIS tem vindo a fazer sobre as consequências da guerra na Síria para a comunidade cristã. A Ajuda à Igreja que Sofre aponta, no entanto, para um número superior de lugares de culto destruídos ou vandalizados durante estes anos.

De facto, as informações recolhidas directamente pela AIS no terreno ou com a ajuda de entidades parceiras, dão conta de mais de duas centenas de igrejas e edifícios paroquiais danificados ou destruídos durante a guerra, sendo que estes dados não podem ser apresentados sem se referir, também, os ataques que se verificaram contra as localidades predominantemente cristãs.

Assim, além das igrejas e edifícios paroquiais danificados, é necessário referir que mais de 6 mil casas pertencentes a famílias cristãs foram destruídas, em resultado de um conflito armado que persiste há mais de oito anos. Actualmente, a Fundação AIS tem em curso diversos projectos de apoio à comunidade cristã, nomeadamente para a reconstrução e recuperação de casas, igrejas e centros paroquiais.

Além da destruição material das habitações e lugares de culto, a guerra na Síria provocou também uma crise humanitária de proporções gigantescas. Calcula-se que mais de 400 mil pessoas tenham morrido, segundo dados da ONU, e há ainda a considerar a existência de mais de 5,5 milhões de sírios que fugiram do país e cerca de 6 milhões que se encontram deslocados internamente.

Os ataques deliberados contra a comunidade cristã, que o relatório divulgado na semana passada pela Rede Síria dos Direitos Humanos enfatiza na questão das igrejas, não podem fazer esquecer também a violência usada contra dirigentes da comunidade cristã.

Como alerta o mais recente Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, publicado no final do ano passado pela Fundação AIS, há um número considerável de cristãos desaparecidos, com destaque, por exemplo, para o sacerdote jesuíta italiano Padre Paolo Dall’Oglio, o Arcebispo ortodoxo sírio de Aleppo, D. Gregorios Yohanna Ibrahim, o Arcebispo ortodoxo grego de Aleppo, D. Paul Yazigi, o sacerdote católico arménio Padre Michel Kayyal, e o sacerdote ortodoxo grego Padre Maher Mahfouz.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Síria

 






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