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26-9-2019

SUDÃO DO SUL: Líderes religiosos alertam para o risco de o país mergulhar novamente na guerra


O Conselho Africano de Líderes Religiosos revelou a sua preocupação perante a deterioração da situação no Sudão do Sul, o que poderá traduzir-se no regresso aos tempos de guerra.

Este Conselho, dirigido pelo cardeal nigeriano D. John Onaiyaken e pelo líder muçulmano do Uganda, Sheik Ramadhan Shaban Mubaje, alerta para o risco do “colapso” do país caso os acordos de paz não sejam efectivamente implementados.

Num comunicado publicado na passada semana, o Conselho Africano revelou a sua preocupação pelos “crescentes actos criminosos, violações de direitos humanos e intolerância política em vários locais do Sudão do Sul”, apelando aos dirigentes políticos para agirem de forma a se pôr um fim na crise humanitária que está a atingir este país.

“Os líderes do Sudão do Sul têm a obrigação moral de acabar com a violência e garantir o progresso contínuo em direcção à paz estabilidade e justiça”, pode ler-se no documento subscrito pelo cardeal nigeriano.

Recorde-se que em Setembro do ano passado as facções em guerra no Sudão do Sul assinaram um acordo de paz que colocaria um ponto final neste conflito que está a destruir o país desde Dezembro de 2013.

Na prática, tem havido uma sucessão de adiamentos pelo que o acordo de paz arrisca-se a ser considerado letra morta. E isso preocupa sobremaneira os responsáveis do Conselho Africano de Líderes Religiosos. Sem paz, o Sudão do Sul pode entrar em colapso, sendo que a guerra irá, certamente, agravar ainda mais  a“miséria e a desesperança de milhões de pessoas” que já foram forçadas a deixar as suas casas por causa do conflito armado.

De facto, estima-se em mais de 3 milhões os sul-sudaneses que vivem como refugiados em diversos países da região. Uma das consequências mais trágicas da guerra é o envolvimento de crianças. Na semana passada, o responsável por uma equipa de investigação das Nações Unidas alertava para o facto de estar a aumentar “o recrutamento forçado de crianças-soldado”.

“Ironicamente, a perspectiva de um acordo de paz acelerou o recrutamento forçado de crianças, com vários grupos a procurarem agora aumentar os seus contingentes antes de se mudarem para os locais de acantonamento”, disse Yasmin Sooka, da ONU, num encontro realizado em Genebra.

No passado mês de Abril, recorde-se, o Papa Francisco pediu aos líderes políticos do Sudão do Sul que trabalhassem pela paz e pelo bem-estar das populações do Sudão do Sul, no final de um retiro espiritual no Vaticano, tendo, num gesto que surpreendeu o mundo, beijado os pés dos dirigentes deste país que participaram no encontro, o presidente Salva Kiir e o líder rebelde Riek Machar.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 

OBSERVATÓRIO: Sudão

 






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