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7-10-2019

IRAQUE: Governo enfrenta contestação violenta por causa do desemprego, da falta de serviços básicos e da corrupção


Governo de Bagdade decretou recolher obrigatório após manifestações violentas contra a alta taxa de desemprego existente no Iraque, mas também a ausência de serviços básicos como a distribuição de água ou electricidade e ainda a corrupção estatal generalizada no país.

Em consequência das manifestações, que causaram dezenas de mortos, vários milhares de feridos e centenas de detidos, a União Europeia, assim como responsáveis da ONU já pediram uma investigação “credível e rápida” sobre a forma como as autoridades de Bagdade estão a lidar com os protestos.

De facto, no final da semana passada, na tentativa de dispersar os manifestantes, a polícia chegou a utilizar balas reais além de gás lacrimogéneo. Além disso, o acesso às redes sociais e à Internet foi também bloqueado.

O recolher obrigatório que entrou em vigor na passada quinta-feira, em algumas regiões do país, isenta, no entanto, alguns funcionários públicos, pessoas que se desloquem para o aeroporto na capital e ainda os “peregrinos religiosos”.

Reunido de emergência durante o fim-de-semana, o governo anunciou já uma série de medidas numa tentativa de resposta às reivindicações das multidões. Entre as medidas divulgadas pelo executivo está a distribuição de terras, o aumento de benefícios socais para famílias mais pobres e programas de formação para jovens que se encontrem no desemprego.

De facto, o desemprego e a falta de segurança são duas questões que afectam também a comunidade cristã iraquiana. Após os primeiros dias de manifestações, D. Shlemon Warduni, Bispo da Diocese de  Anbar dos Caldeus, afirmou, à Vatican News, que a vida, no Iraque, está de facto, “cada vez mais difícil”, o que exige “o respeito dos direitos” das populações.

Segundo este prelado, “o descontentamento aumenta e o país, que era rico, agora encontra-se numa condição de pobreza total”. De facto, além do desemprego, da reconstrução da maior parte das cidades e vilas destruídas durante a guerra, há ainda a considerar a ameaça terrorista. Embora o “califado” do Daesh, o auto-proclamado Estado Islâmico, tenha desaparecido, as ameaças aos cristãos e a outras minorias religiosas, como é o caso dos yazidis, permanece bem viva.

Segundo a Comissão Internacional de Liberdade Religiosa dos Estados Unidos, calcula-se que cerca de 15 mil combatentes jihadistas permanecem no país.
No início de Agosto, quando se assinalaram cinco anos desde que o Estado Islâmico ocupou a Planície do Nínive, onde se concentrava grande parte da comunidade cristã, a Fundação AIS falou com o Arcebispo Católico caldeu de Erbil, D. Bashar Warda.

Questionado sobre o futuro da presença cristã na região, o prelado referiu que se está perante o risco real de desaparecimento. “O Cristianismo no Iraque, uma das Igrejas mais antigas, está perigosamente próximo da extinção”, disse.

E explicou: “Antes de 2003 chegávamos ao milhão e meio, 6 % da população do Iraque. Hoje talvez já nem cheguemos aos 250 mil. Talvez menos. Os que permanecem têm de estar prontos a enfrentar o martírio”.

Perante este cenário dramático, D. Bashar Warda questionou o papel da comunidade internacional: “Poderá um povo inocente e pacífico ser perseguido e eliminado por causa da sua religião? E o mundo será cúmplice da nossa eliminação por não querer dizer a verdade aos nossos perseguidores?”

O projecto da reconstrução da Planície de Nínive –  considerado essencial para não se verificar o desaparecimento da presença cristã nesta região bíblica, e que envolve directamente a Fundação AIS – tem sido alvo de grande preocupação por parte dos responsáveis da Igreja Católica.

No final do mês de Setembro, o Cardeal Pietro Parolin reafirmou, perante a Assembleia Geral da ONU, que este projecto deve ser considerado prioritário por parte da comunidade internacional.

Afirmando que o regresso dos cristãos a suas casas é “um sinal de que o mal não tem a última palavra”, o responsável sublinhou “a importância da presença” da comunidade cristã numa região onde “tem as suas raízes históricas mais profundas” e onde se tem notabilizado também por ser “uma fonte fundamental de paz, estabilidade e pluralismo desde há séculos”.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Iraque

 






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