background image

Detalhe

30-10-2019

CHINA: Questão dos muçulmanos uigures presos em campos de reeducação ganha visibilidade com o Prémio Sakharov


A atribuição na semana passada do Prémio Sakharov a Ilham Tohti, um professor de economia preso em 2014 sob a acusação de estar a promover o separatismo na região de Xianjiang e de ligações a aextremistas, veio relançar a nível internacional a questão dos uigures, comunidade muçulmana que está sob apertado escrutínio pelas autoridades de Pequim.

Ilham Tohti. Detido pelas autoridades em Setembro de 2014. Condenado a prisão perpétua, desconhece-se o seu paradeiro desde 2017, altura em que foram negadas visitas à própria família. Ninguém sabe onde se encontra, sequer se está vivo.

A atribuição do prestigioso Prémio Sakharov – o mais importante, a nível Europeu, na área dos direitos humanos – veio colocar a questão dos uigures de novo no primeiro plano noticioso. David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu, pediu já “a libertação imediata” deste famoso preso político.

A questão dos muçulmanos uigures é muito grave, calculando-se que as autoridades chinesas tenham sob detenção, nos chamados campos de reeducação, cerca de 1 milhão de membros desta minoria muçulmana na província de Xianjiang. Pequim tem justificado estas medidas extremas de opressão étnica e religiosa com a necessidade de combater o terrorismo.

A repressão das autoridades chinesas face à minoria uigur, ou a outras comunidades religiosas, tem merecido uma ampla condenação a nível internacional. Ainda recentemente, o presidente da Comissão Nacional de Justiça e Paz da Igreja Católica em Portugal manifestou a sua desaprovação também no que diz respeito à perseguição religiosa à comunidade cristã.

Numa entrevista à Fundação AIS, Pedro Vaz Patto referiu que “as violações da liberdade religiosa” se acentuaram na China, dando como exemplos a proibição da “educação religiosa de crianças e adolescentes e a sua entrada em lugares de culto, o uso de tecnologia mais avançada para o controlo da população”. Estas medidas foram classificadas por Vaz Patto como “próprias de um Estado totalitário que pretende controlar todos os domínios da vida das pessoas, incluindo os mais íntimos, como é a religião”.

O responsável pela Comissão Nacional de Justiça e Paz considerou que entre as principais vítimas destas medidas do Estado chinês estão “sobretudo as comunidades, de várias religiões, que escapam ao controlo estatal”, tendo especificado que, entre os que “mais sofrem essa repressão”, estão “as comunidades clandestinas cristãs, ou não cristãs”, mas também se referiu aos muçulmanos uigures.

“É evidente que já houve uma resolução do Parlamento Europeu a denunciar esta situação – disse Vaz Patto, referindo-se à existência de cerca de 1 milhão de prisioneiros uigures em Xianjiang –, mas não teve grandes consequências. O pretexto é o combate ao terrorismo, mas não podemos associar toda a população, só por ser muçulmana, ao terrorismo”, acrescentou.

Pedro Vaz Patto disse ainda que “não existe” por parte dos cristãos, nem de qualquer outra religião, “algum propósito de combater politicamente o Estado”, mas “a repressão, a privação das liberdades religiosas atinge todas as religiões”.

Por tudo isto, concluiu que “não podemos ignorar a situação da China no que diz respeito aos direitos humanos”.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   

 

OBSERVATÓRIO: China

 






*Sem Comentários
deixar comentario
Mês:
 

RedWednesday


27-11-2019

catalogo