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4-11-2019

MOÇAMBIQUE: Novo ataque no norte do país causa 10 mortos e relança alerta do Bispo de Pemba


Pelo menos 10 pessoas morreram, na passada quinta-feira, dia 31 de Outubro, em consequência de mais um ataque de grupos armados no norte de Moçambique.

Um camião que transportava pessoas e mercadorias ficou imobilizado quando circulava numa estrada perto da vila de Mbau, na província de Cabo Delgado. Nessa altura, segundo uma testemunha citada pela agência France Press, “pessoas não identificadas começaram a disparar contra nós”.

Um morador na região confirmou este depoimento tendo acrescentado que “a situação está a deteriorar-se” e que “as pessoas estão a deixar as suas aldeias” dirigindo-se essencialmente para a cidade de Mocímboa, na província de Cabo Delgado.

O camião ficou totalmente queimado, havendo relatos ainda de casas saqueadas. Horas depois deste ataque, as autoridades anunciaram ter “neutralizado” e colocado “em fuga” grupos armados descritos como “malfeitores” que se encontrariam em Muidumbe e na zona de Marere, na foz do rio Messalo, distrito de Mocímboa da Praia.

O comunicado do Ministério da Defesa de Moçambique, distribuído na sexta-feira, dia 1 de Novembro, referia que as forças de segurança “continuam em perseguição aos insurgentes que se encontram fugitivos”, não dando mais detalhes das operações em curso.

Esta região, no extremo norte de Moçambique, tem sido alvo de diversos ataques desde Outubro de 2017, registando-se até ao momento cerca de 300 mortos, milhares de deslocados e um rasto impressionante de destruição com relatos de aldeias completamente destruídas.

Esta situação de insegurança tem sido denunciada pela Igreja Católica, nomeadamente pelo Bispo de Pemba.

Ainda no passado mês de Outubro, D. Fernando Luiz Lisboa afirmava à Rádio Vaticano que a situação permanecia descontrolada, apesar do esforço das forças de segurança, e que os campos agrícolas estavam a ser abandonados pelas populações podendo falar-se já em situações de fome.

”Tenho visitado as comunidades e, algo que vai acontecer muito triste, haverá fome em Cabo Delgado porque nas regiões onde estão a acontecer os ataques as pessoas não estão a fazer mais machamba [trabalhar os campos] por medo”, disse D. Luiz Lisboa, tendo classificado esta situação como “muito grave”.

Para D. Fernando Luiz Lisboa, “a verdade é que o inimigo não tem rosto” e que, apesar da presença na região de elementos das forças de segurança, “os ataques continuam de uma forma violenta”. O prelado referiu que os grupos armados queimam as casas, deixando as populações “sem lugar”, matam “pessoas inocentes, gente a trabalhar na machamba… ultimamente têm atacado carros de transporte público, que é uma tristeza muito grande”, disse ainda ao prelado.

Apesar de D. Fernando se referir aos atacantes como inimigo sem rosto, a verdade é que há uma crescente convicção de que a região norte de Moçambique estará na mira de grupos jihadistas. Ainda em Setembro, a Fundação AIS dava conta de que o Daesh, o auto-proclamado Estado Islâmico tinha reivindicado pela primeira vez um ataque ao que classificou como sendo “uma vila cristã ”.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Moçambique

 






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