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6-11-2019

IRAQUE: Onda de manifestações violentas deixa comunidade cristã inquieta face ao futuro


Embora os cristãos, que vivem principalmente no norte do país, estejam longe do epicentro de protestos que deflagraram na capital, Bagdade, e em outras cidades do país, crescem os sentimentos de insegurança perante a evolução dos acontecimentos no Iraque.

Até ao momento já se contabilizaram mais de duas centenas de mortos, milhares de feridos e um largo número de pessoas detidas em consequência de diversas manifestações que revelam um profundo clima de insatisfação em todo o país.

As autoridades têm procurado reprimir os manifestantes que acusam as autoridades de corrupção, clientelismo e de ineficácia face ao aumento do custo de vida.

Perante este cenário de clara degradação das condições de segurança, o patriarca católico caldeu de Bagdade, D. Raphael Sako, apelou no passado sábado às autoridades para escutarem o apelo das ruas. “Espero que o governo queira ouvir o grito destas pessoas que sofrem, como o Santo Padre pediu”, afirmou, após ter-se encontrado com manifestantes na famosa praça Tahir na capital do país. “Fui levar medicamentos para os feridos e os enfermos”, disse, “e encontrei milhares e milhares de jovens, anciãos, mulheres e jovens estudantes. É a primeira vez que as mulheres participam expressivamente destas manifestações.”

Citado pelo portal Vatican News, D. Sako explicou que os manifestantes  procuram “justiça e um futuro melhor” e lançaram para isso um apelo ao governo adoptar “medidas rápidas e concretas” contrariando o dinheiro desperdiçado pela corrupção nos últimos 16 anos, investindo os recursos do país “em projectos de desenvolvimento económico, social e de saúde”.

De facto, depois da guerra contra o Daesh, o auto-proclamado Estado Islâmico, o Iraque continua com elevados níveis de insegurança e com grande parte da população a viver numa situação de enorme carência material. Calcula-se que, hoje em dia, 1 em cada cinco iraquianos vive abaixo do limiar da pobreza, apesar de o país continuar a ser o segundo maior produtor de petróleo do mundo.

O desemprego juvenil, que atinge 25% da população, é outro sinal do desconforto que tem trazido multidões para as ruas das principais cidades do Iraque.

A Irmã Hanan Eshoa, das Filhas de Maria Imaculada,  confirma este sentimento de impotência especialmente pelos mais jovens. Falando à Vatican News, desde a capital iraquiana, a religiosa sublinha que muitos dos manifestantes, talvez a maioria, “são jovens médicos, advogados, especialmente aqueles que concluíram seus estudos e não conseguem encontrar trabalho”.

E acrescenta: “Depois há outros que trabalham e não recebem salários ou que buscam uma vida melhor, ou seja, pedem segurança... São todos contra a corrupção porque não conseguem encontrar trabalho. Por exemplo, há médicos que vendem chá… isto num país assim tão rico onde não se encontra o direito à dignidade humana.”

A maioria dos cristãos reside no chamado Curdistão Iraquiano, onde, por questões de segurança, as manifestações estão proibidas pelas autoridades. Apesar disso, já houve encontros de oração pela paz, nomeadamente na Igreja dos santos Behnam e Sarah, em Qaraqosh, a maior cidade cristã do Iraque.

Muitos dos problemas denunciados pelos manifestantes iraquianos são comuns à comunidade cristã: desemprego, corrupção e um governo que defende aparentemente os interesses do Irão – país que desempenhou um papel muito relevante também no combate aos jihadistas. Na Planície de Nínive, muitos cristãos vivem sob o controle de milícias apoiadas pelo Irão, acusadas também de extorquir a população local, dificultando a economia e intimidando as minorias.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 

OBSERVATÓRIO: Iraque

 






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