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7-11-2019

NIGÉRIA: Sequestro de sacerdote no sul do país denuncia “nível sem precedentes” de insegurança


O Padre Arinze Madu, vice-chanceler do seminário “Rainha dos Apóstolos”, em Imezi-Owa, pertencente à Diocese de Enugu, no sul do país, foi sequestrado na passada segunda-feira, dia 28 de Outubro, por um grupo de desconhecidos, tendo sido libertado dois dias mais tarde.

Falando à Agência Católica de Informações, o responsável pela comunicação da Diocese de Enugu manifestou a sua satisfação pela libertação do Padre Madu, mas referiu o sentimento de apreensão que reina no país pela violência crescente contra elementos da Igreja.

“De facto todos ficámos apreensivos quando o Padre Madu foi sequestrado, devido às nossas experiências recentes”, explicou o Padre Benjamim Achi, lembrando que só no corrente ano diversos sacerdotes foram mortos ou feridos em ataques na região.

De facto, a notícia do sequestro do Padre Arinze Madu veio aumentar a preocupação em diversos sectores da sociedade nigeriana perante o aumento da violência em todo o país apesar das medidas implementadas pelas autoridades.

Já em Junho, a Conferência Episcopal, através de seu presidente, D. Augustine Akubeze, arcebispo de Benin, denunciava o “nível sem precedentes de insegurança” na Nigéria, lembrando os inúmeros casos de sequestros e de ataques contra as populações civis no país, mas também contra elementos da Igreja.

O sequestro do Padre Madu ocorreu dois meses depois do assassinato de um outro sacerdote, o Padre Paul Offu, também na diocese de Enugu. Desde o início do ano, e segundo a agência Fides, há ainda a considerar o assassinato, também por desconhecidos, do Padre Clement Rapuluchukwu Ugwu.

Todos estes casos reflectem um clima de certa impunidade com que grupos armados e malfeitores actuam na Nigéria. Além do crónico problema na região norte e nordeste, palco da actuação do grupo jihadista Boko Haram, que pretende a instauração de um ‘califado’ e que é responsável por milhares de mortos desde 2009, também grupos de pastores muçulmanos fulani têm atacado comunidades cristãs um pouco por todo o país. Calcula-se que só durante o ano de 2018, mais de 3700 cristãos foram mortos na Nigéria.

Recentemente, em Lisboa, durante a sessão de apresentação do relatório da Fundação AIS sobre a perseguição aos cristãos no mundo, o Padre Gideon Obasogie, oriundo da Diocese de Maiduguri, situada no norte da Nigéria e um dos epicentros do terror do Boko Haram, testemunhou situações dramáticas vividas nos últimos anos pelas populações indefesas perante a brutalidade de um dos mais temíveis grupos terroristas da actualidade.

Afirmando que “o Terço tornou-se na nossa melhor arma”, o Padre Gideon acusou a forma negligente como a comunidade internacional tem agido em defesa dos cristãos no seu país, dizendo que “há um silêncio estranho em que não se fala destas coisas”.

Agradecendo o trabalho da Fundação AIS no apoio à comunidade cristã, o Padre Gideon Obasogie defendeu que há imenso a fazer nas áreas mais atingidas pela violência terrorista. Reconstruir igrejas e capelas, seminários e estruturas de apoio social é fundamental, disse, mas há algo mais urgente: “reconstruir a vida das pessoas”. Para isso, sublinhou este sacerdote nigeriano, “é preciso substituir sentimentos de ódio e vingança pela reconciliação”.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt



 

OBSERVATÓRIO: Nigéria

 






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