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11-11-2019

FILIPINAS: Marawi continua a ser “cenário de guerra” após ataque jihadista de 2017


Os moradores da cidade de Marawi, no sul das Filipinas, devastada por violentos combates após ataque jihadista em Maio de 2017, contestam a ausência de um verdadeiro plano de reabilitação para a região.

Um grupo de cidadãos preocupados com esta questão, o “Marawi Reconstruction Conflict Watch”, afirma que a reconstrução e reabilitação da cidade situada na região de Mindanao, está numa “confusão total”.

Numa conferência de Imprensa, a 7 de Novembro, o grupo denunciou as agências governamentais responsáveis pela implementação do programa de reconstrução acusando-as de “incapacidade de prestar contas” e questionando até o destino dos “mais de 109 milhões de dólares [cerca de 98 milhões de euros), que o governo alocou no ano passado ao projecto.

Recorde-se que, em consequência de um ataque por grupos armados jihadistas contra esta cidade no sul das Filipinas, em Maio de 2017, cerca de 400 mil pessoas fugiram de suas casas. Posteriormente, em resultado dos violentos combates que se travaram até à libertação da cidade, grande parte de Marawi ficou destruída com bairros inteiros reduzidos a ruínas.

Na conferência de Imprensa, o grupo de cidadãos de Marawi alerta também para a inexistência de planos do governo do presidente Rodrigo Duterte para a “compensação das vítimas da guerra” que atingiu esta região.

O clima de insatisfação dos habitantes de Marawi é confirmado à Fundação AIS pelo padre Raymundo Romero, assistente eclesiástico da instituição nas Filipinas. De passagem por Lisboa, este sacerdote explicou que os habitantes de Marawi ainda não regressaram porque as casas continuam destruídas e “não têm meios de subsistência”, dado que a própria estrutura económica da cidade ficou arrasada.

Além disso, o padre Romero afirmou que ainda subsiste um forte “sentimento de medo” nas populações, apesar de “a situação estar sob controlo”.

O ataque jihadista foi extremamente violento assim como a resposta militar lançada por Manila. O resultado deste confronto foi esmagador. Além da forte destruição da cidade, e apesar de não haver ainda uma contabilidade formal do número de vítimas, o assistente eclesiástico da Fundação AIS nas Filipinas afirma estar convencido de que houve “mais de 10 mil mortos”.

Desde 2017 que a Fundação AIS está profundamente empenhada na ajuda às Filipinas, nomeadamente às populações profundamente abaladas pelos violentos combates entre as forças do Governo e os jihadistas. Como explica o padre Romero, a AIS das Filipinas “está a tentar garantir que todas as pessoas que ficaram traumatizadas recebam tratamento psicológico ou psiquiátrico”, além de que está a proporcionar “ajuda aos muitos refugiados” que ainda não conseguiram regressar a suas casas.

A comunidade cristã esteve na mira dos jihadistas, sendo de destacar o ataque e destruição da Catedral e sequestro, durante meses,  de um sacerdote e de vários fiéis. Só nesse ataque à Catedral, logo no início da ofensiva dos terroristas, calcula-se que tenham perdido a vida, segundo o padre Romero, “20 pessoas” e houve ainda “quase 100 feridos que ficaram em estado grave”.

PA| Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt


 

OBSERVATÓRIO: Filipinas

 






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