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25-11-2019

CAMARÕES: Bispo de Mamfe retira sacerdotes das paróquias devido ao risco de sequestros na região anglófona


Preocupado com a crescente onda de violência na região anglófona dos Camarões – onde existe um movimento independentista –, e que se reflecte nomeadamente no sequestro de sacerdotes, o Bispo de Mamfe, D. Andrew Nkea, decidiu tomar medidas drásticas até haver garantias mínimas de segurança.

Numa carta enviada aos fiéis, a que a Fundação AIS teve acesso, o prelado mandou retirar todos os sacerdotes que estavam colocados nas paróquias de Kembong, Ossing e Eyumojock, até haver “garantia” efectiva “da segurança dos pastores”, e anunciou ainda o cancelamento das comemorações dos vinte anos da criação da diocese.

Além disso, foram suspensos “todos os projectos” que estavam em curso nessas paróquias, por serem agora consideradas como “áreas inseguras”. Logo que se considere possível, escreveu ainda o Bispo na carta aos fiéis, “os padres podem regressar às paróquias para realizar seu trabalho em paz”.

As ameaças de que fala D. Andrew Nkean estão relacionadas com casos de sequestro e tentativas de rapto de sacerdotes na sua diocese. Entre esses casos está o sequestro do Padre Felix Sunday, um sacerdote nigeriano colocado na paróquia de Afap, no domingo, dia 20 de Outubro. Logo após ter celebrado missa em Mbakang, o Padre Sunday foi levado à força por homens armados que se julga estarem ligados ao movimento de independência da região anglófona dos Camarões, conhecida como Ambazonia.

Na missiva, o Bispo de Mamfe refere ainda que dois outros sacerdotes “escaparam por pouco de emboscadas”, não referindo no entanto nem nomes nem a data das ocorrências, acrescentando, porém, que já no início de Novembro quatro homens armados entraram na paróquia de Kembong e levaram à força o padre local e um seu assistente, exigindo 1 milhão de francos [cerca de 1500 Euros] pela libertação de ambos.

Tanto o padre como o assistente acabariam por ser libertados mais tarde sem que tivesse havido o pagamento de qualquer resgate. Segundo o Bispo, os ataques aos sacerdotes parecem ser uma forma de retaliação pela sua participação numa iniciativa de diálogo convocada pelo presidente dos Camarões, Paul Biya, e que se realizou entre os dias 30 de Setembro e 4 de Outubro.

Nesse “grande debate nacional”, uma das questões em análise foi precisamente a da crise secessionista das regiões noroeste e sudoeste do país e que tem degenerado em violência principalmente desde 2016.

Inicialmente, as populações pretendiam que se usasse o idioma inglês nas escolas e no sistema judiciário em vez do francês – a língua predominante no resto do país –, mas depressa o protesto degenerou num movimento mais amplo em que se exige já a independência.

Na carta enviada aos diocesanos, D. Andrew afirma que os responsáveis secessionistas pretendem exigir o pagamento de “uma multa de 500 mil francos” [cerca de 750 Euros] a todas as pessoas que participaram nessa reunião como forma de punição. Perante essas ameaças, o prelado reconhece que tanto ele como os seus padres estão em risco, até porque, mesmo que o desejasse, diz não ter forma de pagar essa verba. “A verdade é que não tenho esse dinheiro para pagar a ninguém”, reconhece o Bispo.

O Bispo de Manfe mostra-se muito preocupado com a insegurança que passou, de certa forma, a fazer parte da vida quotidiana nos Camarões. “A violência intensificou-se, trouxe mortes, perda de propriedades, insegurança, muitas pessoas deslocadas internamente e muitos refugiados que fugiram para a Nigéria”, descreve o bispo na carta, explicando que os padres sempre estiveram junto das populações mesmo quando se registaram “pesados tiroteios”, e em que as suas vidas estiveram em risco.

D. Andrew recorda ainda na carta a “morte trágica” do Padre Cosmas Ondari Omboto, vigário paroquial de Kambong, assassinado em Novembro do ano passado nas imediações da sua igreja, por soldados governamentais.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 

OBSERVATÓRIO: Camarões

 






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