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30-12-2019

NIGÉRIA: Bispo reage ao “drama” do assassinato de 10 cristãos e, através da AIS, pede ajuda à comunidade internacional


“As coisas não podem continuar assim”, afirma D. Matthew Kukah, Bispo de Sokoto, em reacção ao bárbaro assassinato na semana passada de 10 cristãos às mãos de um grupo de jihadistas no norte da Nigéria.

O prelado, em declarações à Fundação AIS, lançou um apelo à comunidade internacional para agir, “pressionando a Nigéria”, no sentido da “protecção das vidas” e para que os autores do crime “sejam levados à justiça”.

O Bispo de Sokoto reagiu assim à divulgação, através da internet, de um vídeo que mostra dez cristãos a serem decapitados enquanto um décimo primeiro refém, identificado como muçulmano, é assassinado a tiro. “Onde está a repulsa moral por esta tragédia”, questiona o prelado.

“Isto faz parte um drama muito mais amplo com o qual vivemos diariamente”, afirma D. Matthew, acusando o governo de não agir com a prontidão e os meios necessários para suster a onda de violência que atinge o norte da Nigéria desde 2009.

“É muito difícil compreender por que o governo não faz progressos no enfrentamento desta crise”, diz o Bispo, lembrando que todas as mortes que têm vindo a ocorrer apenas têm produzido “condenações formais” por parte dos dirigentes nigerianos. Mas, apesar dessas palavras, nada tem mudado, e, acrescenta o bispo, “seguimos em frente como se tudo isto fosse normal”…

Embora os autores do assassinado dos 10 cristãos tenham sido identificados como pertencentes ao Daesh, mas é provável que se trate de um grupo de terroristas ligado a uma facção do Boko Haram que assumiu um pacto de aliança com o auto-proclamado Estado Islâmico.

O assassinato destes cristãos parece demonstrar um recrudescimento da actividade deste grupo terrorista. Ainda muito recentemente, a 14 de Dezembro foi divulgada a notícia da execução de um outro grupo de quatro reféns nigerianos que estavam em cativeiro desde Julho e que pertenciam a uma associação de ajuda humanitária francesa.

Esses quatro trabalhadores humanitários procediam à assistência alimentar a pessoas em situação vulnerável na zona de Damasak, que faz parte do estado de Borno, onde agora ocorreu o assassinato dos 10 cristãos.

A situação de violência que se tem vindo a abater sobre a comunidade cristã na Nigéria foi alvo também de forte denúncia por parte de D. Teodoro de Faria.

O Bispo emérito do Funchal, em texto publicado recentemente no “Jornal da Madeira”, recorda que o Boko Haram pretende estabelecer um ‘califado’ na Nigéria, à semelhança do que aconteceu na Síria e Iraque , tendo a sua actuação ultrapassado as fronteiras deste país africano e atingido já os Camarões, o Níger e o Chade.

“A sua acção terrorista cresceu tanto que as Nações Unidas julgam ultrapassar 27 mil pessoas mortas, outros estimam que devem ser 70 mil”, escreve o prelado, acrescentando que toda esta violência “levou dois milhões de pessoas, para não serem mortas, a deixarem as suas casas, perdendo os seus haveres e formas de sustento”.

A exemplo do assassinato dos 10 cristãos no Natal, o Bispo emérito do Funchal refere que esta comunidade religiosa é um dos alvos principais deste grupo terrorista e lembra alguns dos episódios mais marcantes da sua actuação.

“Em 2014 raptaram 276 adolescentes com as idades entre os 16 a 18 anos da sua escola, quase todas cristãs, ameaçando as instituições da Igreja ocidental. As jovens foram levadas para um acampamento islamista, tendo algumas delas fugido durante a viagem. Mais tarde, o líder do Boko Haram apareceu num vídeo à frente de dezenas de jovens vestidas dos pés à cabeça com trajes muçulmanos, como que a exibir um seu troféu de conquista e ameaçando vendê-las, afirmando que a escravatura é permitida pela sua religião.”

D. Teodoro de Faria sublinha o facto de a Igreja Católica estar na mira dos terroristas, e refere a Diocese de Maiduguri como exemplo dessa perseguição concreta. “O Seminário Menor de  Shuwa foi transformado pelos terroristas  num acampamento”, tendo os terroristas “queimado grande parte do complexo, o centro de formação dos leigos, 15 escolas missionárias, 10 casas paroquiais e mais de 250 igrejas ou capelas foram saqueadas no ano de 2014.”

Além da destruição material, as consequências de toda esta violência para a comunidade cristã têm sido devastadoras. Diz ainda o Bispo emérito do Funchal, no texto publicado no jornal da Madeira, que “25 padres foram deslocados, mais de 45 religiosas abandonaram os seus conventos,  200 catequistas foram expulsos dos lugares de trabalho e mais de 100 mil  católicos tiveram de fugir das suas casas”.

O trabalho desenvolvido neste país africano pela Fundação AIS merece uma palavra de grande apreço pelo Bispo emérito. Diz D. Teodoro que a AIS “tem ajudado esta igreja com uma solidariedade que se reflecte na construção de igrejas, subsistência do clero e  dos fiéis”, e citando o Bispo de Maiduguri, assegura que sem essa ajuda, a Igreja local teria “entrado em colapso há muito tempo”.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Nigéria

 






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