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26-2-2020

LÍBANO: A situação “é catastrófica” e os cristãos “não têm ninguém que os ajude”, denuncia religiosa portuguesa


É um retrato muito duro da vida quotidiana no Líbano, mergulhado numa das mais profundas crises dos últimos anos. Numa mensagem áudio enviada para a Fundação AIS em Lisboa, a Irmã Maria Lúcia Ferreira, uma religiosa portuguesa que vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado, na vila de Qara, na Síria, perto da fronteira com o Líbano, diz que a situação neste país está a agravar-se e isso está a afectar profundamente a comunidade cristã.

“A situação na Síria não é boa mas no Líbano, neste momento, parece bastante, bastante mais catastrófica”, afirma esta religiosa conhecida no mosteiro como Irmã Myri. “Os bancos estão a limitar os levantamentos de dinheiro e as pessoas fazem filas mas o que se passa é que desde há 1 ou 2 semanas deixaram de permitir qualquer levantamento”, diz a irmã, acrescentando: “isto quer dizer que as pessoas que tinham todas as suas economias nos bancos acabaram sem nada”.

Na mensagem áudio, a Irmã Myri diz mesmo que “o país está na bancarrota total” e que a sua madre superiora, a Madre Agnès-Mariam de la Croix, terá pedido as orações de todos pois, “se as coisas continuam assim, [cerca de] 40 mil famílias cristãs vão emigrar para fora do país para poderem ter que comer”.

A própria madre superiora da Congregação das Monjas de Unidade de Antioquia está a lançar projectos de apoio às famílias cristãs libanesas, nomeadamente na área da agricultura, para não deixarem o país. Se isso acontecer, explica a irmã Myri, “se cristãos saírem do Líbano, já ninguém pode levantar a cabeça no Médio Oriente, os cristãos já não terão voz no Médio Oriente”…

A crise económica a que a irmã portuguesa se refere está, de facto, a deixar o Líbano numa situação extremamente delicada, com o empobrecimento acentuado das famílias e a revolta da população.

A depreciação da moeda libanesa chegou a um ponto insustentável e os bancos estão a limitar fortemente as transações, o que está a condicionar ainda mais a própria economia com empresas na falência, o comércio a fechar portas e o desemprego a subir de forma imparável.

A revolta das populações levou mesmo à queda do governo de Saad Hariri, acusado de incompetência e corrupção. O presidente libanês, Michel Aoun, indigitou um novo responsável governamental em 21 de Janeiro, depois de semanas de impasse. O executivo de Hassan Diab, o actual primeiro-ministro, tem procurado debelar a crise reduzindo taxas de juro, procurando recapitalizar o sistema bancário e reestruturando o sector público.

É por causa desta crise económica e política que está a afectar a comunidade cristã que a Irmã Myri enviou a sua crónica para Lisboa. Crónica que é, simultaneamente, um apelo. Diz a religiosa portuguesa que a presença cristã é essencial no Líbano. No entanto, “os cristãos não têm ajuda de ninguém”, diz a irmã Myri, explicando que “os xiitas têm a ajuda do Irão, os sunitas têm a ajuda da Arábia Saudita, mas os cristãos, hoje, já não têm a ajuda de ninguém…”

Por isso, por que a situação no país está muito grave, a Irmã Myri pede as orações dos cristãos em todo o mundo, mas deixa um apelo especial aos portugueses e aos peregrinos de Fátima. “O presidente [libanês] consagrou o país ao Imaculado Coração de Maria. Ela não nos vai deixar. Faço um apelo aos que vão ao Santuário de Fátima que peçam pelo Líbano. Este país é um garante da presença dos cristãos no Médio Oriente.”

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 

OBSERVATÓRIO: Líbano

 






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