background image

Presentes de Fé

Bow

Dê um presente que permaneça!

Bow

Saiba mais »

Detalhe

2-3-2020

MOÇAMBIQUE: Ataques em Cabo Delgado estão a criar “pânico entre as populações“, denuncia Bispo de Tete


O grupo terrorista Daesh (o autoproclamado Estado Islâmico) continua a reivindicar ataques na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Na semana passada, através da Internet, o Daesh assumiu a morte de soldados do exército moçambicano nesta região, na sequência de confrontos com forças governamentais.

Eventualmente tratar-se-á do ataque ocorrido dias antes, a 19 de Fevereiro, na aldeia de Chiculua, no distrito de Palma, em que terão morrido pelo menos quatro soldados, sido queimadas diversas casas e saqueados alguns estabelecimentos comerciais.

A Igreja Católica está a acompanhar com natural preocupação o evoluir desta realidade. E, no espaço de poucas semanas, dois bispos aceitaram comentar esta onda de violência à Fundação AIS. D. Luiz Fernando Lisboa, Bispo de Pemba, diocese situada precisamente nesta região norte de Moçambique, afirmou, no início de Fevereiro, ser “muito preocupante” esta situação, referindo que os ataques são mesmo “uma tragédia”.

Também para D. Diamantino Antunes, Bispo de Tete, as notícias que chegam do norte de Moçambique são inquietantes. “Em Cabo Delgado a situação de facto não está fácil”, diz este prelado, acrescentando que os ataques, por parte de grupos “de que não se conhece a origem nem a motivação”, estão a criar “uma situação de pânico entre as populações”.

Em entrevista à Fundação AIS, D. Diamantino Antunes descreve esta situação como muito complexa, com centenas de mortos e populações em fuga. “Desde que começaram os primeiros ataques, já se contabilizaram cerca de cinco centenas de mortos e uma onda muito grande de pessoas que são obrigadas, por falta de segurança, a fugir e a refugiar-se, deslocar-se, para as zonas urbanas.”

Sobre quem serão os atacantes e o que poderá justificar esta violência por vezes brutal, com pessoas decapitadas e aldeias arrasadas, D. Diamantino Antunes remete para aquilo que tem sido afirmado pelo governo e que tem vindo a ser publicado na comunicação social. “Falam de jovens muçulmanos que se radicalizaram e cuja motivação é, essencialmente, de carácter religioso inserido na onda do fundamentalismo islâmico” que está a grassar em algumas regiões do continente africano.

No entanto, o Bispo adianta que poderá haver outra explicação relacionada com mal-estar social ou com questões de carácter económico. “É difícil [saber]. Temos poucas certezas. Muitas hipóteses e poucas certezas.”

Em entrevista à Fundação AIS, durante a sua recente passagem por Portugal, o Bispo de Tete – que completa no próximo dia 12 de Maio um ano à frente da diocese – comenta também a reivindicação de alguns dos ataques em Cabo Delgado por parte do Daesh, o autoproclamado Estado islâmico, como aconteceu, por exemplo, na semana passada.

“Fala-se de jovens muçulmanos moçambicanos que foram para o estrangeiro e foram aí radicalizados ou radicalizaram-se e também de pessoas oriundas de outros países. Ao movimento é dado o nome local de Al-Shabaab, [o que quer dizer ‘jovens’], que é um movimento fundamentalista que actua na Somália e nos países vizinhos.”

Seja qual for a origem dos atacantes, o Bispo de Tete reconhece que “o problema existe e não foi ainda resolvido”. E isso, acrescenta, “apesar de uma presença muito forte na região das forças de segurança.” No entanto, a própria actuação dos grupos armados torna muito difícil a sua neutralização pelas autoridades. “Estes grupos esquivam-se a qualquer tipo de controlo e quando menos se espera, atacam e sobretudo, atacam a população e ultimamente também as instituições públicas como escolas, centros de saúde… o que prejudica toda a população.”

A onda de terror que se tem abatido sobre o território de Cabo Delgado não tem deixado ninguém indiferente. E embora a comunidade cristã seja diminuta na região, “porque é uma zona maioritariamente islâmica, embora haja minorias e comunidades católicas”, D. Diamantino Antunes reconhece que ninguém está verdadeiramente seguro. Todos são potenciais alvos da violência. “Há católicos que já morreram, islâmicos, que são a maior parte, mas é um problema circunscrito àquela região.”

Até ao momento, os ataques estão contidos à Província de Cabo Delgado. “Graças a Deus, noutras zonas onde a presença islâmica é antiga e forte, esse fenómeno de violência não [tem acontecido], não se conhecem casos. É muito circunscrito àquela região.”

No entanto, há sempre o risco de alastramento destes episódios de violência. “É evidente que sendo aquela uma zona de passagem e sabendo-se que o fundamentalismo islâmico se está a expandir em África, seja na região ocidental, seja na região oriental, onde nos situamos, é sempre um risco grande e as autoridades devem estar muito atentas a tudo e ter um controlo maior sobre as fronteiras”, reconhece o Bispo de Tete.

“Moçambique tem uma fronteira imensa, de muitos quilómetros quadrados, que é porosa. É um corredor de passagem de tráfico de pessoas, e algumas vêm certamente por motivos económicos mas infelizmente também por motivos não dessa natureza mas de natureza política ou religiosa.”

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   

 

OBSERVATÓRIO: Moçambique

 






*Sem Comentários
deixar comentario
Mês:
 

Doe 0,5% do seu IRS em favor dos Cristãos perseguidos


01-03-2020

catalogo