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5-3-2020

FRANÇA: “É graças aos media que estou viva”, diz Asia Bibi sobre a campanha internacional pela sua libertação


O lançamento em França na semana passada do livro autobiográfico, ‘Enfim, livre!’ escrito em parceria com a jornalista Anne-Isabelle Tollet, voltou a centrar a atenção mediática sobre Asia Bibi, a cristã paquistanesa que se tornou num verdadeiro ícone mundial na luta contra a Lei da Blasfémia e o fundamentalismo islâmico.

Acusada de blasfémia em 2010 por ter bebido um copo de água de um poço, esta mulher foi condenada à morte e passou cerca de nove anos na cadeia sempre com a vida por um fio.

A enorme campanha internacional que se levantou pela libertação de Asia Bibi transformou o seu caso num exemplo da iniquidade da Lei da Blasfémia e isso acabou por protegê-la. Num encontro com a Fundação AIS em Paris, Asia Bibi reconhece isso. “É graças aos media que ainda estou viva”, assegura.

O lançamento do seu livro ganhou relevo nas primeiras páginas dos jornais em todo o mundo tal como a notícia de que iria pedir asilo ao governo francês. Para Asia Bibi, que foi recebida na passada sexta-feira, dia 28 de Fevereiro, por Emmanuel Macron no Palácio do Eliseu, a França surge agora como “um refúgio” desejado, depois de ter sido acolhida pelo Canadá após a sua saída do Paquistão. “Encontrei muito amor aqui. Acho que ficarei bem convosco”, diz, referindo-se à hospitalidade dos franceses. No entanto, afirma que continua a ser paquistanesa e a amar o seu país. “É a minha terra natal, eu amo o Paquistão apaixonadamente!”

Sinal disso, Asia Bibi relata, no encontro que entretanto teve com a Fundação AIS, uma infância feliz. “Brincava com os vizinhos muçulmanos, não havia separação” alguma entre religiões, recorda melancolicamente. Baptizada aos 8 anos de idade, pôde viver a sua fé sem dificuldades. Afinal, diz, a presença cristã no Paquistão é milenar. “Somos cristãos há mais de mil anos.” No entanto, o convívio sem problemas entre religiões na sua infância transformou-se num caso dramático quando se tornou mulher adulta.

A sua vida transformou-se por completo a 14 de Junho de 2009. Nesse dia, enquanto trabalha com vizinhos muçulmanos, pedem-lhe para ir buscar água. Ela obedece, puxando água de um poço, bebendo ela própria de um copo antes de trazer o recipiente para os outros. Uma das mulheres recusa-se então a beber porque Asia tinha tornado o líquido ‘impuro’. Acusada de blasfémia, segue-se a prisão, a condenação à morte e a fuga da família, entretanto ameaçada também por grupos fundamentalistas… Uma história dramática sempre acompanhada pela Fundação AIS e que só terminou no ano passado com a sua completa absolvição pelo Supremo Tribunal.

Mas, infelizmente, o Paquistão continua a maltratar os cristãos e outras minorias religiosas. Há muitas ‘asias bibi’ O caso do sequestro, em Outubro, em Zia Colony, na cidade de Karachi, de uma jovem cristã de apenas 14 anos, Huma Younus, cujo casamento forçado com um muçulmano foi validado por um tribunal é apenas um exemplo disso. Neste caso, o Tribunal invocou até a ‘sharia’, a lei islâmica, ignorando a própria lei civil que impede a união matrimonial de pessoas menores de idade, mostrando com isso como os cristãos continuam a ser menorizados perante as autoridades judiciais e a sociedade paquistanesa.

Asia Bibi está consciente da importância da sua voz na denúncia destes casos. “Durante a minha detenção, dei a mão a Cristo. É graças a Ele que permaneci de pé e não tive medo!”, diz à Fundação AIS. A sua história é um exemplo também de coragem. Sozinha, na prisão, ameaçada de morte, nunca renunciou à sua fé, mesmo quando lhe disseram que esse seria o caminho mais rápido para a sua libertação. Foi coerente desde o primeiro momento. A sua libertação prova também que a luta pelos direitos das minorias religiosas não deve abrandar nunca, apesar das dificuldades que possam surgir.

O caso desta cristã, que mobilizou milhares de pessoas em todo o mundo e instituições como a Fundação AIS, não pode mais ser ignorado a partir de agora sempre que alguém for acusado injustamente de blasfémia no Paquistão. Passou a haver uma espécie de jurisprudência Asia Bibi. Isso é claramente uma vitória.

A Fundação AIS esteve sempre empenhada, desde a primeira hora, na luta pela libertação desta mulher condenada à morte por blasfémia.

Há um ano, no final de Janeiro de 2019, horas depois de ser conhecida a notícia de que Asia Bibi tinha sido ilibada de todas as acusações pelo Supremo Tribunal de Justiça, e que era finalmente livre, o secretário-geral internacional da Fundação AIS manifestava, em nome da instituição, o seu regozijo e destacava a importância que aquela decisão judicial poderá vir a ter no futuro do Paquistão.

“A decisão judicial é um triunfo dos direitos humanos sobre a intolerância religiosa, uma vitória sobre o ódio dos fanáticos e, acima de tudo, uma felicidade pessoal e uma grande alegria para a Asia Bibi e os seus familiares”, escreveu Philipp Ozores.

O secretário-geral internacional da AIS lembrou, no entanto, que o caso desta mulher cristã, mãe de cinco filhos, exige que se lute igualmente pelos outros cristãos paquistaneses também acusados de blasfémia.

“Após mais de oito anos de incerteza, uma esperança há muito acalentada hoje tornou-se realidade. Uma esperança que também inspira os restantes cristãos paquistaneses acusados de blasfémia como Asia Bibi e que se encontram na prisão ou aguardam a sua execução. A Fundação AIS irá continuar a rezar e a trabalhar com outras organizações e parceiros de projecto no Paquistão. Espera-se – acrescentou então o secretário-geral – que a decisão do tribunal seja finalmente repensada pelo Governo e as leis da blasfémia sejam atenuadas, ou melhor, abolidas”.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   


 

OBSERVATÓRIO: França

 






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01-03-2020

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