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9-3-2020

BURKINA FASO: Violência jihadista está a causar “enorme tragédia”, alerta AIS após visita a campos de deslocados


São já quase 800 mil deslocados em consequência da violência que se tem abatido sobre o Burkina Faso nos últimos tempos. Uma equipa da Fundação AIS visitou nos últimos dias alguns dos locais para onde fugiram estas populações e o cenário é realmente muito preocupante.

Os ataques de grupos jihadistas que semeiam o terror e a destruição estão a provocar uma crise humanitária sem precedentes nesta zona de África. Alessandro Monteduro, o director do secretariado italiano da Fundação AIS, afirma que, se não se agir com rapidez, corre-se mesmo o risco de surgir uma situação semelhante à que ocorreu no Iraque com a comunidade cristã.

“Somente na província de Dori, 110 aldeias foram abandonados”, descreve Alessandro Monteduro, após ter estado em quatro campos de refugiados situados na região de Kaya, no norte do país. Em Pazani, nos arredores da capital Ouagadougou a equipa da Fundação AIS deparou-se com centenas de pessoas que fugiram dos terroristas. “É uma enorme crise humanitária.”

Durante a visita ao Burkina Faso, a equipa da Fundação AIS foi publicando alguns apontamentos na internet que são como notas desta viagem de trabalho. Na região de Dori, por exemplo, houve um encontro com alguns dos catequistas que foram forçados a abandonar as suas casas e as aldeias onde viviam por causa da ameaça “dos extremistas islâmicos” que querem constituir “um novo califado”.

Em todo o lado repetiu-se a mesma realidade: populações em fuga, perdendo todos os seus bens por causa da violência que tem tomado conta não só de vastas áreas do Burkina Faso mas também de alguns dos países vizinhos que constituem o chamado Sahel. “Em Kaya, encontrámos 50 famílias forçadas a deixar a sua aldeia com medo dos jihadistas. Como no Iraque, em 2014”, as populações “estão em fuga”.

Num dos encontros com as estruturas locais da Igreja Católica, Alessandro Monteduro reuniu com o Cardeal Philippe Ouédraogo. O Arcebispo de Ouagadougou mostrou-se perplexo perante a dimensão da violência que tomou conta do país, questionando quem financia os terroristas e quem lhes providencia o armamento. A questão é muito significativa pois não é incomum haver relatos de que as forças de segurança se têm mostrado incapazes de enfrentar os terroristas por terem pior armamento do que eles.

A fuga das populações cria um vazio que dificilmente será ocupado nos tempos mais próximos. O medo afasta as pessoas e sem condições de segurança eficazes as aldeias tornar-se-ão lugares fantasma que representam o triunfo do terror. Escreve Monteduro que, “actualmente, mais de 2.300 escolas estão fechadas”. “Mais de 325 mil crianças não vão à escola e mais de 10 mil professores são afectados pela insegurança causada pelo terrorismo jihadista.” Uma situação terrível que o director italiano da Fundação AIS classifica como “uma enorme tragédia”.

Os ataques contra a comunidade cristã são cada vez mais frequentes neste país africano e ainda no passado mês de Janeiro a Fundação AIS fazia eco das palavras preocupadas de algumas religiosas que alertavam para a existência de “confrontos diários” com grupos terroristas no norte do Burkina Faso.

Duas religiosas, a actual e a anterior superiora geral da Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição, descreveram, em entrevista à Fundação AIS, a situação de caos humanitário que se vive especial no norte do Burkina Faso, onde há uma extensa fronteira com o Mali e o Níger.

Para as Irmãs Pauline e Maria-Bernardette, os incidentes são constantes com ataques por parte de grupos terroristas que lançam o medo e o caos junto das populações. Na região norte do Burkina Faso, explicam estas responsáveis, as irmãs “testemunham confrontos diários” e, em alguns casos, como na localidade de Ban, “os terroristas estavam a 4 quilómetros do convento”.

Perante a situação de insegurança crescente no Burkina Faso, estas duas irmãs lançaram, através da Fundação AIS, um apelo à comunidade internacional agradecendo toda a ajuda material que tem sido dada à Igreja no seu país. “Diante de todas estas dificuldades – dizem as Irmãs Pauline e Maria-Bernardette –, os cristãos não deixam as igrejas, pelo contrário… Rezam ainda mais.”

A onda de terror jihadista que está a espalhar-se implacavelmente pelo Burkina Faso e que as irmãs denunciaram à Fundação AIS foi objecto também de um relatório recente da Human Right Watch. Publicado no início de Janeiro, neste relatório é referido que só desde Abril do ano passado “grupos islâmicos armados” foram responsáveis por “ataques direccionados e execuções sumárias” de mais de 250 pessoas no Burkina Faso.

Segundo esta organização de defesa dos direitos humanos, há um padrão comum nestes ataques “com total desrespeito pela vida humana”: as vítimas pertencem essencialmente à comunidade cristã, são funcionários do governo ou estão, de alguma forma, associados ao Ocidente. Entre as organizações terroristas identificadas pela Human Right Watch estão grupos jihadistas como a al Qaeda, o Ansaroul Islam e o Estado Islâmico do Grande Saara.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Burkina Faso

 






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01-03-2020

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