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12-3-2020

MADAGÁSCAR: “Estão a construir mesquitas em todos os lugares”, denuncia Bispo de Port-Bergé à Fundação AIS


Madagáscar, a gigantesca ilha africana situada ao largo da costa de Moçambique, está a viver um processo de islamização crescente do país, realidade que deixa surpreendida a própria comunidade local. O Bispo de Port-Bergé, D. Georges Varkey Puthiyakulangara, em declarações à Fundação AIS, explica que “o número de muçulmanos está a aumentar rapidamente”, apesar de esta comunidade religiosa ser ainda bastante reduzida, com números que apontam para cerca de 7% ou menos ainda.

“As pessoas vêm do exterior, não sabemos como, e também há recrutamento dentro do país”, diz o prelado, acrescentando que “estão a construir mesquitas em todos os lugares”.

“Somos confrontados com a islamização do país”, diz o Bispo de Port-Bergé à Fundação AIS, explicando que “existe um acordo com o Governo para construir 2400 mesquitas”. E dá o exemplo da sua diocese, onde “não há muçulmanos e, no entanto, estão a ser construídas muitas mesquitas”.

Como explicar isto? “Simultaneamente, diz D. Georges, “vêm para converter as pessoas, através da criação de escolas corânicas e da concessão de bolsas de estudo às crianças que as frequentam”. E dá outro exemplo do aliciamento das populações: “Sabemos que nas universidades as estudantes não muçulmanas recebem três euros por dia para usarem a Burka”. “Eles estão a aproveitar-se da pobreza das pessoas, especialmente dos estudantes que precisam de dinheiro! Cerca de 85% das pessoas vive abaixo do limiar da pobreza.”

No último relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, editado em 2018 pela Fundação AIS, constatava-se já que “a questão do radicalismo e dos seus potenciais riscos, bem como o aumento da presença de muçulmanos estrangeiros, sobretudo no sudeste do país” merecia uma monitorização constante em Madagáscar.

Agora, o relato do Bispo de Port-Bergé vem confirmar alguns dos dados já constantes nesse Relatório, nomeadamente o “envolvimento da Turquia na chegada em larga escala de estrangeiros muçulmanos” para o país, havendo a indicação do “aumento no número de apoiantes do Islamismo wahabi” a quem estariam a ser oferecidos incentivos aos que se convertam, incluindo apoio financeiro e educação (aulas corânicas e estudos universitários).

O Relatório da Fundação AIS apontava também para alguns países que estariam a desempenhar “um papel significativo na propagação do Islamismo” em Madagáscar, nomeadamente o Paquistão, a Turquia e a Arábia Saudita.

Perante esta realidade, D. Georges Varkey define a educação como um dos maiores desafios que se colocam ao país no futuro próximo. “Na minha diocese, cerca de 70% dos jovens são analfabetos porque não há escolas perto, nem meios de transporte ou de comunicação adequados”, diz o Bispo.

Por isso, procurando dinamizar o processo educativo, D. Georges tem procurado incentivar algumas comunidades religiosas para virem para a sua diocese com essa missão. Mas isso está a revelar-se muito complicado. Nem os professores se mostram interessados. “É difícil encontrar professores que venham para regiões tão isoladas.”

A falta de sacerdotes é, de facto, um dos problemas mais graves com que se depara este bispo. A Diocese de Port-Bergé abrange uma área de mais de 33 mil quilómetros quadrados havendo apenas 33 sacerdotes. “Tenho muita necessidade de novas vocações, de missionários para evangelizar e anunciar a Boa Nova”, constata D. Georges.

A par do Islão que está a crescer fortemente no país, há também uma influência muito grande por parte das religiões tradicionais. A feitiçaria tornou-se num sério obstáculo para o trabalho da Igreja. “Há algumas aldeias que estou proibido de visitar devido à sua crença na bruxaria”, diz D. Georges, explicando como esta questão se pode transformar num problema mesmo muito sério. “Por exemplo, uma mulher da minha diocese foi dar aulas de catecismo numa aldeia onde estou proibido de entrar e a casa dela foi incendiada por duas vezes. Ela teve de se mudar. A crença na feitiçaria ainda está muito presente nas aldeias do mato. É devido à falta de educação. As pessoas não conhecem mais nada.”

Por isso, a educação é tão relevante, tanto mais que Madagáscar tem uma população jovem. Na diocese de Port-Bergé, por exemplo, cerca de 53% da população é ainda menor de idade. A aposta da Igreja é, por isso, estruturante para o futuro. “Queremos educar os jovens, a fim de restaurar o seu sentido de dignidade humana, ajudá-los a encontrar trabalho, a educar melhor os seus filhos. Queremos poder falar com eles de Deus e ajudá-los na sua vocação...”

A ilha de Madagáscar foi visitada pelo Papa Francisco em Setembro do ano passado, num périplo africano que incluiu ainda Moçambique e as Ilhas Maurícias. A memória dessa curta passagem pelo país ainda é muito forte e positiva. “A visita do Papa foi verdadeiramente uma bênção para todo o país. Pessoas de todas as religiões reuniram-se para o ouvir, mesmo pessoas que são críticas à Igreja", recorda o prelado. "Havia mais de um milhão de pessoas na Missa do Papa. Todas as pessoas esqueceram os seus problemas durante algum tempo para aproveitar a sua presença, e ele foi verdadeiramente acolhido como um homem de Deus, preocupado com todos. A sua visita deixou uma marca duradoura no coração das pessoas.”

Na entrevista à Fundação AIS, D. Georges Varkey Puthiyakulangara fez questão de agradecer a generosidade dos benfeitores da Ajuda à Igreja que Sofre, que tem permitido auxiliar a sua diocese em áreas cruciais, nomeadamente no trabalho junto da população prisional. “Graças à AIS, pudemos construir uma capela na prisão onde eu era capelão, bem como uma sala para ser usada como biblioteca, onde se ensina o Catecismo e se combate o analfabetismo. Isso – explica o prelado – deu uma nova esperança aos presos e podem ver o rosto misericordioso da Igreja, que existe para os ajudar e, ao mesmo tempo, melhorar as suas condições de vida.”

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt   

 

OBSERVATÓRIO: Madagascar

 






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