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13-3-2020

IRAQUE: O Compromisso do Padre Ragheed Ganni


O Pe. Ragheed foi cobardemente assassinado à porta da Igreja »

 

AMEAÇAS DIRECTAS



O Pe. Ragheed foi um dos muitos padres que estudaram em Roma com a ajuda de uma bolsa de estudo  da Fundação AIS. Embora pudesse ter continuado os estudos em Roma, decidiu regressar ao Iraque porque sentiu  que o seu povo precisava dele.

Já o tinham ameaçado. O Pe. Ragheed  sabia que alguma coisa estaria para acontecer. Cada vez as ameaças eram  mais assustadoras e mais directas. Dias antes do seu assassinato, confidenciou  a um amigo: “Todos os dias esperamos o ataque decisivo, mas não deixaremos de  celebrar a Missa”

 

Queriam que a Igreja do Espírito Santo fechasse portas, que os Cristãos deixassem  de ter um lugar de culto, ali, no bairro de Nur, em Mossul. Nesse Domingo,  3 de Junho, tudo se precipitou. Depois de ter celebrado Missa, como  fazia habitualmente, o Pe. Ragheed foi  interpelado, já fora da igreja, por um grupo de homens armados. Obrigaram-no a sair do carro e um deles gritou-lhe:  “Mandei-te fechar a igreja. Porque não o fizeste? Porque é que ainda aqui estás?” 

 

O Pe. Ragheed estava acompanhado por três diáconos. Algumas pessoas que se encontravam ali perto recordam a sua resposta. As suas últimas palavras foram: “Como é que eu posso fechar a Casa de Deus?”

 

Mal pronunciou estas palavras, foi atirado para o chão e o seu corpo foi  metralhado vezes sem conta. O mesmo aconteceu com os três diáconos que o acompanhavam. 

 

 

Testemunho de Rami Albahadrey

 

Vivo em Karamlesh, uma pequena aldeia no norte do Iraque. As pessoas aqui são muito afáveis e pacíficas. Por isso nunca suspeitei que algo tão terrível pudesse acontecer-nos.
 
O Pe. Ragheed Ganni era um homem sensato, amável, disponível,  dedicado e atencioso que trabalhou muito arduamente em favor do seu povo.
 
Em 2007, depois da Missa, o Pe. Ragheed e três  diáconos foram mortos por jihadistas. Mas o pior estava ainda para vir. Muitos cristãos  foram mortos somente porque temos a nossa religião escrita nos nossos bilhetes  de identidade.
 
“Masihi” que significa “cristão”. Os jihadistas transformaram as  nossas casas em instalações militares. A Igreja de Santa Bárbara passou a ser o seu  principal quartel-general. Escreveram na  parede da igreja:
 
“Nunca mais haverá Cristianismo no Iraque”. Mas não o conseguiram.  Graças a Deus, os Católicos  iraquianos estão a regressar.
 
Não esquecemos o que aconteceu aos  Cristãos perseguidos: Mártires cristãos. O Pe. Ragheed disse: “Sou Cristão com orgulho.  Continuarei Cristo. Nós temos a fé. Deus  está connosco e jamais desistiremos.”

 

 

O seu assassinato foi um prenúncio da perseguição atroz aos Cristãos que iria  acontecer.

 

Em Agosto de 2014 não houve nenhum  poder que ajudasse os Cristãos no Iraque quando tiveram que fugir de Qaraqosh e a  maior cidade cristã do país caiu nas mãos  sangrentas do Estado Islâmico. Os que ficaram para trás foram assassinados ou  escravizados, milhares de casas, 11 igrejas e 70 edifícios pertencentes às igrejas  foram incendiados e símbolos religiosos  destruídos. Mas com a ajuda da Fundação AIS os Cristãos estão a regressar.  

 

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