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22-3-2020

SÍRIA. Religiosa portuguesa alerta para cenário de catástrofe horas antes de ter sido anunciado primeiro caso de Covid 19


Oficialmente, a Síria já tem um caso de Covid 19. Ontem, domingo, o ministro da Saúde anunciou o primeiro caso de coronavírus, informando que se trata de alguém vindo do exterior. Horas antes, desde o Mosteiro de São Tiago Mutilado, onde vive, a Irmã Maria Lúcia Ferreira enviava uma mensagem para a Fundação AIS onde dava conta precisamente do receio de uma eventual epidemia no país, reconhecendo que, por causa da guerra, muitos hospitais foram destruídos e as estruturas médicas estão sem meios adequados para enfrentar uma situação semelhante à que se está a viver em vários países do mundo.

“Esperemos que o vírus não venha”, diz a irmã na mensagem áudio enviada para Lisboa este fim-de-semana. “Se entra o vírus na Síria nós seremos incapazes de controlar a situação porque [este] é um país em guerra, muitos hospitais foram destruídos, há pouco pessoal médico, há muita emigração e não temos os meios, não temos os meios técnicos nem o material para fazer face a uma tal epidemia.”

Maria Lúcia Ferreira, conhecida como Irmã Myri, revela-se sobretudo preocupada pelas consequências que podem advir se o governo de Damasco impuser, como está a acontecer um pouco por todo o lado, fortes medidas restritivas para as populações, nomeadamente períodos de quarentena em casa.

Por causa do conflito armado – a Síria entrou no passado dia 15 de Março no décimo ano consecutivo de guerra – além da destruição das infra-estruturas que a Irmã Myri referiu, há ainda a considerar o descalabro da economia, fruto também da imposição de sanções impostas pela União Europeia e Estados Unidos. Isso reflecte-se, diz a religiosa portuguesa, no empobrecimento das populações. “Há muita gente que se alimenta mal e não tem as defesas necessárias no seu corpo”, afirma a irmã, acrescentando que se o governo impuser a quarentena obrigatória, “as pessoas não têm dinheiro para trazer alimentos para ficarem fechadas em casa durante várias semanas”. “Não têm, não há dinheiro, não há possibilidade [disso]”, diz.

O facto de só agora ter surgido o primeiro caso de Covid 19 na Síria foi encarado com alguma desconfiança até no próprio país. A Irmã Myri afirma que “toda a gente sabe que houve no Irão um foco muito grande e o Irão tem muitas relações aqui com o Líbano e a Síria. E no Líbano começou a haver casos e toda a gente ficou em grande pânico e angustiada”.

O governo de Damasco já lançou, no entanto, algumas medidas preventivas, nomeadamente o encerramento de escolas e universidades. Por causa do tempo de Quaresma que se está a viver, a Irmã Maria Lúcia Ferreira, que pertence à Congregação das Monjas da Unidade de Antioquia, está em retiro. Por causa disso, diz que não sabe muito bem como está a decorrer “a vida concreta [lá fora], mas dos ecos que nos chegam, as pessoas fazem tenção de lavar as mãos e assim…. Também o Patriarca greco-católico parou todas as actividades das paróquias. Não sei o que se passa com as outras igrejas.”

Recentemente, a Irmã Myri tinha alertado para as condições dramáticas em que se encontram as populações que vivem na zona montanhosa do Qalamoun, uma região tradicionalmente cristã situada perto da fronteira com o Líbano. Por causa de um inverno particularmente rigoroso e das consequências da infindável guerra, aquela região tem-se debatido com falhas constantes no fornecimento de electricidade, o que vem agravar ainda mais as condições já duras do dia-a-dia de muitas famílias.

A religiosa portuguesa deu exemplos dramáticos desta realidade, como o caso de uma família que já se viu obrigada a queimar roupa antiga, que já não usa, para aquecer a própria casa. “Nós temos aqui uma senhora que conhecemos bem pois tem uma menina que é deficiente, e então ela dizia que [não tinha] nem electricidade nem gás – o gás é raro, bastante raro no país –,nem mazouk [combustível] para aquecer as caldeiras. Então [disse ela], ‘para que a Maria, a minha menina se aqueça, temos estado a queimar roupa que já não utilizamos.’”

Na mensagem enviada para Lisboa, a irmã portuguesa faz referência ainda a outras situações, a pessoas que estão a sobreviver “a pão e água”, e pede a solidariedade e as orações de todos pelo povo sírio. “Gostava de pedir que nos acompanhassem com a vossa oração por este povo que está realmente na provação.”

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

OBSERVATÓRIO: Síria

 






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01-03-2020

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