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Ásia
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   Muçulmanos
   Cristãos
   Outras Religiões
Católicos Baptizados
304.000
Circunscrições Eclesiásticas
17
Superfície
438.317
População
31.466.698
Refugiados
35.189
Desalojados
1.332.382
Iraque

Torturado por uma instabilidade crónica desde a queda do regime de Saddam Hussein, no seguimento da invasão norte-americana (2003), o Estado iraquiano não tem sido capaz de dar segurança à sua própria população. Os membros das minorias religiosas e étnicas, sobretudo os cristãos, são os mais expostos à violência sectária, que causa um êxodo sem fim.

Constituindo cerca de um milhão em 2003, calcula-se que os cristãos (pertencentes a catorze Igrejas diferentes) não sejam agora mais de cerca de 300.000. Alguns mudaram-se para a região autónoma do Curdistão iraquiano, onde os seus números passaram de 30.000 em 2003 para 100.000 hoje em dia.

No entanto, mesmo aí não é seguro, pois os ataques anticristãos que continuaram ao longo de 2010 e 2011 revelam, sobretudo da parte de muçulmanos que se identificam com a União Islâmica do Curdistão, um partido islâmico ligado à Irmandade Muçulmana. A insegurança nesta província piorou tanto que muitos cristãos apenas aí permanecem temporariamente.

Ainda assim, o Monsenhor Louis Sako, Arcebispo caldeu de Kirkuk, conseguiu inaugurar uma nova igreja dedicada a S. Paulo, na aldeia de Sikanayan, num terreno doado pelo Governo central. Foi a primeira vez que foi permitido construir um local de culto da Igreja Caldeia no Iraque desde 2003.

Muitos cristãos encontraram refúgio nos países vizinhos do Iraque (Jordânia, Síria, Líbano e Turquia), onde vivem em condições precárias enquanto aguardam vistos para o Ocidente.

De acordo com o Monsenhor Basile Georges Casmoussa, Arcebispo Emérito sírio-católico de Mossul, “80% dos nossos jovens estão a abandonar o país ou a sonhar sair”.  Para o Monsenhor Shlomo Warduni, Bispo Auxiliar do Patriarcado Caldeu (Bagdade), “a emigração está a destruir a nossa cultura, história, fé, igrejas e paroquianos. É uma doença contagiosa e perigosa contra a qual não podemos fazer nada.”

Estas minorias também estão sujeitas à sharia (lei islâmica, a única fonte de jurisprudência). Isto desvaloriza os cristãos e coloca-os numa situação de desigualdade, porque as minorias também estão sub-representadas nas instituições estatais. Daí que em Julho de 2010 um grupo de setenta e seis delegados de grupos cristãos e outras minorias (yazidis, sabeus, etc.) tenha lançado um pedido de ajuda para incentivar o retorno de refugiados, bem como alterações constitucionais que salvaguardem os seus direitos.

O Monsenhor Casmoussa listou muitos actos de injustiça contra os cristãos. Um desses casos tem a ver com o sistema escolar. Se houver um único muçulmano numa turma de crianças cristãs, esse muçulmano tem direito a instrução religiosa muçulmana, enquanto os cristãos têm de representar 51% da turma para poderem exercer o mesmo direito.

Ao nível cultura, o Governo iraquiano pós-Saddam Hussein cancelou uma autorização dada às Igrejas para abrirem um museu.  Para o Monsenhor Casmoussa, “muitos representantes do Governo estão contra nós.”

Os cristãos também estão a enfrentar a progressiva re-islamização da sociedade iraquiana. Diversos grupos muçulmanos estão a exigir que os cristãos paguem o imposto individual islâmico (a Jizya) e estão a procurar impor um código de vestuário rígido às mulheres cristãs. De facto, de acordo com o Arcediago Emmanuel Youkhana, muitas mulheres não saem de casa sem usar o véu islâmico por causa da pressão social.

Algumas autoridades religiosas muçulmanas de topo estão agora a exigir a segregação entre alunos e alunas nas universidades. Finalmente, a Faculdade de Música da Universidade de Bagdade foi encerrada porque a música é considerada incompatível com a interpretação fundamentalista da sharia.

Na sua página de Internet, o grupo islamista Ansar al Islam colocou uma carta que diz: “O secretário-geral da […] brigada islâmica decidiu dar aos cruzados cristãos infiéis de Bagdade e de outras províncias um aviso final para que abandonem imediatamente e de forma permanente o Iraque e se juntem a Bento XVI e aos seus seguidores que espezinharam os grandes símbolos da humanidade e do Islão […]. Não haverá lugar para os infiéis cristãos a partir de agora […]. Os que permanecerem terão as suas gargantas cortadas.”


Violência anticristã

O ano de 2010 foi marcado pelo ataque contra a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Bagdade a 31 de Outubro, véspera de Todos os Santos. Durante a celebração da missa, um grupo constituído por uma dúzia de terroristas armados entrou no edifício. Dispararam e mataram imediatamente um sacerdote e dois fiéis, e fizeram reféns outros sacerdotes e cerca de 300 fiéis. Os atacantes também dispararam sobre o crucifixo com as suas metralhadoras, escarnecendo e dizendo: “Digam-Lhe que vos salve.”

O assalto por parte de militares iraquianos com apoio norte-americano, quatro horas depois de ter tido início o ataque, resultou na morte de cinquenta e oito reféns, incluindo dois jovens sacerdotes, o P. Wassim Sabih e o P. Thaer Saadallah Boutros, e no ferimento de sessenta e sete pessoas, incluindo um sacerdote, o P. Rafael Alkotaily.

Uma organização ligada à al-Qaeda, o Estado Islâmico do Iraque, reivindicou responsabilidade pelo ataque. Numa declaração, disse: “Cada cristão, as suas organizações e instituições, bem como os seus líderes, onde quer que estejam, são alvos legítimos para os mujahidin.”

O ataque foi o mais sangrento incidente anticristão no Iraque desde 2003. Ocorreu uma semana após o Sínodo Extraordinário dos Bispos do Médio Oriente, realizado em Roma de 10 a 24 de Outubro e presidido pelo Papa Bento XVI. No final dos procedimentos, a assembleia tinha chamado a atenção para a situação dos cristãos na região, em especial no Iraque.

Dez dias após a tragédia, muitos lares e lojas cristãos foram atacados, fazendo seis mortos e trinta e três feridos. O mesmo grupo terrorista reivindicou responsabilidade por todos os treze incidentes mortais distintos.

A 30 de Novembro de 2010, Fadi Walid Gabriel, um jovem engenheiro, foi assassinado em Mossul. Em protesto contra o seu assassínio, representantes cristãos, incluindo muitos bispos, abandonaram a conferência sobre ‘Coexistência e tolerância social’, organizada pelo Ministério dos Direitos Humanos iraquiano em Erbil, a capital do Curdistão iraquiano. Apenas regressaram após a sua exigência de protecção ter sido incluída no manifesto escrito no final do encontro.

Tendo em conta a situação, os líderes religiosos de Bagdade, Kirkuk, Mossul e Bassorá anunciaram o cancelamento da Missa do Galo, das celebrações cristãs e das decorações da época.

O ano de 2011 viu mais ataques anticristãos.

No início de Maio, Ashur Yacob Issa foi raptado e assassinado em Mossul porque a sua família não podia pagar o resgate de 100.000 dólares exigido pelos raptores.

A 31 de Maio, um cristão ortodoxo, Arakan Yacob, foi também assassinado em Mossul.

A 2 de Agosto, um carro bomba explodiu em frente a uma igreja em Kirkuk. Treze pessoas ficaram feridas, incluindo o pároco, P. Imad Yalda. A polícia desactivou mais dois carros bomba perto de locais cristãos, a Igreja de S. Jorge e uma escola.

A 15 de Agosto, a Igreja Síria-Ortodoxa de Santo Efraim de Kirkuk foi seriamente danificada por um engenho explosivo.

A 2 de Outubro, Bassam Paolous, um cristão caldeu, foi morto no restaurante onde trabalhava em Mossul. Tinha acabado de se mudar para Telkaif, uma vila de maioria cristã, para afastar a sua família do perigo.

A 1 e 2 de Outubro, dois cristãos, Bassam Isho e Emmanuel Hanna Polos, foram mortos em Kirkuk.

A 11 de Dezembro de 2011, Adnan Elia Jakmakji e a sua mulher Raghad El Tawil foram assassinados em Mossul.


Violência endémica

Muitos ataques ocorreram em ligação com o conflito sangrento que está em curso entre xiitas e sunitas desde a queda do regime de Saddam Hussein.  Entre os muçulmanos, o derramamento de sangue sectário parece ser imparável, sobretudo durante as principais celebrações, que atraem grandes multidões.

Hoje em dia, embora o número de ataques pareça ter diminuído quando comparado com os primeiros anos da guerra, o número de mortos vai aumentando e diminuindo. Por exemplo, só no mês de Maio de 2012, 132 iraquianos morreram em actos de violência .



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