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Líbano

Ao nível institucional, não houve alterações ao estatuto da liberdade religiosa ou à natureza confessional do Estado libanês.

Alguns movimentos sociais e políticos são a favor da separação total entre o Estado e a religião, o que levaria a uma remoção do estatuto confessional da instituição do Estado. No entanto, alguns líderes cristãos opõem-se a essa reforma, excepto se os muçulmanos forem alvo de uma genuína transformação cultural. O seu receio é de que essa mudança possa permitir que os muçulmanos assumam o controlo de todas as instituições do Estado e que venham a dominar a administração pública, uma vez que o seu peso demográfico é maior do que o dos cristãos.

Ainda assim, foi dado um passo em frente em direcção a um maior secularismo em 2009, quando o ministro do Interior Ziyad Baroud deu aos cidadãos libaneses o direito de deixarem de referir a sua filiação religiosa nos registos estatísticos vitais. A filiação religiosa já tinha sido retirada dos documentos de identificação imediatamente após a guerra civil de 1990, porque muitos libaneses tinham sido detidos ou assassinados com base nos seus documentos de identificação durante o conflito.

Beshara Rai, Bispo de Jbeil-Byblos, tornou-se no primeiro patriarca maronita a 15 de Março de 2011. Diversos líderes dos muitos grupos religiosos do país expressaram satisfação pela escolha. O primeiro-ministro libanês Naguib Miqati acolheu com alegria a notícia da eleição do novo bispo. Depois da sua visita à Sé Patriarcal em Bkerké, disse: “Desejamos o melhor ao novo patriarca, esperando que ele seja capaz de servir o Líbano e o seu povo e contribuir para uma maior unidade nacional, porque essa é a base da existência da nação.”

Muhammad al-Sammak, conselheiro do jurisconsulto supremo do Líbano, descreveu o novo patriarca como “um pioneiro no trabalho pela unidade cristã e libanesa. Ele tem uma grande cultura ecuménica e uma grande fé na unidade cristã.” (1)

Em Junho de 2011, o Patriarca Rai convocou trinta e quatro líderes políticos maronitas do partido no Governo e da oposição para discutir a separação da religião em relação à política, a “defesa” das terras cristãs, uma maior representação cristã nas instituições públicas e a promoção do bem comum para “a melhoria do país, da sociedade e do Governo”. Foi também criado um comité para promover futuros encontros. (2)

Uma cimeira cristã-muçulmana realizou-se a 27 de Setembro de 2011 em Dar El-Fatwa, a residência oficial do jurisconsulto supremo (Sunita) do Líbano, o Xeque Muhammad Rashid al-Qabbani. Os participantes concentraram a sua discussão na situação na Síria, especificamente no perigo de o país cair nas mãos de movimentos extremistas, e no que isso pode representar para a sobrevivência da comunidade cristã da Síria. O Patriarca greco-católico melquita Gregorios III Laham foi o único representante sírio. O Patriarca maronita organizou a cimeira na sequência da que foi realizada a 16 de Maio de 2011 em Bkerké, sede do Patriarcado.

O comunicado de imprensa final referiu que “a presença de cristãos no Médio Oriente é uma presença histórica e autêntica e o seu papel em diferentes países é essencial e necessário”. O comunicado focou ainda a necessidade de “proteger os movimentos emancipatórios que existem agora no mundo árabe de tendências que mudariam a sua natureza e levantariam preocupações. É necessário permanecer agarrado à natureza secular do Estado, baseada na cidadania.” Finalmente, o comunicado de imprensa referiu que “toda a interferência estrangeira nos assuntos internos da região deveria ser proibida, assim como todos os tipos de opressão e violência”. (3)

Numa conferência realizada a 18 de Novembro organizada pela Universidade do Espírito Santo, que é filiada na Ordem Maronita libanesa, o Patriarca maronita, Mons. Beshara Rai, falou na presença de membros do Parlamento Europeu, da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, do Parlamento libanês e da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia. No seu discurso, incitou os participantes a terem cuidado com a “Primavera Árabe”, que ele receia que leve a “conflitos confessionais, a regimes mais duros e a uma divisão confessional da região”.

O Mons. Gabriele Caccia, Núncio Apostólico no Líbano, esteve na conferência. No seu discurso, reiterou a vocação do Líbano para a unidade na diversidade. Embora seja “um país pequeno, pode ser comparado a um laboratório”, disse. “Num mundo que se está a tornar cada mais multicultural, multiétnico e multiconfessional, a experiência do País dos Cedros é confortante. Dá-nos força, pois mostra que um mundo que respeita a dignidade humana e a pluralidade das tradições culturais baseadas na liberdade religiosa e na liberdade de consciência não é apenas um sonho pelo qual lutar, mas também uma realidade possível que já se concretiza em parte.” Neste sentido, “A reconstrução de uma sinagoga no centro de Beirute é um sinal eloquente de esperança para um futuro no qual a paz foi finalmente alcançada”, acrescentou.

A 28 de Novembro de 2011, Bento XVI recebeu em audiência o primeiro-ministro libanês Najib Miqati. Nessa ocasião, o primeiro-ministro convidou o Santo Padre a visitar o país do Médio Oriente, (4) viagem que o Papa realizou com grande sucesso em Setembro de 2012.


(1)  “Béchara Raï, una nuova speranza per i maroniti”, in Zenit.org, 23 de Março de 2011.
(2)  “Lebanese Christians seek unity despite political differences”, in AsiaNews, 2 de Junho de 2011.
(3)  JPG, “Muslim-Christian Summit in Beirut on Syria: No to the Islamic Radical Drift,” AsiaNews, 28 de Setembro de 2011.
(4)  Zenit.org, 29 de Novembro de 2011.



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