A “tríade” – informação, oração, acção – é o tripé em que assenta toda a missão da Fundação AIS. A oração está no centro desta missão, porque é ela que eleva a informação a anúncio e transforma a acção em obra de Deus. Um dos primeiros projectos da Fundação AIS criados pelo Padre Werenfried foram as “Fortalezas para Deus”, aqueles edifícios conventuais ao longo da Cortina de Ferro, que prepararam e possibilitaram, precisamente pela oração, a ajuda à Igreja no bloco de Leste comunista.
O combate pela oração tem que preceder qualquer outro combate pela justiça e pela paz. Só se ganharmos o combate pela oração, poderemos ganhar todos os outros combates no mundo, também na nossa vida pessoal. Muitas vezes ouve-se dizer: “Só nos resta rezar.” É mesmo verdade! Sobretudo se, em vez de desesperarmos com a situação da nossa vida e do mundo, ousarmos rezar. No entanto, a expressão citada não coloca Deus no devido lugar. Pois a oração não devia ser a “ultima ratio”, isto é, a última saída, mas a “prima ratio”, ou seja, o começo, o princípio.
Rezar transforma, de facto, o mundo. Traz Deus para os acontecimentos, o que Ele, porém, não quer sem a nossa liberdade. A oração é uma força poderosa. Pode até anular leis da natureza e vencer qualquer obstáculo. É participação na omnipotência de Deus. Quando quem reza interfere no andamento das coisas, transforma as relações de causa/efeito no mundo. Onde há alguém a rezar, a graça divina introduz-se no enredo das forças destrutivas. E Deus não quer apenas que Le peçamos para intervir; quer antes conceder-nos a dignidade da co-autoria através da oração. A oração não é um passeio lúdico. Rezar pode implicar muito esforço. Mas, quanto mais rezamos, mais alegria sentimos a rezar. Santa Teresa de Ávila assegura-nos: rezar assim leva a uma elevação genuína da alma a Deus, ao diálogo frequente com Ele, a uma amizade profunda com Aquele que me ama infinitamente. Quem reza assim, transforma-se, no seu ser e também no seu agir. Não posso rezar seriamente pela paz e não fazer nada pela paz. Não posso rezar pelos famintos e miseráveis e deixar ficar tudo como está. “Não seria incompreensível,” perguntava o fundador da Fundação AIS, “suplicar uma graça a Deus, sem estar disposto a colaborar nessa graça?”
Queridos amigos: com a vossa ajuda, podemos erigir no mundo inteiro, também hoje, muitas fortalezas para Deus, bastiões da oração. Sobretudo nos conventos contemplativos, os irmãos e irmãs mantêm incansavelmente as mãos elevadas ao céu, como Moisés, e lutam por nós na oração. Criemos espaço na nossa vida para Deus; Ele espera 24 horas por nós.
Abençoa-vos, grato, o vosso