Junto ao seu nome, na pagela da sua Missa nova, um padre escreveu apenas uma palavra grega: “Eucharistomen” – “Damos graças”. Esta expressão também nos move a nós, quando vos apresentamos o relatório anual nesta edição do Boletim. “Obrigado” é uma palavra muito humana, é a fórmula mais breve com a qual exprimimos que nos sabemos presenteados. Vivemos todos uns dos outros. Este facto, muitas vezes, passa-nos despercebido, porque podemos comprar muitos serviços de assistência. Assim, um gesto de ajuda torna-se numa prestação de serviços, uma doação livre numa entrega garantida contratualmente. E a verdade é que, no fundo, o homem vive só daquilo que não se pode pagar: vida, liberdade, graça – tudo isso é impagável. Aquilo que podemos comprar – prazeres, conforto, educação, vivências, seguros, e, dentro do possível, até saúde –, quando muito, pode satisfazer-nos, mas não nos pode fazer verdadeiramente felizes.
Daí que a gratidão nos conduza ao amor incondicional de Deus, que se dá livre e gratuitamente, só por nossa causa, simplesmente porque nos quer bem. Deus queria que experimentássemos este dom do Seu amor, não só pela encarnação do Seu Filho, mas também pela Sagrada Eucaristia. Eucaristia significa acção de graças. Antes de o Senhor nos dar a Sua presença permanente, transformou a Cruz, o sofrimento, todo o mal deste mundo em acção de graças e assim também em bênção. Jesus entregou o Seu corpo ao mundo para curar as nossas feridas. A gratidão a Deus impele-nos a ir em socorro dos outros, mesmo correndo o perigo de ficarmos magoados. Precisamos da Eucaristia para superar o nosso medo e o nosso egoísmo.
Queridos amigos, tudo o que podemos realizar com a vossa ajuda vai buscar a sua força ao Santíssimo Sacramento do Altar e está fundado n’Ele. Como o próprio Senhor quer estar presente entre nós na Eucaristia, construímos igrejas, ajudamos seminaristas, padres e religiosos, e formamos catequistas. A Eucaristia é o dom mais precioso e necessário. O Santo Cura de Ars formulava-o assim: “Todos os tesouros deste mundo são insuficientes para saciar a alma. O próprio Deus tem que ser o seu alimento. Que elevação, pois, a do ser humano, se só Deus o pode saciar.” Aproximemo-nos com frequência do Santíssimo Sacramento. Ele está presente! Totalmente grátis. Depende do amor ao Senhor na Eucaristia se o mundo decai na sua miséria e ingratidão ou se se santifica. Por isso, São Peter Julian Eymard disse: “A Sagrada Eucaristia não é só a vida de cada cristão; é também a vida dos povos. Um século progride ou regride na medida em que o Santíssimo Sacramento é adorado.”
Abençoa-vos, grato, o vosso
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Pe. Martin M. Barta
Assistente Espiritual da AIS Internacional