A Bíblia é um livro de superlativos. É o livro mais traduzido, o mais divulgado, o mais comprado e ainda o mais lido do mundo. É mais do que um livro que se lê uma vez e que depois fica a ganhar pó na prateleira. A Bíblia fala de Deus, mas antes de mais é a Palavra de Deus para nós. Na Sagrada Escritura, Deus dirige-se pessoalmente a mim como numa mensagem por SMS ou – mais bonito ainda –como numa carta de amor. Quem é que não desejaria receber uma carta ou uma mensagem directamente de Deus?
A Bíblia está escrita sob a direcção do Espírito Santo. Mas, claro, os autores dos livros bíblicos eram homens do seu tempo e usavam palavras humanas correspondentes para exprimir verdades divinas. Daí que os textos se devam ler, considerando o respectivo contexto histórico e cultural. No entanto, mesmo numa análise aprofundada dos textos bíblicos, a fé da Igreja faz-nos intuir algo maior do que uma obra literária. A fé em Jesus, Filho de Deus, confere uma unidade interna à Bíblia e é a chave da interpretação de toda a Sagrada Escritura. Na figura histórica de Jesus, a Palavra de Deus encarna, rompendo ao mesmo tempo todas as categorias histórico-críticas. Só se acreditarmos que o Evangelho nos descreve o verdadeiro Jesus é que a Sagrada Escritura se nos revelará como a história maravilhosa do plano de salvação de Deus.
“Na verdade, a palavra de Deus é viva, eficaz e mais afiada que uma espada de dois gumes” (Heb 4,12). A Palavra de Deus penetra nos sentimentos e intenções do coração, contradiz ideologias e julga manifestos olíticos. “A Bíblia é um livro que é como fogo”, diz o Papa Francisco no seu prefácio à Bíblia para jovens, YOUCAT. E cita Mahatma Gandhi: “A vós, Cristãos, foi confiado um texto que alberga em si dinamite suficiente para fazer explodir em mil pedaços a civilização inteira, para virar o mundo de cabeça para baixo e levar a paz a um planeta devastado pela guerra. Mas tra-tam-no como se fosse simplesmente uma obra literária – nada mais.” Sim, por causa da força explosiva da Sagrada Escritura é que os Cristãos são perseguidos, presos e mortos em muitos países, só porque possuem uma Bíblia ou porque anunciam a Palavra de Deus...
Queridos amigos, por um simples livro, ninguém morreria – por uma declaração de amor, sim! Por isso, voltemos a pôr a Sagrada Escritura num lugar central das nossas casas, voltemos a lê-la com frequência e a rezar com ela. Quanto mais guardarmos a Palavra de Deus no nosso coração e a concretizarmos, como Nossa Senhora, tanto mais o sentido da Sagrada Escritura se nos revelará, levando-nos a compreender a plenitude do amor de Deus com cada vez maior profundidade.
Abençoa-vos, grato, o vosso
Pe. Martin M. Barta
Assistente Espiritual da AIS Internacional