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Há 70 anos, o P. Werenfried van Straaten descreveu o extremo sofrimento dos refugiados de guerra como “sofrimento de Cristo”. Fê-lo no seu conhecido artigo sobre o Natal (“Sem lugar na estalagem”). Infelizmente, em 2017, o título a dar ao tempo de Advento e à festa de Natal seria: “Ainda sem lugar para Ele na estalagem”. Após seis anos de guerra e de genocídio no Médio Oriente, a situação dos Cristãos deixou de fazer manchetes. Entretanto, o terrorismo alastrou para o mundo inteiro, procurando- se quase sem esperança tomar medidas de segurança e encontrar soluções. Apesar destes tempos de escuridão, preparamo-nos para o Natal. Sim, precisamente por causa desta escuridão, devemos celebrar a festa da luz para experimentar renovadamente a presença de Jesus, José e Maria. Eles procuraram e encontraram só um estábulo. Mas, graças a eles, o Céu desceu a esta terra.
Pois o Natal é a festa da Encarnação. Deus faz-Se homem para salvar o mundo. Para que este milagre se possa continuar a repetir, Deus precisa da fé dos homens, uma fé que seja vivida. A fé de Maria e de José é para nós um exemplo. José reza de todo o coração para compreender o plano de Deus e deita mãos à obra. Quantos preparativos terá ele feito para o nascimento do Deus Menino, como pequeno “construtor”! Quanto lhe deve ter custado ter apenas uma manjedoura para oferecer ao Menino Jesus, em Belém, ter que viver em casa alheia durante dois anos e depois ainda ter que fugir para o Egipto (Mt 2,11- 16)! Com quanta perseverança suportou São José todas estas dificuldades, humilhações e reveses, e como superou tudo isso para dar espaço a Deus! A fé de José salvou a vida do Filho de Deus. Ele era um santo muito humano, protegeu a sua mulher e o Menino, cuidou deles e trabalhou para eles, amou-os como ninguém.
Queridos amigos, imitemos São José na sua confiança em Deus. Vivamos inspirados pelo Natal, apesar das atrocidades cometidas neste mundo. Sejamos, como São José, “construtores ao serviço de Deus”, encontrando tempo para nos deixarmos inspirar por Ele e para depois deitarmos mãos à obra. Com São José, os Cristãos no Médio Oriente tiveram que suportar um longo período de exílio, de insegurança e de busca de uma ”estalagem”. Agora é altura de encontrar para eles um lugar na sua pátria. Eles têm esperança em muitas pessoas como José, que os ajudam a reerguer os lugares, igrejas e conventos destruídos para poderem aí permanecer como testemunhas da Encarnação, como testemunhas do amor e da reconciliação.
Um Natal cheio de Graça e um abençoado Ano Novo para vós e para as vossas famílias é o que deseja, grato, o vosso
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Pe. Martin M. Barta
Assistente Espiritual da AIS Internacional
