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11 janeiro 2020
Os seminaristas da Igreja Clandestina

Ainda hoje é quase impossível esquecer os tempos duros de perseguição aos Cristãos na era soviética. Na Ucrânia, persistem ainda memórias dos longos dias em que a fé era vivida em segredo. Apesar dos riscos e das ameaças, nunca nesses anos negros a Igreja deixou de formar seminaristas.

Ucrânia. Ainda hoje há quem se comova ao recordar os seminários clandestinos, as Missas ditas em surdina, os anos de fome decretados por Moscovo como se fosse um castigo… D. Svyastoslav Shevchuk era ainda muito jovem quando decidiu que  queria seguir a vida religiosa, queria ser sacerdote. Eram tempos duros os que se viviam então na Ucrânia, um dos países da União Soviética. A perseguição implacável do regime comunista não poupou ninguém. Muito menos a Igreja.
 
Por isso, na memória do Arcebispo-Maior da Igreja Greco-Católica da Ucrânia, está presente com enorme nitidez o dia em que um padre foi a casa dos seus pais para celebrar a Missa.  

Na Ucrânia, persistem ainda memórias dos longos dias em que a fé era vivida em segredo.

Esta foto foi enviada à Fundação AIS por católicos ucranianos que se reuniram para rezar no exterior da sua igreja confiscada pelas  autoridades. Numa carta datada de 28 de Outubro de 1979, explicam o que estão a fazer: “Vamos à nossa igreja fechada todos os Domingos. Os sacerdotes heróicos que não têm medo de celebrar a missa vêm pelo menos uma vez por mês. (…) Muitos de nós foram presos…  Esperamos que o Santo Padre faça o que puder por nós.”

Ainda hoje, quando recorda esse padre, Shevchuk fala em “exemplo notável da vida sacerdotal na Igreja perseguida”. Era proibido, mas o padre não teve medo e foi. Arriscou tudo. Até a prisão, a tortura, ser enviado para os tenebrosos 'Gulags', os campos de concentração. Mas foi. 
 
Os 'Gulags' eram campos de trabalho forçado da ex-União Soviética (URSS), criados após a Revolução Comunista de 1917 para abrigar criminosos e “inimigos” do Estado. Os maiores 'Gulags' ficavam em regiões geográficas quase inacessíveis, com condições climáticas extremas, forçados a trabalho pesado, alimentação reduzida e sem condições sanitárias.

MATAR À FOME

Foi uma decisão arriscada. A Ucrânia vivia tempos muito duros. Os fiéis eram forçados a viver a sua fé em segredo. As Igrejas foram perseguidas, muitos  templos passaram para as mãos do Estado, não havendo lugar que escapasse  ao punho de ferro imposto por Moscovo. O sofrimento dos Ucranianos foi brutal. Até fome chegaram a passar. Em Novembro do ano passado, o Papa Francisco lembrou uma das campanhas impostas por Estaline e que dizimou milhões de pessoas na Ucrânia. 
 
Foi o Holodomor. O extermínio pela fome. O Papa recordou esses  tempos como uma “imagem dolorosa”, pedindo que “tais tragédias não  se repitam”. Foi principalmente entre os anos de 1932 e 1933. A Ucrânia  funcionava como uma espécie de celeiro e Estaline decidiu desviar praticamente toda a produção para alimentar a União Soviética. Calcula-se que terão morrido de fome cerca de 5 milhões de pessoas.   


Um terço feito de pão e uma minúscula bíblia de casca de bétula. Secretamente e com imensa coragem, os prisioneiros dos 'Gulags' produziam objectos que os ajudavam a rezar.
 
ESCONDER A FÉ

Foi neste ambiente de perseguição impiedosa que Shevchuk decidiu que queria ser sacerdote para o resto da sua vida. “Pertenci à comunidade do seminário clandestino durante a era comunista. Foi um tempo de perseguição e nós tivemos de esconder  a nossa fé”, recorda.  

Foi também um tempo de crescimento. O ambiente de perseguição trouxe uma consciência de pertença mais robusta. Alimentou a própria comunidade. D. Svyastoslav Shevchuk estudou graças também à  Fundação AIS. Foi um dos inúmeros seminaristas apoiados directamente graças à generosidade dos benfeitores da Fundação AIS. Hoje, D. Svyastoslav é o líder da Igreja Ucraniana Católica Grega e representa cerca de cinco milhões de fiéis em todo o mundo. São católicos de rito bizantino e estão em comunhão com o Papa.  

A ajuda que continua a ser dada aos seminaristas Ucranianos pela Fundação AIS é uma semente de fé que vai alimentar seguramente a Igreja no futuro.
VOCAÇÕES SEM MEDO

D. Svyastoslav é também o responsável principal pela formação de todos os seminaristas da Ucrânia. É uma tarefa essencial para preservar a própria existência da comunidade. “Hoje, estamos muito necessitados de verdadeiros pastores que realmente façam parte da vida das pessoas e as  acompanhem. Depois de todos aqueles anos, olhando para os nossos seminaristas, fico feliz por vê-los viverem as  suas vocações sem qualquer medo”.   

A ligação da Fundação AIS à Igreja ucraniana continua mesmo depois do colapso da União Soviética. Os tempos são diferentes, mas persistem as dificuldades. Durante a ditadura soviética a Igreja foi espoliada dos seus bens e hoje necessita de apoio para continuar a realizar a sua missão. A ajuda que continua a ser dada aos seminaristas Ucranianos pela Fundação AIS é uma semente de fé que vai alimentar seguramente a Igreja no futuro.  

Hoje milhares de jovens em todo o mundo respondem ao chamamento de Deus. Muitas vezes, as pessoas sentem-se abandonadas e esquecidas. As pessoas precisam de alguém para partilhar as suas tristezas, mas também as suas alegrias. Alguém que realmente se interesse e que leve Deus até elas. 
 
Estes seminaristas da Ucrânia, assim como milhares de  seminaristas da Igreja perseguida e necessitada em todo  o mundo, como no Sudão, no Paquistão, na China, no  Iraque, entre tantos outros países, são exemplo disso!   
 
 
Apoie um dos milhares de seminaristas onde a Igreja mais necessita e mais sofre
 
O apoio aos seminaristas é vital para o futuro da Igreja!

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