
AMEAÇAS DIRECTAS
O Pe. Ragheed foi um dos muitos padres que estudaram em Roma com a ajuda de uma bolsa de estudo da Fundação AIS. Embora pudesse ter continuado os estudos em Roma, decidiu regressar ao Iraque porque sentiu que o seu povo precisava dele.
Já o tinham ameaçado. O Pe. Ragheed sabia que alguma coisa estaria para acontecer. Cada vez as ameaças eram mais assustadoras e mais directas. Dias antes do seu assassinato, confidenciou a um amigo: “Todos os dias esperamos o ataque decisivo, mas não deixaremos de celebrar a Missa”.
Queriam que a Igreja do Espírito Santo fechasse portas, que os Cristãos deixassem de ter um lugar de culto, ali, no bairro de Nur, em Mossul. Nesse Domingo, 3 de Junho, tudo se precipitou. Depois de ter celebrado Missa, como fazia habitualmente, o Pe. Ragheed foi interpelado, já fora da igreja, por um grupo de homens armados. Obrigaram-no a sair do carro e um deles gritou-lhe: “Mandei-te fechar a igreja. Porque não o fizeste? Porque é que ainda aqui estás?”
O Pe. Ragheed estava acompanhado por três diáconos. Algumas pessoas que se encontravam ali perto recordam a sua resposta. As suas últimas palavras foram: “Como é que eu posso fechar a Casa de Deus?”.
Mal pronunciou estas palavras, foi atirado para o chão e o seu corpo foi metralhado vezes sem conta. O mesmo aconteceu com os três diáconos que o acompanhavam.
Testemunho de Rami Albahadrey, amigo do Padre Ragheed
![]() |
O seu assassinato foi um prenúncio da perseguição atroz aos Cristãos que iria acontecer. Em Agosto de 2014 não houve nenhum poder que ajudasse os Cristãos no Iraque quando tiveram que fugir de Qaraqosh e a maior cidade cristã do país caiu nas mãos sangrentas do Estado Islâmico. |