
A SUA VIDA PELOS OUTROS
É precisamente isto que fazem os mártires… Tudo aconteceu há cinco anos durante a Quaresma, no dia 15 de Março. O jovem Akash, fazia de segurança na Igreja de São João como voluntário. Sabia que o islamista com o colete de explosivos, à sua frente, queria entrar na igreja e que só a sua vida estava entre o suicida e os 2.000 fiéis que rezavam na Missa de Domingo.
Segurou-o com força: “Daqui não passas, nem que eu tenha que morrer!” Foram as suas últimas palavras. O assassino detonou a bomba. Morreram os dois, mas, com aquele gesto conseguiu impedir que um banho de sangue viesse a enlutar a comunidade cristã no Paquistão. Hoje é chamado “o anjo de Youhanabad”.
Akash Bashir frequentava a escola salesiana. Pertencia a uma minoria. Era um jovem muito humilde e muito activo na igreja. Cantava no coro, colaborava na catequese e decidiu oferecer-se como segurança da igreja. Os seus amigos diziam- lhe: “Nunca conseguirás ser segurança porque és demasiado bom para as pessoas. Como é que vais fazer se um terrorista aparecer de repente?"
Akash respondeu-lhes:“Eu não tenho medo porque estou a servir a Deus e se tiver de morrer por Deus, então morrerei!”
EM MEMÓRIA DE AKASH
Akash Bashir ficou na memória dos jovens da Diocese de Lahore, como um exemplo. Muitos inscreveram-se no serviço de segurança da igreja, assim como noutras dioceses. Estão prontos a dar a vida por Jesus, como o jovem Akash.
Testemunho de Qandeel, amiga de Akash Bashir
O Akash morreu, mas salvou muitas vidas. Foi um acto de amor. Akash era um jovem católico como eu.
Também sofreu perseguição, ameaças e discriminação, apenas por seguir Jesus.
A morte de Akash, tal como o martírio de tantos outros católicos no Paquistão,
é a nossa inspiração, para aguentarmos até o fim.
Na Paróquia de São João, mesmo depois do ataque e da morte de Akash, temos mais de 800 baptismos por ano.
Não podemos carregar esta cruz sozinhos. Podemos ser uma Igreja pobre em recursos,
mas somos ricos na fé e no amor. Pergunto-me se seria capaz de fazer o mesmo que Akash.
Até a conversão ao Islão facilitaria a nossa vida; mas não o fazemos.
Sempre que penso na sua morte, recordo o Evangelho de São João:
“Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos.”
Neste ambiente hostil aos Cristãos, as sementes dos mártires estão a germinar. O número de vocações está a crescer cada vez mais. A igreja é jovem. A grande maioria dos que frequentam a Missa são crianças, adolescentes, jovens adultos.
A educação dos jovens é um grande desafio. Há muito poucos pais que possam pagar a escola aos seus filhos. Mas a Diocese de Faisalabad lançou um programa de formação e educação para todos os jovens.