
A República Centro-Africana é um país sem lei nem ordem. Desde 2013 que se transformou num verdadeiro campo de batalha entre grupos armados. É uma tragédia imensa, com milhares de mortos e milhões de pessoas a precisarem de ajuda humanitária. Os Cristãos têm sido um dos alvos desta verdadeira guerra civil. Nem as igrejas escapam à violência. A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Bangui, foi atacada à granada…
Dia 1 de Maio de 2018. Estava a decorrer a Missa quando um grupo de homens armados irrompeu pelo templo lançando granadas para o meio dos fiéis e disparando indiscriminadamente.
![]() |
“Quando começaram a ouvir-se tiros, os cristãos entraram em pânico e começaram a correr para sair da igreja”, relatou um dos sobreviventes do massacre. Vinte pessoas morreram, incluindo o Pe. Albert Baba, de 71 anos, e 140 ficaram feridas. O Cardeal Dieudonné Nzapalainga, Arcebispo de Bangui, não teve dúvida em dizer, desde logo, que se tratou de “um acto terrorista contra a comunidade cristã”. |
De facto, o país, extraordinaramente rico em recursos minerais, como ouro e diamantes, gera uma enorme cobiça que talvez ajude a compreender o caos em que se encontra. A República Centro-Africana vive uma terrível onda de violência desde a queda do presidente François Bozizé, em 2013, com grupos armados muçulmanos, os Séléka, a espalharem a violência contra as populações civis, nomeadamente os Cristãos, o que deu origem à criação de grupos de auto-defesa, conhecidos localmente como os “anti-Balaka”.
Calcula-se que, em todo o país, haverá 18 milícias armadas que são responsáveis pelos ataques contra as populações, raptos, roubos dos recursos minerais, assim como do gado e contrabando. Perante a incapacidade do próprio país assegurar a defesa das populações, são as Nações Unidas que têm assumido essa difícil tarefa recorrendo ao esforço de vários países que enviaram capacetes azuis para as zonas mais problemáticas. Portugal é um desses países.
“80% do país é controlado por forças rebeldes”

Novo Ataque
O ataque à Igreja de Nª Sra. de Fátima, na capital, foi apenas um prenúncio do que ainda estava para vir. Dia 15 de Novembro. A catedral e o campo de refugiados, que albergava mais de vinte mil pessoas, na sua maioria cristãos, foram atacados com uma ferocidade inimaginável. Milhares de pessoas tiveram de fugir para a floresta procurando salvar a própria vida. Foram minutos de terror. Ficou um rasto de destruição e morte dificilmente traduzível por palavras. Corpos calcinados, esquartejados… Ninguém foi poupado. Nem mulheres ou crianças. Dois padres foram também assassinados. Um deles terá sido mesmo queimado vivo.
> Estes ataques deixaram a comunidade cristã ainda mais vulnerável perante a violência brutal que os grupos armados lançam sobre as populações. Indefesas, precisam de ajuda. <
Na Rep. Centro-Africana, os medicamentos são dispendiosos e as pessoas são muito pobres. Todos os que se encontravam no campo de refugiados eram pessoas que tinham perdido os seus haveres, tudo o que possuíam.
“Obrigado, AIS!”
A campanha de emergência que a Fundação AIS lançou de imediato, em resposta ao apelo do Cardeal Nzapalainga, continua em marcha.
Nos vários testemunhos recolhidos pela equipa da Fundação AIS que se tem deslocado a este país, há um que ressoa como um sinal da coragem dos que perdendo tu o nunca renunciaram ao essencial:
“Roubaram-nos tudo, menos a fé! É a única coisa que ninguém nos pode tirar.”
![]() |
Numa outra carta enviada para a Fundação AIS, um cristão explicava a situação de enorme precariedade em que todos se encontravam. “A água que bebemos vem dos riachos onde tomamos banho. Estamos a morrer de malária, febre e diarreia porque nos faltam os medicamentos essenciais.” D. Nestor Nongo-Aziagba, Bispo de Bossangoa, não tem dúvidas em afirmar que é nestes tempos de maior angústia que a solidariedade dos Cristãos assume a sua verdadeira face.
“Damos abrigo aos refugiados e ajuda a quem dela precisa, independentemente da sua religião”, explicou o prelado numa mensagem enviada para a Fundação AIS. “Obrigado pelas formas muito diversas através das quais sempre nos apoiaram durante estes difíceis momentos de crise”. |