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AFEGANISTÃO: “Os meus pais foram mortos pelos Talibãs”, recorda, à Fundação AIS, um cristão que vive hoje em Itália

1 outubro 2021
AFEGANISTÃO: “Os meus pais foram mortos pelos Talibãs”, recorda, à Fundação AIS, um cristão que vive hoje em Itália
Ali Ehsani tem 38 anos e é advogado. Há três décadas, assistiu ao assassinato dos pais pelos talibãs. Tinha 8 anos quando fugiu do Afeganistão. Na companhia de um irmão, fez-se ao caminho. Foi uma longa e penosa viagem que só terminou em Itália. O irmão não sobreviveu. O regresso dos talibãs ao poder avivou memórias dolorosas, tempos em que a sua família vivia a fé em Cristo na clandestinidade. Em entrevista ao secretariado espanhol da Fundação AIS, Ehsani contou a sua história.

“Foi uma viagem angustiante que nos levou do Afeganistão ao Paquistão, Irão, Turquia e Grécia, até chegarmos a Itália. O meu irmão morreu pelo caminho…” Ali Ehsani tinha oito anos. “Um dia cheguei a casa, vindo da escola, e descobri que os talibãs tinham destruído a nossa casa e matado os meus pais. O meu irmão e eu fomos forçados a fugir do Afeganistão.” Os pais tinham sido denunciados por um vizinho. Denunciados por serem cristãos. A família de Ali vivia a sua fé quase na clandestinidade, no maior dos segredos.

O Afeganistão é um país maioritariamente muçulmano com uma tolerância muito reduzida para as minorias religiosas, para os não sunitas. Com uma visão muito rigorosa do Islão, as mulheres são obrigadas a usar burka, os homens têm de deixar crescer a barba, num mundo de proibições que torna a vida sufocante para a esmagadora maioria da população.

Os pais de Ali sabiam disso e nunca falaram abertamente sobre a religião porque receavam que ele, ainda criança, os traísse inadvertidamente. Um dia, os seus amigos perguntaram-lhe por que razão o pai não ia à mesquita para as orações como todos os outros homens, como todos os muçulmanos. “Fui para casa e perguntei-lhe. Ele pediu-me para não dizer a ninguém que éramos cristãos…” Mas o segredo foi descoberto e acabou em tragédia.

Ali tinha oito anos. O irmão era mais velho. Tinha 16. A viagem até Itália, uma verdadeira odisseia, durou cinco anos. “Foi angustiante”, diz agora, como se fosse possível reduzir tudo a duas palavras. Já passaram muitos anos mas ainda é difícil lembrar a morte do irmão. Tinham apanhado um barco para chegar à Grécia. O mar agitado acabou por ser a sepultura do seu irmão. Ali agarrou-se a uma botija de gasolina que transformou numa boia de salvação. “Se Jesus existe, Ele salvar-me-á de morrer afogado”, foi o que pensou.

Sobreviveu. Tinha 11 anos quando chegou a Itália com ideias muito concretas sobre o que queria fazer na sua vida: estudar Direito, ser advogado para defender os mais fracos, os que estivessem em dificuldades, os que ficassem órfãos, como ele. E nunca se esqueceu das suas raízes, do seu país. Nunca se esqueceu de tentar ajudar outros que pudessem estar a viver também clandestinamente a sua fé no Afeganistão.

E descobriu uma família que precisava de ajuda. Uma história incrivelmente parecida com a sua. A televisão ligada via satélite a um domingo a transmitir a Missa foi suficiente para que um vizinho os denunciasse. “O pai foi preso e não mais ouviram falar dele. A família foi forçada a fugir e escondeu-se numa espécie de abrigo, pagando a um guarda para protegê-los. Graças às autoridades Italianas e do Vaticano, conseguimos tirá-los do país. Vivem agora em Itália….”

Ali Ehsani conta como esses primeiros dias em liberdade foram vividos intensamente por esta família que ajudou a retirar do Afeganistão. “A primeira vez que puderam assistir à Missa, ficaram tão emocionados que só choravam. Foi profundamente comovente…” Um dos elementos da família confessou que depois de tantos anos a viver a fé na clandestinidade, sentia-se como que a renascer. Ali Ehsani sabe bem o que significa essa palavra. Também ele teve de aprender a respirar em liberdade. Ali tinha apenas oito anos quando fugiu do Afeganistão.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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