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CAMARÕES: Separatistas raptam rapariga de Igreja na cidade de Mbiame, agravando sentimento de insegurança no país

19 março 2020
CAMARÕES: Separatistas raptam rapariga de Igreja na cidade de Mbiame, agravando sentimento de insegurança no país
Quatro reféns mortos e cinco libertados é o balanço de uma operação das forças armadas dos Camarões no final da semana passada num acampamento de separatistas no oeste do país.

Entre os reféns libertados estava uma jovem de 17 anos de idade, cuja identificação foi preservada, que afirma ter sido sequestrada quando estava numa Igreja Católica.


A rapariga diz que os rebeldes anglófonos “fortemente armados” a raptaram no domingo, dia 8 de Março, quando se encontrava numa igreja na cidade de Mbiame, no noroeste dos Camarões.

Segundo o seu relato, os separatistas levaram-na, juntamente com outros reféns, para um acampamento escondido na floresta, onde terá sido violentada. "Quando chegámos – explica a jovem, citada pela Voice of America –, fomos espancados.” A rapariga afirmou ainda que era obrigada a dormir no chão e que durante o tempo de cativeiro não lhe deram nem comida nem água.

A jovem disse ainda que os rebeldes exigiam pela sua libertação, assim como por cada uma das outras mulheres sequestradas, cerca de 2.700 euros. Caso contrário, seriam mortas.

Quando os soldados libertaram as mulheres, cinco no total, elas estavam “famintas, cansadas e desgastadas”. Entretanto, as forças armadas dos Camarões acusaram ainda os separatistas anglófonos de terem assassinado outros quatro reféns, no seguimento da mesma operação ao acampamento.

Este episódio é revelador da situação de profunda instabilidade que se vive na região noroeste e sudoeste dos Camarões, onde predomina a língua inglesa e onde tem crescido um movimento independentista face ao poder central dominado pela região francófona, que domina cerca de 85% do país.

A luta pela independência desta região – e para a criação de um Estado chamado Ambazonia – ganhou uma dimensão maior em 2016 com os primeiros episódios de conflito armado.

Calcula-se que milhares de pessoas tenham sido deslocadas internamente em consequência dos actos de violência que entretanto passaram praticamente a dominar o quotidiano, sendo que, de acordo com as Nações Unidas, centenas de pessoas perderam a vida neste conflito. Alguns observadores afirmam que já morreram mais de 2 mil pessoas nesta guerra não declarada.

Infelizmente, este não é o único motivo de preocupação para as populações deste país africano. Com largas fronteiras com a Nigéria, Chade, República Centro-Africana, Congo, Gabão e ainda a Guiné Equatorial, os Camarões reflectem alguma da enorme instabilidade que se vive em alguns dos países da região. É o caso da Nigéria. Ainda em Fevereiro, a Fundação AIS dava conta da preocupação da Igreja Católica pelos sucessivos episódios de violência com a marca do grupo terrorista Boko Haram que tem na região nordeste da Nigéria o seu principal ponto de actuação.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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