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CAMARÕES: Sequestro e posterior libertação do Cardeal Christian Tumi é sinal do aumento da violência no país

7 novembro 2020
CAMARÕES: Sequestro e posterior libertação do Cardeal Christian Tumi é sinal do aumento da violência no país
Um grupo de homens armados sequestrou na tarde de quinta-feira, dia 5 de Novembro, o Cardeal Christian Tumi, de 90 anos, quando se encontrava em Bana, entre Bamenda e Kumbo, tendo sido libertado horas depois, já na manhã de sexta-feira. Alegadamente terá sido levado por elementos ligados ao movimento independentista que procura libertar a região anglófona dos Camarões do poder central.

Mal se soube que o Cardeal Tumi, arcebispo emérito de Douala, tinha sido sequestrado, ocorreram várias manifestações de fiéis reclamando a sua libertação imediata.

Segundo o Vatican News, entre “as razões do sequestro” pode estar o “encorajamento dado pelo cardeal às crianças para irem à escola”, no seguimento do sequestro, dias antes, de um grupo de professores, e do ataque armado à escola bilingue internacional Madre Francisca, que causou oito mortos entre os jovens alunos. O Papa Francisco expressou o seu pesar por esse ataque, pedindo o fim da violência no país.

Esta luta pela independência tem custado um preço elevado não só em vidas humanas mas também em pobreza, deslocamento forçado de pessoas e medo instalado nas comunidades. Desde 2016, mais de 3 mil pessoas foram mortas e cerca de meio milhão estão a viver fora das suas casas, das suas aldeias. São deslocados internos.

Esta questão, dos deslocados internos, é muito relevante e está a obrigar a própria Igreja a mobilizar-se no sentido do acolhimento dos que têm sido obrigados a fugir por causa da violência.

Um jovem sacerdote, que não pode identificar-se por questões de segurança, afirmou em mensagem enviada para Lisboa, para a Fundação AIS, que agora, “nos Camarões, todas as paróquias devem receber as pessoas vindas das zonas inseguras e temos de estar próximos destas pessoas”.

O padre acrescenta que “não é fácil” lidar com esta realidade, “porque há uma mistura de culturas e temos de nos aceitar uns aos outros”. “Cada pessoa tem de mudar a sua maneira de ver o outro, no fundo, temos de formar comunidades muito solidárias...”, acrescentou ainda na mensagem.

O problema que se vive nos Camarões é complexo mas pode tentar resumir-se à ambição da região onde predomina a língua inglesa, no sudoeste e noroeste do país, em ganhar a independência face à ineficácia do poder central que é controlado por pessoas que falam essencialmente o francês.

A ineficiência do poder face aos problemas que os cidadãos enfrentam no dia-a-dia veio agravar este sentimento de exclusão de uma parte do país que se sente menorizada pelas autoridades. O Cardeal Christian Tumi já disse, em várias intervenções, que “as razões da crise” nos Camarões “residem na má governação”.

No dia 1 de Outubro de 2017, fez agora três anos, grupos separatistas activos na região noroeste e sudoeste do país proclamaram mesmo a “Ambazónia”, como estado independente. O conflito ganhou enorme violência desde então, com pessoas assassinadas, raptadas, um clima de intimidação e a destruição de infraestruturas e povoações. Há registo de escolas, hospitais e aldeias incendiadas. É comum falar-se em guerra civil.

O sequestro e posterior libertação do Cardeal Tumi nesta semana mostra que esta onda de violência separatista não poupa sequer a Igreja. Ainda este ano, em Março, a Fundação AIS relatava uma operação das forças armadas dos Camarões para a libertação de um grupo de reféns que estavam num acampamento de separatistas.

Entre os cativos encontrava-se uma jovem de 17 anos de idade, cuja identidade não foi revelada por questões de segurança, e que tinha sido sequestrada por rebeldes anglófonos “fortemente armados” quando estava numa igreja na cidade de Mbiame.

Antes disso, no ano passado, em Novembro, a Fundação AIS recebeu uma carta do Bispo de Mamfe, uma diocese situada na região anglófona, onde D. Andrew Nkea mostrava a sua preocupação pelos sequestros de sacerdotes e incidentes que estavam a ocorrer na região.

"A violência aumentou, trazendo mortes, perda de propriedade, grave insegurança, muitos deslocados internos e muitos refugiados que fugiram para a Nigéria”, escreveu o prelado na missiva.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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