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ETIÓPIA: “Há fome e medo e a situação está a piorar” na região de Tigray, denuncia sacerdote à Fundação AIS

6 maio 2021
ETIÓPIA: “Há fome e medo e a situação está a piorar” na região de Tigray, denuncia sacerdote à Fundação AIS
São palavras que retratam uma realidade alarmante no norte da Etiópia, ainda em resultado da intervenção militar, brutal e sangrenta, de tropas do exército federal e de forças aliadas da Eritreia na região de Tigray. Um sacerdote católico, que por questões de segurança não pode ser identificado nem sequer revelada a sua localização exacta, afirma à Fundação AIS que “há fome e medo” entre as populações, descrevendo um cenário de profunda crise humanitária em toda esta zona da Etiópia.

Ao telefone com a jornalista Maria Lozano, após um período de cerca de cinco meses em que esteve praticamente isolado do resto do mundo, o padre traça um retrato dramático, dizendo que “não há livre circulação de pessoas“, nem “serviços públicos oficiais, nem comida suficiente, nem medicamentos... ” E o futuro imediato não se afigura melhor. Pelo contrário. “A situação está a piorar a cada momento” e “as pessoas estão no fim das suas forças”. E deu exemplos disso, como algumas mães que lhe têm pedido ajuda “porque perderam os seus filhos e não sabem onde eles estão”. “Não tenho palavras para descrever o seu sofrimento… há um grande desespero e as pessoas estão traumatizadas”.

Não é só a população civil que está a enfrentar esta realidade dramática. A própria Igreja tem sofrido com a violência. Relata o sacerdote à Fundação AIS que “três párocos foram ameaçados e espancados” e que todos os bens das paróquias foram “completamente saqueados pelos soldados”. O balanço não podia ser mais trágico. O padre fala em “centenas de mortos”, confirmando as informações que Regina Lynch conseguiu apurar em Fevereiro. A directora de projectos da Fundação AIS a nível internacional falava já então numa situação “alarmante”, com notícias “terríveis” oriundas da região de Tigray.

“Centenas de cidadãos estão a ser mortos nos conflitos na região de Tigray. Ninguém sabe ao certo o número de mortos, mas disseram-nos que há padres e líderes da igreja entre eles. Lojas, escolas, igrejas e conventos foram roubados e destruídos. Milhares de pessoas fugiram das suas casas. Muitos atravessaram a fronteira para o Sudão, mas outros procuraram refúgio em áreas remotas, nas montanhas, sem água ou acesso a comida”, confirmou então Regina Lynch. Nesta região, que faz fronteira com a Eritreia e o Sudão, cerca de 95% da população é cristã e pertence à Igreja Ortodoxa Copta Etíope.

Esta violência não tem por base conflitos de ordem religiosa mas sim política. As eleições legislativas que deveriam ter ocorrido no final de Agosto do ano passado foram adiadas por causa da pandemia do coronavírus. No entanto, na região de Tigray, o partido nacionalista Frente Popular para a Libertação de Tigray (PFLT), organizou sem autorização do governo central uma consulta popular, o que motivou uma crise política que levou à intervenção dos militares.

Depois de Abiy Ahmed, o primeiro-ministro etíope, ter enviado em Novembro de 2020 tropas federais em reforço das estruturas do exército na luta contra elementos desta força nacionalista do PFLT, os combates generalizaram-se. E contaram também com a participação de forças da vizinha Eritreia. Para Regina Lynch, esta é “uma situação terrível”, e é necessário auxiliar estas populações apesar da dificuldade de se conseguir chegar a uma região que se encontra tão isolada. “Este é um problema político, mas aqueles que estão a pagar com a vida são os cidadãos e os civis. O sofrimento de tantas pessoas deve ser aliviado, e o conforto deve ser dado aos nossos irmãos e irmãs cristãos que estão isolados do mundo numa situação de angústia, ameaçados pela violência e pelo terror”, acrescentou ainda a directora de projectos da Fundação AIS.

Para a comunidade cristã este é um tempo muito especial. No passado domingo, dia 2 de Maio, celebrou-se a festa da Páscoa. Apesar de toda a violência e todas as dificuldades que os cristãos enfrentam no dia-a-dia, na conversa telefónica com a Fundação AIS, o sacerdote etíope lembrou a importância da solidariedade como fonte de esperança para toda a comunidade. “Por favor, continuem a rezar por nós e a apoiar-nos. Precisamos da vossa ajuda, tanto material como espiritual. Dada a difícil situação que estamos a viver, a Igreja é chamada a trabalhar mais do que nunca durante este período crítico. Muito obrigado pela vossa solidariedade e sincera preocupação durante estes tempos dramáticos.”

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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