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FILIPINAS: Sequestrado 116 dias por jihadistas em 2018, Padre ‘Chito’ é recordado como mártir da paz

29 julho 2020
FILIPINAS: Sequestrado 116 dias por jihadistas em 2018, Padre ‘Chito’ é recordado como mártir da paz
O ataque brutal por um comando jihadista à cidade de Marawi, em 2017, haveria de marcar a vida do Padre Teresito Soganub até ao fim da sua vida. Falecido aos 59 anos de idade na passada quarta-feira, dia 22 de Julho, de paragem cardíaca, o ex-vigário geral da Prelazia de Marawi, mais conhecido como “Padre Chito”, é recordado agora como um mártir da paz.

O Padre Teresito Soganub estava a rezar com alguns fiéis na Catedral de Marawi no dia 23 de maio de 2017 quando um grupo de homens fortemente armados invadiu o templo, no que seria o primeiro grande sinal da ocupação da cidade pelos jihadistas do movimento Maute, inspirados e ligados ao Daesh, o Estado Islâmico.

Durante cerca de cinco meses Marawi transformou-se num verdadeiro campo de batalha. Calcula-se que cerca de 40 por cento da cidade ficou destruída e que 98 por cento da sua população teve de a abandonar. A comunidade cristã foi um dos alvos principais dos militantes jihadistas, como se percebeu logo no início do ataque com a ocupação da catedral.

De facto, para a história ficará o assalto, incêndio e destruição da catedral, assim como o sequestro de alguns membros da comunidade cristã. Um dos sequestrados foi o Padre “Chito”. Esteve em cativeiro durante 116 dias.

Um ano mais tarde, numa entrevista à Fundação AIS, o sacerdote filipino haveria de recordar esse tempo em que esteve como prisioneiro às mãos do grupo radical. “É uma experiência que ninguém gostaria de fazer na vida”, disse. O Padre Teresito nunca esteve sozinho nessa condição. Houve sempre mais sequestrados perto dele. Numa determinada altura chegaram a ser 121 reféns.

“Foram também 116 dias de lamentação, de oração de lamentação a Deus. Eu não perdi a fé, mas lamentei-me: ‘Porquê eu? Eu sei que estás aqui. Porque permites que isto aconteça? Mesmo sendo um pecador, eu não mereço isto.’”, recordou o Padre Teresido nessa entrevista com a Fundação AIS.

“Esses 116 dias foram uma ocasião para eu falar muito intimamente com Deus. Falei directamente com Deus, lamentei-me. E também lhe agradeci pela vida, porque estava à espera da morte…”.

A entrevista a Mark Von Riedermann é hoje uma peça essencial para se conhecer melhor o que se passou nesses dias trágicos em que a cidade de Marawi esteve ocupada por largas dezenas de jihadistas fortemente armados, mas também acaba por se tornar um tributo ao Padre Teresito Soganub, que viveu uma experiência de cativeiro dramática, no meio de ferozes combates.

Durante o tempo em que esteve sequestrado, o Padre Teresito rezou e questionou muitas vezes a sua própria fé. “A chuva de balas, os ataques aéreos… é difícil e eu não tenho capacidade de suportar tudo isto, não sou assim tão forte!”, dizia, para consigo, em muitos momentos de cativeiro.

“Depois, tive a resposta: ‘Eu consigo ser forte com Deus, na fé. Por isso, faz de mim o que quiseres, mas é muito, muito difícil’. Estou doente e choro, mesmo aqui choro no meu coração. Lamento-me. Mas dizia ao Senhor: ‘Eu sei que estás aqui! Perdoa-me. É difícil para mim compreender, mas Tu permite-lo. Noutra reflexão percebi isto: ‘Sê humilde, mesmo nesta situação. E pedi a Deus dizendo: ‘Estou aqui oprimido e sacrificado, mas sei que me amas muito e assim esta opressão e sacrifício tornam-se um privilégio e um dom, mas, para ser honesto, eu não quero este dom e privilégio!’”

Na entrevista com Mark Rieddermann, o Padre Teresito haveria de confessar que nos 116 dias de cativeiro a Igreja nas Filipinas esteve muito unida em oração. O que estava a acontecer ao Padre Teresito era seguido por todos com muita atenção. E oração. “Foi uma ocasião para os meus mais próximos rezarem muito, e também para a Igreja das Filipinas rezar muito. Sei que em todas as Missas o meu nome foi mencionado, assim como o dos outros reféns. Rezaram por nós.”

O Padre Teresito esteve sempre também muito empenhado no diálogo inter-religioso nas Filipinas. Essa importante faceta do seu trabalho como sacerdote foi também recordada e sublinhada quando se soube do seu falecimento. Thomas Heine-Geldern, presidente executivo internacional da Fundação AIS, numa mensagem de condolências enviada para o Bispo de Marawi, D. Edwin de la Peña, recordou “os esforços” do Padre “Chito” na promoção do “diálogo inter-religioso e na construção da paz”. Esforços que ficaram patentes no “extraordinário testemunho” vivido durante o sequestro. Por tudo isso, disse ainda o presidente executivo da AIS, a vida do Padre “Chito” é fonte de inspiração para os cristãos.

A Fundação AIS tem apoiado nos últimos anos diversos projectos na Prelazia de Marawi em apoio às vítimas da violência em Mindanao e em promoção também do diálogo inter-religioso. Um trabalho que será, a partir de agora, também, um tributo à vida do Padre Teresito Soganub.


PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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